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E se falássemos de dinheiro como falamos de futebol?

Campeonato paulista, carioca, inglês, alemão e espanhol, além da tabela do campeonato dos prédios do bairro. Sabemos tudo. Escalações completas, melhores lances. Temos opinião formada sobre a rodada do final de semana e sabemos, inclusive, que fulano não jogará porque está com uma inflamação no ciático. Mas o médico disse que em dois meses ele volta, graças a Deus!

Fico impressionado com a capacidade que temos de aprender coisas e absorver fatos. O mais interessante é que ninguém monta um plano de estudos sobre o futebol. Ninguém pára num domingo à noite e faz o planejamento de quais subtemas serão explorados naquela semana, quais livros serão comprados, quais sites serão visitados, quem entrevistarão, quando farão brainstorming ou grupo de estudos. Incorporamos o futebol no dia a dia.

O processo de aprendizagem é natural e se sustenta sem esforço: passo pelo porteiro e ele manda um “opa, seu Eduardo. E teu Corinthians, hein?”. Eu, que nem sabia que o Corinthians tinha jogado, mantenho a tradição e sempre respondo com um “Opa, seu Cícero. Agora eu boto fé que vai!”. E seguimos.

A questão é que o conhecimento se mantém atualizado e presente porque temos uma rede que fomenta o futebol.

Conhecimento que vem sem dor

Troque o futebol por qualquer outro assunto que você tenha um bom conhecimento. Pode ser cinema, Formula 1, Apple, tanto faz. Incorporamos a área de interesse na nossa rotina, comentamos dela com amigos, recebemos newsletter, adicionamos sites nos favoritos e, quando notamos, estar por dentro assunto e torcer para que ele pipoque numa mesa de bar parece algo lógico.

Não precisa tanto entusiasmo

Fazemos com que o assunto esteja sempre presente, sem que precisemos de uma sala de aula para isso. O processo cognitivo simplesmente flui.

Lembro da época de primário. Enquanto os meninos corriam feito malucos pelo pátio, as meninas – já mais maduras – ficavam trocando referências, encartes, textos, CDs, revistas, cadernos com letras de música etc.

Consigo lembrar de várias delas que logo nos primeiros anos do colegial dominavam muito bem o inglês, por exemplo, mesmo sem nunca terem feito um curso especializado. Aprendiam escutando música e assistindo programas de TV a cabo. Foi como se elas tivessem se cercado de um mundo que favorecia esse aprendizado. Você abre espaço e a coisa acontece, sem afobação.

O tabu do dinheiro

Falar sobre dinheiro é tabu. Não sai natural, sempre escapa algum exagero sobre o salário de um, uma redução sobre o salário de outro, uma rentabilidade mágica que alguém conseguiu num investimento sem risco, e por aí vai.

E se nós conseguíssemos trazer o dinheiro pra perto? E se fosse natural receber um email de um amigo, comentando que conseguiu fazer o dinheiro sobrar em determinado mês, ou que está estudando sobre como determinado banco de investimento consegue um fundo que performe tão bem? Todo mundo tem a ganhar.

Não precisamos pendurar uma placa no peito, com o logotipo do nosso banco do coração e o saldo da nossa conta, mas seria incrível se mais pessoas soubessem que você pode ligar para seu gerente e pedir que ele tente abonar a tarifa absurda do DOC. Ou então que utilizar o cartão de crédito é algo incrivelmente rentável para a empresa que o administra, logo, você pode sim reclamar da anuidade imensa que paga. Eles sobreviverão sem ela.

Aqui poderiam aparecer inúmeros exemplos. Alguns que já fazem parte do meu (e do seu) conhecimento, e outros que viriam de algum lugar, de alguém da sua rede, que já tinha esse conhecimento há tempos, mas que não fazia ideia do quanto você poderia se beneficiar com isso.

Show me the money

É bem importante esses primeiros passos sejam leves, caso contrário corremos o risco de capotar logo na primeira semana. É parecido com regime. Se a dieta é utópica e rígida demais, no primeiro dia mau humorado mandamos a dieta embora e ao invés de comer um chocolate comemos meio pote de sorvete. Entra culpa, frustração, sentimento de impotência, tudo junto.

