Dói, mas é gostoso: os "Do Amor" preferidos da equipe do PapodeHomem

Chamei as pessoas para me explicarem por que elas gostam da coluna Do Amor

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"Se dói nesse tanto, por que será que as pessoas gostam?".

Sim, mais de uma vez me perguntei isso. De curioso mesmo. A coluna Do Amor surgiu da maneira mais orgânica possível, quando eu precisei criar algo que fosse recorrente no PapodeHomem. Eu escrevia contos aqui desde 2010, "Se faz, se paga", "Não existe maldição na megalópole", "Vendo e compro belezinhas", "A minha primeira vez... com o violão", "A Sonhadora", o "Ensaio sobre a abstinência". Mas faltava exercício, recorrência. O hábito.

Com o "A minha vida amorosa é uma barraca de pastel" (que tá aqui embaixo), Imaginei que poderia fazer crônicas, mais que contos no início, criando relações entre cotidiano e amor. Especialmente comida (tá aí o primeiro Do Amor como prova cabal: "O amor é fome"). Acabou que as histórias foram brincando com esse papo de machucar de leve o que muita gente considera como lindo, o amor, e foi dando onde deu. Sem planejamento ou intuito. 

Aconteceu.

Disso, sempre me deu curiosidade tremenda de saber, se quem gosta e acompanha esses textos quinzenais, dos motivos da coluna ser tão próxima delas. 

Quero saber isso de cada um de vocês também. Qual Do Amor vocês mais gostam ou de identificam e qual a razão de ser. Aqui embaixo, as crônicas e contos escolhidos pela equipe do PapodeHomem.

A minha vida amorosa é uma barraca de pastel | Do Amor #0 (por Ismael dos Anjos)

Meu Do Amor favorito é o do amor que ainda não era Do Amor. Foi na barraca de pastel que descobri que o Jader sabia escrever de um jeito que doía, mas que doía tão gostoso que dava vontade de que doesse de novo quando um texto novo piscasse na tela.

De lá pra cá, o amor que brotou — e ainda não foi parar na sarjeta — foi o amor por ler o que esse sujeito escreve. Vê um de carne e mais um texto, por favor?

O marido viajou e o amigo do trabalho deu em cima | Do Amor #15 (Por bruno Pinho)

O que a Do Amor tem de especial e mais me dá gosto é esse jeito que o Jader leva as histórias.

Pega temas banais, aqueles que podemos ou já vivemos em nossas rotinas, em nossas relações tão diferentes mas com tanto em comum, coloca dois, três, um sem número de personagens cativantes, tecla daquele jeito gostoso que nos faz soltar um "ai, jader, como cê é bobo" e, só pra contrariar o comum, dar um remelexo em nossa mania de querer desvendar o final e chamar o autor de previsível, faz uma reviravolta que só deixa a narrativa mais interessante.

E essa Do Amor, lá do "comecim", acho que resume bem o espírito deste trem bão. 

A nossa vida amorosa é uma padaria que fecha | Do Amor #37 (por Breno França)

Eu devo dizer que já acompanho a Do Amor há algum tempo.

Já deu quase um ano e meio de PapodeHomem e, portanto, de contato direto com a série, mas nunca me conectei tanto a um texto quanto ao "Nossa vida amorosa é uma padaria que fecha", em grande parte porque foi a primeira vez eu vi todas as etapas do processo de produção do texto tão de perto, mas principalmente porque essa proximidade fez com que a minha brisa pessoal estivesse ali tão bem retratada nas palavras do Jader.

E que palavras. No final, a gente termina o texto quase como que se perguntando: a gente quer um sonho ou um pingado hoje?

O amor obsessivo compulsivo | Do Amor #30 (por Carol Rocha)

Sem querer ser diferentona nem nada, mas o Do Amor que eu mais gosto é um que fugiu ao padrão de contos e crônicas que o Jader segue.

E o que mudou foi realmente o formato, porque a costumeira facada no coração continuou na alma do negócio. Foi o trigésimo da série, e contou a relação de um cara com TOC diante de uma daquelas paixões avassaladoras que só passam pela nossa vida uma ou duas vezes. "Ela amava que eu tinha que beijá-la dezesseis vezes pra dar tchau, ou vinte e quatro, se fosse uma quarta-feira". O transtorno do moço tornou aquela uma relação obsessiva pelos detalhes, mas a intensidade do sentimento que ele carrega consigo é universal e profunda.

Tão profunda que decodifica tudo aquilo que a coluna do Jader significa pra mim: a perfeição do amor potente está no fato dele ser torto, falho e único.

"Cara, hoje eu quero dar o cu" | Do Amor #25 (por Luciano Ribeiro)

Uma das brincadeiras que temos por aqui é inventar pautas absurdas e ficar imaginando a repercussão louca que teria e como aquilo mexeria com os nervos dos mais conservadores. Sabe, aquele cara que se apressa em olhar algo e pensar "meu, isso não é coisa de homem"? 

Esse foi um dos textos que a gente, numa dessas brincadeiras, a caminho da padaria ou do almoço, acabou pensando. Ri pra cá, ri pra lá e, de repente, sem nenhum resquício de polimento nessa cara de pau dele, o Jader veio com o texto pronto. "Tá aqui."

Acho que nunca ri tanto na minha vida. Hoje, é um dos textos da coluna que mais gosto. 

Transtorno de relacionamento pós-traumas | Do Amor #36 (por Guilherme Valadares)

Esse Do amor me fisga da primeira tecla à última letra. Pelo modo como Jader consegue dedilhar a neurose que se dá entre o não dito, um par de silêncios e uma fala abrupta qualquer, que parece ter vindo "do nada". Nunca coisa alguma vem do nada. Vem dos recantos mais escuros e maravilhosos de nossas fantasias.

E tudo bem. Entender isso é a chave mágica pra fazer o feitiço perder sua força de nos carregar junto na loucura. Quer dizer, às vezes fazer isso. Porque em tantas outras, o mágico, a cartola e o palco inteiro vão abaixo. 

Deviam nos ensinar na escola sobre o TRPT — Transtorno do Relacionamento Pós-Trauma —, isso sim.

Amar e dar gargalhadas | Do Amor #2 (por Rodrigo Cambiaghi)

Esse texto tem uma malícia que eu adoro. Ele brinca com a nossa insegurança.

Se passa bem naquela fase gostosa do relacionamento que vocês estão saindo há um tempinho, se gostam, mas não sabem bem do que chamar esse lance que tem. No meio do texto, o Jader coloca uma pulguinha atrás da nossa orelha, que vai ficando um incômodo cada vez maior a medida que a narrativa avança.

E depois que você ler, da uma passada nos comentários. veja se você se identifica com a maioria de lá sentiu.

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publicado em 10 de Março de 2017, 00:10
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Jader Pires

É escritor e colunista do Papo de Homem. Escreve, a cada quinze dias, a coluna Do Amor. Tem dois livros publicados, o livro Do Amor e o Ela Prefere as Uvas Verdes, além de escrever histórias de verdade no Cartas de Amor, em que ele escreve um conto exclusivo pra você.


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