Felipe De Vas não me deixa mentir: assistir um show é a melhor forma de conhecer um artista | Eu ouvi pra você #26

Tocar, dá pra dizer, você consegue relativamente fácil. Mas entreter é uma arte para poucos.

Eu acho que já comentei por aqui, mas eu acredito que a melhor forma de conhecer um artista é indo ao show.

É por meio de uma apresentação que a gente acaba conhecendo, verdadeiramente, com qual tipo de artista estamos lidando. Ali, é bem mais difícil ser enganado, já que é só você, o público e o músico/banda em questão. Salvo exceções nas quais, por algum motivo, o som esteja terrível ou tenha acontecido alguma dificuldade técnica bizarra, não há interferências. Não é como uma gravação feita em estúdio, na qual todo tipo de bruxaria pode ser feita pra melhorar a qualidade da música e deixá-la mais interessante.

Quando você está ali, o som alto, a performance, a habilidade de comunicação e, claro, as composições em si, estão no melhor contexto para gerar conexão.

Aliás, até mesmo o erro ou uma condição pouco favorável pode acabar se tornando insumo pra que, enfim, o público e artista possam entrar em sintonia.

É importante enfatizar, tocar em público não é uma tarefa das mais fáceis. Caso seja ruim, acredite, ninguém vai ter pena de você. É preciso uma grande cara de pau pra se colocar na frente de um monte de gente pra cantar. Além disso, as condições que fazem uma apresentação gostosa são muito frágeis. Qualquer segundo a mais de silêncio é o suficiente pra perder as pessoas. Um saiu, um monte de gente sai junto. Demonstrou falta de confiança? Já era, todo mundo viu. Tudo o que você pensa e sente fica ali, escancarado. 

Tocar, até digo, você consegue relativamente fácil. Mas entreter é uma arte para poucos.

O Felipe De Vas me impressionou nesse exato ponto.

Na ocasião da última festa que fizemos para arrecadar agasalhos aqui no PapodeHomem, ele foi uma das atrações. Tocou depois do Guaiamum, que fez uma ótima apresentação, todo mundo sentadinho, prestando atenção. Foi bem legal.

Terminado o Guaiamum, as pessoas foram ao banheiro, descobriram a barraquinha de comidas e bebidas da mãe do Rodrigo Cambiaghi, começaram a conversar, tudo muito legal. 

Assim, o Felipe se viu na obrigação de começar o show com pouca gente na sala. 

Isso é um pesadelo! Quando tem pouca gente, as pessoas se sentem constrangidas, elas se enxergam, se ouvem, prestam muito mais atenção em qualquer coisa que aconteça. É algo muito próximo de estar em uma sala de espera pra ser atendido pelo médico. Qualquer coisa menos divertido. Péssima condição para se começar um show.

Mas ele começou. Tocou uma, duas, três. De repente, tentou quebrar o gelo com uma piada. Depois, foi fazendo mais piadas, até o show tomar ares de comédia stand up. Eduardo Amuri, nosso diretor financeiro, não se continha. Todo mundo começou a rir junto.

De repente, o Felipe De Vas sentiu a abertura e aumentou o nível da cara de pau. Mandou o povo levantar, ensinou o refrão da música e o show foi outro daí pra frente.

Paguei pau.

(Nota: tem vídeo de um trecho disso, feito pelo próprio Amuri e sua empolgação com o momento)

Assim, compartilho com vocês o disco do rapaz, recém lançado, mas não sem fazer a recomendação: vão ao show.

O disco, chamado Gravidade, é bom, mas é no show que vocês vão saber o por quê realmente vale a pena ouvir. É pra rir, cantar junto e achar a vida legal demais.

Gravidade (2016)

Link Soundcloud


publicado em 29 de Junho de 2016, 19:33
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Luciano Ribeiro

Cantor, guitarrista, compositor e editor do PapodeHomem nas horas vagas. Você pode ouvir no Spotify. Também escreve no Medium e em seu blog pessoal. Quer ser seu amigo no Instagram.


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