Vale começar devagar. Um exemplo simples que pode funcionar: abra a seção de economia de um jornal qualquer e leia uma notícia que chame sua atenção. Abri esta, que fala um pouco sobre o preço médio de um tênis no Brasil, em comparação ao preço médio de um tênis na Suíça.

Procure ultrapassar as interpretações mais comuns. Ao invés de simplesmente aceitar que o tênis custa a mesma coisa no Brasil e na Suíça e ficar impressionado com isso, poderíamos, por exemplo, sacar que o salário mínimo anual do brasileiro é de 4445 dólares. Já o do suíço é de 15511 dólares. Três vezes mais salário, para adquirir um tênis pelo mesmo valor. A notícia já ganhou outra cara.

Envie a notícia que você leu para alguns amigos. É como se nossa ação liberasse o outro para agir também.

Boas fontes e referências

Fica bem mais fácil ter o que compartilhar quando nos cercamos de bom conteúdo.

Deixo algumas sugestões que não ficam tão grudadas na educação financeira tradicional:

1. Livro Como se preocupar menos com dinheiro, do John Armstrong: Direto na veia, bate de frente nas questões que usualmente ficam escondidas, mal perguntadas e parcamente respondidas. Sem clichês, aborda relação entre dinheiro e felicidade, além de apontar conexões nada usuais entre nosso comportamento financeiro e a formação da nossa personalidade.

2. Blog Mr. Money MustacheO cara é meio maluco. É meio drástico, prega um vida frugal e minimalista, mas tem vários pontos muito bem embasados e abordados de maneira bem original. Muitas vezes ele foca na realidade americana (blog em inglês, inclusive), mas tem muita coisa que conseguimos adaptar facilmente. Ele criou um alter-ego (!?), providencialmente chamado de “Realista”, que serve para dar um esporro nele próprio, quando as aspirações minimalistas ficam pesadas demais.

3. Vídeo: E se o dinheiro não existisse?

Link Youtube

Reflexão breve, sobre como a vida seria se ganhar dinheiro não fosse um objetivo tão forte. Bem comum ficarmos com um sentimento ruim relacionado ao dinheiro depois de assistir ao vídeo, como se ganhá-lo fosse algo fútil.

É uma reação meio que automática, mas que pode servir de base para outras questões, menos óbvias. Por exemplo, tendo um bom planejamento e nos relacionando bem com o dinheiro, não precisaríamos nos preocupar tanto em ganhá-lo. Poderíamos focar nas atividades que amamos fazer, e que provavelmente fazemos bem. Será que fazer bem o que amamos fazer não aumenta drasticamente a nossa probabilidade de ganhar dinheiro?

Para quem quiser saber mais, um convite

No dia 13/04, faremos uma roda sobre dinheiro. É um pequeno evento, informal, contendo um pouco do que já abordamos por aqui. Desde a maneira com que podemos direcionar o dinheiro para que ele sirva de base para o que desejamos, até um papo sobre investimentos, passando por erros comuns, primeiros passos, diversificação de investimentos, e por aí vai. A ideia é ampliar a rede.

Quem já mexe com derivativos e passou o dia pensando numa borboleta com opções da Petrobrás é bem-vindo. Quem não faz ideia do que a frase anterior quis dizer também.

Data: 13/04

Horário: 10h até a 1h

Investimento: 30 reais (valor do aluguel da sala, somado a alguns comes e bebes)

Local: Av. Paulista, 726

Increva-se aqui.

Quer colocar isso em prática?

Para quem está cansado de apenas ler, entender e compartilhar sabedorias que não sabemos como praticar, criamos o lugar: um espaço online para pessoas dispostas a fazer o trabalho (diário, paciente e às vezes sujo) da transformação.

veja como entrar e participar →


publicado em 14 de Março de 2013, 13:16
Eduardoamuri

Eduardo Amuri

Autor do livro Dinheiro Sem Medo. Se interessa por nossa relação com o dinheiro e busca entender como a inteligência financeira pode ser utilizada para transformar nossas vidas. Além dos projetos relacionados à finanças, cuida também da gestão dO lugar.


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