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Estaria o Bob Esponja transformando o cérebro das nossas crianças em geleia?

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Como qualquer um que lê os jornais sabe, vivemos numa era em que a ciência toma rumos cada vez mais instigantes e inesperados, indo tanto em direções que nós esperávamos (como o LHC), teorias astronômicas sobre universos paralelos e pesquisas sobre células-tronco até o queijo em spray, as vacas que afetam a camada de ozônio e aquela lamentável história dos patos homossexuais necrófilos que fez com que nenhum de nós conseguisse olhar do mesmo jeito para uma lagoa e que eu sinceramente sabia que não devia ter lido assim que topei com o título.

Ouvi dizer que falta pouco, bem pouco, para produzirem o primeiro Delorean que efetivamente viaja no tempo

E a mais nova descoberta científica a vir à tona nas últimas semanas foi a notícia de que os desenhos do Bob Esponja estariam tornando nossas crianças mais bobas, mais lentas e menos capazes de desenvolver pensamentos complexos e atividades que exigem foco e imaginação, devido a velocidade das imagens.

Ou seja, Bob Esponja faz mal e, ao contrário do que nós sempre pensamos, não é apenas por causa das péssimas imitações que nós adultos fazemos dos personagens e que provavelmente estão sequelando nossos sobrinhos e irmãozinhos pra sempre (“oláááá, Patriiiickiiiiii”).

Mas ainda que conversando com minha namorada – que lida com essa área e conhece mais do processo científico do que eu, cuja grande ligação atual com a ciência é ter baixado aquele joguinho “alchemy” no meu celular – eu tenha entendido que a pesquisa não apenas falha em termos de período de análise como também em proporção de amostragem, tendo provavelmente nem usado crianças de verdade e sim apenas anões oportunistas, esse tipo de informação traz uma discussão das mais interessantes: o que nossas crianças estão vendo?

Afinal, boa parte de nós é de gerações anteriores e teve sua infância ali pelas décadas de 80 e 90, quando a televisão tinha bem menos canais, a internet rodava com bem menos velocidade e desenhos animados ocupavam faixas de programação e não redes inteiras.

Portanto, ainda que alguns de nós tenhamos incentivado involuntariamente relações incestuosas querendo que a She-Ra ficasse com o He-Man ou crescido com um certo fetiche em colegiais japonesas por causa das Sailor Moon, é correto dizer que crescemos num ambiente televisivo relativamente tranquilo e inocente. Ou não?

Porque vamos lá. Nós tínhamos, em outras épocas, os Trapalhões - que não eram exatamente o auge do politicamente correto e dos bons exemplos, a não ser que a cachaça seja um elemento importante da alimentação infantil e eu que não fui avisado -, tínhamos a Banheira do Gugu, tínhamos aquelas gurias dançando dentro de taças e, se você voltar no tempo, tínhamos até as chacretes. Tudo isso ali, na tv, em horário comercial, enquanto todo mundo estava na sala, na hora do almoço, provavelmente. E não existiam pesquisas, não existiam análises, quase não existia a discussão. Mas podemos tirar conclusões daí?

Mussum: malandro, cachaceiro, pinguço e exemplo pra criançada das gerações anteriores

Isso porque, se por um lado, sempre dá pra culpar a “patrulha do politicamente correto” e dizer que não tem nada demais, as pessoas se preocupam muito. "É apenas um desenho". Por outro lado, é de se pensar que hoje talvez estejamos mais preparados pra certas análises, pra certas discussões, e mais dispostos a abordar temas que há dez ou vinte anos seriam apenas deixados de lado.

Dizer que Bob Esponja está deixando as crianças mais burras é uma bobagem? Muito provavelmente. Mas era realmente sadio o tipo de estereótipo e de imagem que alguns programas de televisão passavam pra nós quando éramos crianças? Bem, muito provavelmente não.

Ao que parece, hoje vivemos num mundo de crianças mais rápidas, mais espertas, mais maduras do que nós fomos nessas décadas anteriores, mas que nem por isso são menos crianças. Então, como pais, irmãos, tios - ou apenas como “aquele cara que tá saindo com a sua irmã e vai te dar 10 reais se você não falar nada pro seu pai” –, é nossa obrigação tentar, ao mesmo tempo que proteger e cuidar, também saber estimular e incitar.

Temos desafios que nossos pais e tios não tinham, desde saber qual idade é a certa pra qual jogo de videogame até qual a época correta pra ter internet no quarto, passando por quanta privacidade se pode ter em redes sociais e como reagir quando a sua irmãzinha começa a querer colocar fotos de top no Facebook. Ou seja, sério, vai ser muito complicado criar essas crianças que vão nascer daqui pra frente. Melhor já irmos praticando mais essa coisa da imitação de Bob Esponja.

Link YouTube | Derreter cérebro? Isso aqui é genialidade pura!


publicado em 26 de Setembro de 2011, 05:08
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João Baldi Jr.

João Baldi Jr. é jornalista, roteirista iniciante e o cara que separa as brigas da turma do deixa disso. Gosta de pão de queijo, futebol, comédia romântica. Não gosta de falsidade, gente que fica parada na porta do metrô, quando molha a barra da calça na poça d'água. Escreve no (www.justwrapped.me/) e discute diariamente os grandes temas - pagode, flamengo, geopolítica contemporânea e modernidade líquida. No Twitter, é o (@joaoluisjr)


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