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Sobre sapos, príncipes e o cu da donzela

Quem se mete a adentrar cavernas menos exploradas têm de saber de suas vicissitudes

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-Hoje eu faço tudo o que você quiser. Pede!

-Eu quero lá atrás…

Cena clássica dos contos que começam mais ou menos assim: “era uma vez, um casal que se pegava…”. Acontece que, partindo da deixa da última fala, a história tem alguns desenrolares possíveis.

Dentre as mocinhas que já conhecem a arte e as que ainda são donzelas, tem as que querem sair cavalgando pela porta dos fundos por vontade própria, aquelas que o querem pelo grandioso fetiche do proibido, ou até mesmo por ver seu esforço satisfazendo o próximo. Tudo tá valendo.

Depois que a calcinha já foi passear no bosque, chega o momento em que os homens se separam em diversos tipos de cavalheiros. O desbravador, que conquista a confiança das feras do pântano pela delicadeza de seus movimentos e, assim, cruza o caminho com a segurança de um esperto. O sapo companheiro, que salta de boca em sua donzela, prepara o terreno, e desvia das pedras pelo caminho guiado pelas mãos da amada. E o príncipe encantado: aquele tipinho engomado que espera que alguém limpe o caminho e estenda um tapete pra que ele passe sem o menor risco de sujar a pontinha de seu sapato de couro.

Em outras palavras, o príncipe encantado é aquele que só quer o sexo anal se tiver chuca (nome moderninho pra a lavagem que se faz do reto antes da transa).

A prática pode ser uma etapa que se desenrola em comum acordo de ambas as partes, todo mundo fica mais confortável e, depois da chuveirada traseira, é só love, só love. Mas acontece que tem muito membro dessa realeza enjoada que não só é um ‘chuca lover’, como também um ‘chuca freak’.  Uma especiezinha que quer pendurar a medalha de ‘honra ao mérito dos fundos’ na casaca, bem à altura dos olhos dos amigos e inimigos, mas sob uma condição: que este seja um sexo anal asséptico. Afinal, onde já se viu correr o risco ser maculado irreversível pelo carimbo alheio! Que situação... traumática, por certo. Do tipo que esvaziaria o sangue das veias viris no ato, e o faria novamente por todas as vezes que o relance de tal lembrança passasse pela cabeça.

Esse principezinho encantado é uma espécie das mais odiáveis. É questionável se ele realmente quer comer um cu, ou se ele está buscando somente uma boceta apertada, bem apertada, e um tanto quanto seca, pra saciar seu subconsciente sádico.

Não é que a prática tenha de ser suja em todos o sentidos da palavras. É só que é preciso aceitar os termos e condições das pessoas donas de cada cu antes de dar enter e fazer o login. Saberás onde estás enfiando-te, e aceitarás a consequências.


publicado em 26 de Abril de 2016, 14:28
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Gabriella Feola

Editora do Papo de Homem e autora do livro "Amulherar-se" . Atualmente também sou mestranda da ECA USP, pesquisando a comunicação da sexualidade nas redes e curso segunda graduação, em psicologia.


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