Dinovembro: por um mundo com dinossauros

Não gosto de cair no clichê da nostalgia barata, de afirmar que os tempos de hoje são menos divertidos e interessantes, que as pessoas estão progressivamente se distanciando da capacidade de imaginar.

Mas, também, não posso negar que observo como nosso olhar está cada vez mais exigente. Nós temos uma ânsia um tanto ranzinza de desvendar mistérios, de apontar na cara dos feiticeiros dos nossos tempos que seus truques não funcionam, que nós conseguimos ver os fios movendo a ilusão.

Também, pudera, estamos nessa época na qual é fácil ter medo da possibilidade de ser enganado. A publicidade, os jornais, a TV e mesmo sites como o PapodeHomem, parecem estar o tempo inteiro movendo cartas rápido demais, a ponto de não sabermos se podemos fechar os olhos e aceitar qualquer explicação. Talvez, seja melhor assim, mesmo. Somos adultos e temos de lidar com a responsabilidade sobre o que aceitamos, absorvemos e tomamos por verdade.

No entanto, será que devemos deixar nossas crianças serem contaminadas por isso cedo demais?

Nós somos um tanto preguiçosos – falo de coração, eu sou um preguiçoso de primeira. Parece bem claro pra mim que nosso entretenimento reflete um pouco disso.

Não queremos pensar depois de um dia inteiro em frente a um computador escrevendo, editando planilhas, depois de uma tarde conversando com pessoas, decidindo rumos. Muito menos depois de horas de trânsito, suor e buzinas. Por isso, se é pra chegar em casa e fazer algo, que isso demande pouco esforço. Que esteja pronto.

O entretenimento que estamos consumindo tem as mesmas características do que estamos levando para as crianças. Isso muitas vezes não permite que elas exerçam a faculdade que está em seu estágio mais vivo nessa fase: a imaginação. A capacidade de acreditar e viver dentro de mundos paralelos, mágicos, fantásticos.

Isso pode ser cultivado, sem tanto esforço. Tenho aqui um exemplo.

Todos os anos, Refe Tuma e sua esposa, dedicam o mês de novembro a convencer seus filhos de que, enquanto dormem, seus dinossauros de brinquedo ganham vida.

É uma brincadeira simples, mas que diverte e estimula. Essa atividade os aproxima, acende a chama de um relacionamento baseado na empatia, pelo lado dos pais, e no desenvolvimento da ludicidade e leveza, por parte das crianças.

A brincadeira acabou ganhando uma fanpage convidando mais pessoas a dar vida aos seus dinossauros durante a noite.

Essa parte da vida na qual é tão fácil para os pais esconder que dinossauros não aprontam travessuras noturnas é bem curta. Logo esse tipo de joguinho não vai mais fazer efeito. Seja pela esperteza natural que se desenvolve e os torna seres tão mal-humorados quanto nós, seja pela sempre presente ameaça daqueles smartphones engatilhados no Google ali em cima da mesa.

Talvez eu ainda esteja longe de ter filhos, mas quando os tiver, espero que eles possam viver em um mundo com dinossauros.

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Dinossauros têm uma banda

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A história começa com os dinossauros roubando cereal

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No dia seguinte, eles atacam a cesta de frutas

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Em seguida, arrombaram a geladeira e comeram os ovos

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"Não deixe papai e mamãe saberem que os dinossauros desenharam na parede"

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"Eles quebraram o vaso favorito da mamãe"

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Papel higiênico é o favorito de cães e dinossauros para uma boa bagunça
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Dinossauros também curtem um banho

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Às vezes, eles só queriam um pouco de diversão
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Nenhum brinquedo está salvo

 


publicado em 16 de Novembro de 2013, 12:59
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Luciano Andolini

Cantor, guitarrista, compositor e editor do PapodeHomem nas horas vagas. Você pode ouvir no Spotify. Também escreve no Medium e em seu blog pessoal. Quer ser seu amigo no Facebook e Instagram.


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