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Das pistas para as ruas: 11 tecnologias que vieram da F1 para nossos carros

Quando assistimos uma corrida de Fórmula 1, pouco vemos naqueles monopostos velozes além do conceito básico de automóvel: um motor, quatro rodas e um volante. A verdade é que há um intercâmbio maior do que imaginamos.

O primeiro aspecto que temos de lembrar é que um modelo de competição custa caro. Na verdade, ele custa muito caro, algo em torno de 9,75 milhões de libras (R$ 34,11 milhões), se considerarmos somente as peças básicas.

A partir dessa premissa, fica simples entender um ponto: boa parte das tecnologias empregadas na F-1 demorará anos para chegar a um carro comum.

Alguns conceitos, entretanto, tendem a ser aproveitados com mais rapidez. Elaboramos uma lista de 11 tecnologias compartilhadas entre carros da F-1 e modelos convencionais.

Vamos a elas:

1. Motor

Provavelmente, a parte mais exigida de um carro de F1 é o motor. O regime de giros, próximo das 18 mil RPM, é muito superior ao de um carro de rua.

O resultado disso é que os seus componentes internos convivem com temperaturas altíssimas e, por isso, precisam ser resistentes. É aí que entram materiais como titânio e alumínio.

Enquanto o primeiro ainda é mais comum em modelos mais caros, o alumínio já é amplamente utilizado na fabricação de blocos de motores comuns.

O vídeo abaixo ajuda a entender um pouco sobre o grau de exigência de um motor de F1.

Link Youtube

2. Transmissão

Carros de F1 têm somente dois pedais. A razão disso é o tipo de transmissão, automatizada.

Veja bem, não se trata da transmissão automática tão comum em modelos luxuosos e que utilizam uma peça chamada conversor de torque.

A transmissão automatizada utiliza atuadores hidráulicos – pequenos robôs controlados por uma central eletrônica – para acionar a embreagem e passar a marcha. Esse câmbio chegou à F1 pela Ferrari em 1989 e hoje pode ser encontrado em carros bem mais populares.

3. Chassis

Uma das maiores preocupações em um carro de F1 é o seu peso. Na tentativa de equacionar baixo peso e alta resistência, a McLaren utilizou pela primeira vez em 1981 um chassi feito de fibra de carbono.

O material virou padrão na F1, mas apenas em 1992, ele chegou às ruas.

Ainda hoje, é restrito a modelos mais caros e exclusivos.

4. Volante multifuncional

Você está dirigindo em uma estrada, curtindo um rock’n’roll e, de repente, começa a tocar aquela música chata da Miley Cyrus que a sua filha colocou no seu MP3 Player. Com um toque em um botão do volante, a música boa volta a tocar e seus ouvidos agradecem.

Volantes multifuncionais surgiram primeiro nos carros de passeio, mas o seu desenvolvimento atingiu o ápice nos carros da F1, nos quais, por meio da peça, é possível controlar diversos parâmetros do carro.

A ideia, entretanto, é a mesma: evitar que motoristas e pilotos precisem tirar as mãos do volante com frequência.

Volante do RB9, o carro de Fórmula 1 da Red Bull
Volante do RB9, o carro de Fórmula 1 da Red Bull

5. Trocas de marchas

Veja esse vídeo onboard de um carro da temporada de 1989 da Fórmula 1 e note que Ayrton Senna tira as mãos do volante para trocar as marchas. Agora, veja um vídeo do mesmo ano do Nigel Mansell e Gerhard Berger no Ferrari 640 e perceba que o piloto fica praticamente o tempo todo com as duas mãos no volante, muito menos esforço.

Mágica? Poderes mentais? Errado: trata-se do já citado acima câmbio automatizado, que utilizava borboletas atrás do volante para executar as trocas.

Virou padrão na categoria e hoje é item visto até em carro popular.

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6. Aerodinâmica

Aqui temos o mesmo conceito utilizado com fins distintos. Enquanto na F1 um carro utiliza as partes aerodinâmicas para ter mais aderência, nas ruas ela é utilizada para vencer  a resistência do ar com mais facilidade e, com isso, ter alguns benefícios, como reduzido consumo de combustível e menor ruído interno.

Em veículos esportivos, a aerodinâmica desempenha papel similar ao da F1 e visa também aumentar a estabilidade em velocidades mais altas.

