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Dá pra fazer um filme só com cenas de outros 450? Dá, ele se chama Final Cut, e você vai querer ver o resultado

Porque, afinal, o filme é uma aula de edição e originalidade.

Eis outra história clichê de um menino conhecendo uma menina e se apaixonando. Como tantas vezes já vivenciamos na pele, como tantas outras vimos nas telas. O inusitado desta vez? A maneira que ela é contada, em um filme que junta cenas de outras centenas de longas. 

Porque este foi o caminho encontrado pelo diretor húngaro György Pálfi para criar sua comédia romântica: pegar cenas de cerca de outros quatrocentos e cinquenta filmes para contar sua trama. Sim, CENAS DE QUATROCENTOS E CINQUENTA FILMES, você não leu errado. 

Pálfi e sua equipe levaram cerca de três anos produzindo o longa, que não conta com uma única cena própria. Não ouve o aquecimento de um mísero refletor, a escolha de nenhum enquadramento ou o barulho de uma claquete. É tudo copiado, tirado de sua obra original e adaptado à mercê do filme. 

​Este é Final Cut - Hölgyeim es Uraim, ou Senhoras & Senhores - Corte Final, numa tradução simples do título original. Um filme que é, acima de tudo, uma carta de amor ao cinema.  

Em nove segundos de GIF, cinco filmes. Quantos reconhece?

De Chaplin a Kill Bill, 007 a De volta pro futuro, tem muito ali. De clássicos a desconhecidos. Não é muito errôneo se eu colocar que muito do que já assisti em vida está nesses pouco mais de oitenta minutos. Final Cut é uma aula de cinefilia, edição e como é possível deixar uma construção esquizofrênica - como o conceito do longa é - em algo orgânico e divertido.

Para os nerdzinhos da sétima arte, vale destacar que a técnica do filme, de montar o enredo em cima de cenas já existentes, é um belo exemplo de Found Footage, que é o uso de imagens já existentes para a criação de novas peças audiovisuais. É uma definição meio careta, mas a prática é bem comum: vemos aos montes nos documentários, ao resgatarem imagens de arquivo, e teve todo um apelo ficcional com um gênero de filmes de terror, que leva o nome da técnica e faz uso de imagens aparentemente reais para causar maior choque. Ainda assim, é interessante notar como os editores de Final Cut usam com originalidade as imagens que tinham em mãos.

Sem mais delongas, agora que contei o básico sobre o filme, corre pro vídeo abaixo e dá o play. É o filme completo, pra matar sua curiosidade. Depois volta na caixa de comentários e conta o que achou.

Final Cut - Hölgyeim es Uraim, do diretor György Pálfi, é um filme de 2012. Aqui ele está completo, mas sem legendas.egenda

publicado em 24 de Abril de 2017, 07:05
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Bruno Pinho

Estagiário do PapodeHomem e estudante de jornalismo.


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