“Estilos de aprendizagem não existem”

Anotações do vídeo do professor Daniel Willingham, do departamento de psicologia da Universidade de Virginia, EUA

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Vejo muita gente falando sobre teorias de estilos de aprendizagem. São várias. Dia desses, esbarrei com esse vídeo e parei para ouvir o que esse cara, o Daniel Willingham, tinha para dizer. Fiz algumas anotações, que compartilho abaixo.

Se quiser ver o vídeo, aqui vai:

Link YouTube

Minhas anotações

  1. As memórias são armazenadas de formas diferentes (visuais, auditivas, sinestésicas)

2. Algumas pessoas têm memórias de uma ou outra modalidade mais vívidas que outras. Isso implica dizer que, de fato, algumas pessoas são mais visuais, auditivas ou sinestésicas que outras. Mas, calma lá!

3. Willingham narra um experimento que contou com dois tipos de pessoas:

  • 1 visual (em tese, capta melhor as informações de forma visual)
  • 1 auditiva (em tese, capta melhor as informações de forma auditiva)

Foram feitas várias repetições desse experimento para tentar provar que estímulos visuais são melhor aprendidos pela pessoa mais visual e estímulos mais auditivos são melhor aprendidos pela pessoa mais auditiva (oferecendo estímulos em forma de palavras de maneira visual e auditiva), mas os resultados mostraram que isso não é verdade.

4. “Você não aprende o significado das palavras auditivamente”. Palavras são representações de um referente. O que vem pela audição são os componentes auditivos daquela informação (mais grave, mais agudo etc). Isso vale para os outras modalidades.

5. A maior parte do conhecimento que buscamos aprender é baseado em significado. Exemplo: você sabe o que a palavra “ópera” significa. Isso independe de se você soube dessa informação porque assistiu a uma ópera, porque leu a palavra num dicionário ou porque alguém te contou o que é.

6. Mas, e no caso de informações/habilidades/conhecimentos que não são primariamente baseadas em significado (por exemplo, aprender a falar francês com o sotaque nativo)? De fato, é possível dizer que pessoas mais auditivas aprenderiam a reproduzir um sotaque mais facilmente do que pessoas menos auditivas. Mas não é verdade que para pessoas mais auditivas devemos sempre apresentar todas as informações de maneira auditiva, porque certas informações simplesmente precisam ser apresentadas de uma certa maneira (por exemplo, o formato de um país em um mapa é uma informação retida muito melhor se for vista do que se for falada).

7. Razões pelas quais as pessoas geralmente acreditam na teoria dos estilos de aprendizagem (isto é, na conclusão de que devemos manipular as formas de apresentação das informações para as pessoas de acordo com suas modalidades/estilos mais desenvolvidos):

a. Muita gente acredita nisso (o índice chega a 90% numa pesquisa conduzida na Universidade de Virginia) b. Algo próximo da teoria é correto (pessoas de fato têm certas modalidades mais desenvolvidas que outras) c. Se você acredita na teoria, você começa a interpretar diferentes situações como manifestações de que a teoria é correta (exemplo: se você explica a alguém a estrutura de um átomo a partir de uma analogia do sistema solar, é fácil creditar o êxito dessa explicação ao fato de o estudante ser muito visual, mas talvez tenha sido só uma boa metáfora)

Em resumo: estilos de aprendizagem não são assim tão importantes quando se trata de educação, porque a maioria das coisas que aprendemos é baseada em significado. No caso de informações baseadas em determinada modalidade (quer seja o sotaque de um idioma ou o formato de um país num mapa), todos devem ser apresentados a elas naquela modalidade.

Daniel Willingham finaliza dizendo:

“Um bom ensino é um bom ensino, e professores não precisam ajustar seu ensino aos estilos individuais de aprendizado de seus alunos”

Obs.: este artigo foi originalmente publicado no Medium do autor.


publicado em 01 de Novembro de 2017, 00:00
Alex bretas

Alex Bretas

Cofundador da Multiversidade, uma universidade para autodidatas, fundador do projeto de investigação independente Educação Fora da Caixa e autor de dois livros na área de educação autônoma. Pode ser encontrado aqui.


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