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Teste de aerodinâmica em vídeo

7. Freios

Mais impressionante do que a aceleração de um carro de Fórmula 1 é a sua força de frenagem.

O sistema de freios de um modelo da categoria usa o mesmo conceito que um carro tradicional. Basicamente, um disco que, pressionado por uma pastilha, reduz a velocidade das rodas e, consequentemente, do carro.

A diferença é que na F1 os discos são feitos de carbono, material que trabalha muito bem em altas temperaturas.

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Já nos carros de rua, os discos são predominantemente feitos de aço.

Em carros esportivos, eles utilizam uma mescla de carbono e cerâmica, que se aproveitam da capacidade de atuação em alta temperatura de um F1. Porém, a diferença é que esse sistema não possui a restrição de operar bem apenas em altas temperaturas, como é o caso da Fórmula 1.

Nesse vídeo, a diferença entre a distância de frenagem de um carro comum e de um F-1 a 193 km/h.

8. Lubrificantes

Se um carro de passeio e um F1 saírem do mesmo ponto em uma espécie de disputa para ver qual chega mais longe em uma reta infinita, certamente o F1 passaria vergonha.

Isso porque a quilometragem de um motor de um carro da categoria raramente ultrapassa mil quilômetros.

E, se há um fator que ajuda a minimizar o desgaste oriundo das altas rotações, são os lubrificantes. Na Fórmula 1 eles exercem um papel essencial em aumentar a vida útil dos caríssimos motores.

Os modelos de rua se beneficiam disso, considerando que as principais fornecedoras de lubrificantes da F1 também atuam no mercado de carros de passeio e frequentemente realizam um intercâmbio de tecnologias.

Se o seu carro passou dos 100 mil quilômetros sem problemas, agradeça à F1.

Veja como funciona o sistema de lubrificação de yn motor de F1.


9. Pneus

Imagine se o pneu do seu carro fosse liso. Loucura, certo?

Mais ou menos: no seco, o desempenho dele seria muito melhor. Já no molhado, a chance de você acertar uma árvore a qualquer momento seria grande.

Na F1, os pneus para pista seca são os chamados slicks. Quando o asfalto molha, entram em cena os sulcados. Antes que você pense em lixar os pneus do seu carro, saiba que eles tendem a ser mais eficientes do que os de competição, especialmente porque eles mesclam características úteis em diversas situações. E onde as fabricantes adquirem “know how” para produzir essas belezinhas? Você acertou.

10. Uso da eletrônica

Um sistema de controle de tração consiste em um módulo eletrônico que evita que as rodas girem em falso. Alguns carros já tinham o dispositivo nos anos 1970, porém seu maior desenvolvimento ocorreu entre os anos 1980 e 1990. Curiosamente, no mesmo período os carros da F1, começaram a usar o dispositivo. A ligação não parece óbvia?

O mesmo vale para a suspensão ativa, item que equipou a Williams de 1992 e 1993 e evitava que o chassi do carro se mexesse em demasia.

Veja as similaridades nesses dois vídeos:

Suspensão ativa na F1.

Suspensão ativa em carros de passeio

Suspensão ativa em uma imagem:

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11. Kers

A sigla KERS significa “Kinetic Energy Recovery System”.

Para encurtar o assunto: é um sistema que utiliza a energia cinética gerada em uma frenagem para auxiliar na aceleração. Essa energia pode ser estocada em forma de energia mecânica ou elétrica. Enquanto na F1 a ideia diz respeito ao desempenho, nas ruas o tema também engloba a eficiência.

Diversas fabricantes realizam estudos com o sistema.

Veja abaixo como funciona:

Link Youtube

Quais similaridades entre carros de Fórmula 1 e esse que tem em casa você conhece? Adicionaria mais alguns itens à lista?

Mecenas: Renault

A Renault foi a construtora campeã da Fórmula 1 pela 12ª vez. Coisas assim não acontecem à toa.

Link Youtube

A tecnologia do motor campeão da Fórmula 1 está nos carros da Renault. Das pistas para as ruas.


publicado em 12 de Dezembro de 2013, 08:58
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Rodrigo Lara

Jornalista especializado em automóveis há quatro anos, mas que se interessa pelo assunto desde quando começou a imitar o ronco dos motores durante sua infância. Não perde uma corrida de Fórmula 1 e, atualmente, se aventura como piloto de kart amador.


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