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Eu não vejo mais heróis

Ouço falar e leio sobre vampiro tímido, pirata covarde, menino bruxo e personagens desenhados por japoneses. Apresentam-se como heróis.

Herói meu ovo.

Pois, senhores, eu vi heróis.

Vi Frank Dux quebrar o último tijolo da pilha, o recorde de Chong Li e ser campeão do Kumite.

Vi Steven Seagal quebrar 47 dentes com uma bola de sinuca.

Vi Stallone Cobra resolver um sequestro sem derrubar o palito da boca e chamar o bandido de cocô.

Vi Lincoln Falcão dizer que o mundo não para de girar. Quando você quer algo, tem que pegar – seja lá o que isso signifique.

Vi Conan derrubar camelo no soco.

Vi o Rambo fazer trovoar ao dizer que voltaria para pegar o Murdock. E vi ele pegar.

Vi também a maior cena do cinema: John Matrix carregando uma árvore. Algo tão poderoso que podemos assistir Comando Para Matar completo no Youtube:

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É claro que os heróis do passado sempre serão melhores que os do presente. Meu pai dizia isso sobre John Wayne. Opinião considerável. Hoje, a discussão tem outro nível. Como comparar o Sargento Riggs deslocando o ombro para conseguir uns trocados com [insira o nome do herói do seu sobrinho de 14 anos aqui].

Pra que armas, se hoje é tudo poção mágica? Pra que soco, se hoje tudo é fantasia? Pra que roundhouse kick, se hoje tudo é definido numa partida de quadribol?

Não sei quem onde isso vai parar. Não vejo heróis que fazem jus ao termo designado ao personagem que situa na posição intermédia entre os deuses e os homens.

Ou, sei lá. Talvez eu não tenha mais os olhos mágicos de criança.


publicado em 03 de Agosto de 2011, 07:29
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Fred Fagundes

Fred Fagundes é gremista, gaúcho e bagual reprodutor. Já foi office boy, operador de CPD e diagramador de jornal. Considera futebol cultura. É maragato, jornalista e dono das melhores vagas em estacionamentos. Autor do "Top10Basf". Twitter: @fagundes.


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