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Escrever é… antes de tudo, uma doação

É tão fácil esquecer disso, mas escrever é, antes de tudo, um ato de doação.

Não pode ser completamente egoísta aquele escreve. Pois houve, antes de ser lido, o momento de cuidadosa escolha das palavras – que jamais seriam escolhidas apenas para si. Quem escreve já tem as palavras que precisa. É para outra pessoa que elas são escritas.

Alguns textos são escritos como doações particulares de um sentimento sob medida para uma pessoa em específico. Estes só dizem respeito a quem escreve e à pessoa única que lerá, mas ainda assim, e talvez até mais que os outros, são doações.

escrever

Ainda mais do que a serviço de quem o lerá, quem escreve faz isso a serviço de alguma ideia. Uma mensagem, uma realidade que, através daquelas palavras, será doada e entregue de um modo bastante pessoal para a mente de uma ou várias outras pessoas. (Mais ainda é exigido da generosidade e da responsabilidade de quem escreve para um grande público.)

É tão fácil esquecer disso, mas quem escreveu este texto na verdade doou a oportunidade para que outras pessoas olhassem para as suas vidas e identificassem seus heróis. Quem escreveu este texto quis doar uma noite divertida entre amigos. Este texto é uma potencial doação de saúde, enquanto com este foi feita uma doação de uma possível expansão da consciência de algum leitor. Sei de ao menos uma pessoa que recebeu, através deste texto, a doação de tranquilidade e ânimo renovados para um novo semestre de faculdade.

Recentemente, recebemos um email da leitora e professora Sonia Villarinho, contando que os professores da escola onde ela trabalha frequentemente usam textos do PapodeHomem como ferramentas de debate em sala de aula. Ela contou sobre um dia em especial no qual organizou-se um grande debate sobre arte entre os alunos, após leitura do texto "Queimar a arte para salvar a arte", do Alex Castro.

O texto oferecido -- doado -- por nós foi recebido pelas mãos desses professores, a sua visão foi oferecida de volta aos alunos. Foi proposto que eles se posicionassem a respeito da ideia central do texto, depois justificassem a sua posição. Ao final da aula, segundo Sonia, graças ao debate, quatro alunos mudaram de opinião.

Quatro seres humanos consideraram ideias diferentes das suas.

PdH em sala de aulaPdH em sala de aula

PdH em sala de aula
PdH em sala de aula: da exposição ao debate

Pode parecer pouco, mas não é. E o relato da Sonia foi, em si, uma doação para nós. De energia, de vigor, de ainda mais vontade de fazer melhor.

Cada texto é, então, no menor dos mínimos, uma doação de tempo. Eu posso delirar que estou aqui trabalhando – e eu até posso estar fazendo isso quando respondo algum email, redijo algum documento interno, participo de alguma reunião com o departamento comercial –, mas, quando abro o editor de texto e começo a colocar uma palavra depois da outra e uma vírgula ou ponto no meio de algumas delas, eu estou na verdade doando algo para alguém. Sempre. Mesmo que às vezes seja tão fácil esquecer disso.


publicado em 26 de Agosto de 2012, 11:42
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Fabio Bracht

Toca guitarra e bateria, respira música, já mochilou pela Europa, conhece todos os memes, idolatra Jack White. Segue sendo um aprendiz de cara legal.\r\n\r\n[Facebook | Twitter]


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