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Fernando Dall'Acqua, 29, baterista (fotógrafo e atirador) - Parte 1

O cara é atirador, fotógrafo e baterista. E nada disso é seu full time job.

Com baquetas (toca nas bandas Vacine e Hexafônicos) explora ciclos polirrítmicos e compassos pouco convencionais (odd times), como 7/8. Com a câmera, trabalha em casamentos e eventos. Com suas armas, pratica tiro ao alvo por esporte.

Nosso papo com Fernando Dall'Acqua foi longo, por isso dividimos em 2 partes. Todas as fotos utilizadas são dele. Enjoy.

Fernando Dall'Acqua com um de seus brinquedinhos em mãos

1. Qual sua história? Fale um pouco da sua formação...

Sou libriano, nascido no dia 23 de setembro de 1980 em Joinville, Santa Catarina. Concluí o ensino fundamental e médio no colégio Elias Moreira. Me formei em Sistemas de Informação pela Univille e sou pós-graduado em Marketing pela FAE.

Comecei trabalhando como estagiário no SINE atendendo pessoas à procura de trabalho. Pouco tempo depois consegui um emprego na área de TI da Polícia Federal. No total foram cinco anos e meio neste área de TI, onde nos últimos dois viajei boa parte do país prestando serviços para a PF. Rodei pelos estados de São Paulo, Pará, Amazonas, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Bahia, Paraná e aqui em Santa Catarina.

Como adoro viajar e fotografar, foi um bom período pra mim. Além dos lugares que visitei conheci agentes policiais de diversos países que vinham trabalhar em conjunto com nossa polícia como americanos, israelenses, colombianos e franceses. Tive um crescimento profissional e pessoal sem tamanho nesse período.

Parei de viajar, deixei de trabalhar com a PF e entrei na Totvs, empresa em que estou atualmente.

Durante todo este tempo sempre toquei bateria. Como era comum eu ficar um mês ou mais fora de casa devido aos serviços com a polícia, a bateria acabou ficando um pouco de lado mas não cheguei a parar totalmente. Este ano estou mais ativo do que nunca.

2. Como foi sua iniciação na bateria?

Meu primeiro contato com a bateria foi durante um churrasco de uns amigos dos meus pais. Não recordo se quis tocá-la por curiosidade ou se me chamaram para ver como eu me sairia, só sei que fiz um compasso 4/4 redondinho e todos gostaram.

Alguns anos mais tarde meu irmão (guitarrista e vocalista do Vacine) começou a ensaiar em casa com alguns amigos. A bateria era o som que mais me chamava a atenção, tanto que quando saíam para tomar uma água ou dar um tempo eu já pulava no banquinho e começava a tocar o terror na vizinhança.

Na época o baterista não gostava muito disso por causa do ciúmes que tinha dela. Para evitar que eu tocasse, ele levava junto as baquetas quando saíam. Mas não adiantava porque eu catava um graveto qualquer, quebrava no tamanho de uma baqueta e mandava ver. Claro que para fazer tudo isto eu esperava todos saírem, mas um dia a casa caiu: em vez de pegar um graveto seco, usei um galho verde e no final do solo percebi que tinha deixado a caixa clara toda marcada! Dalí pra frente só comprando meu próprio instrumento...

Outro brinquedinho de Fernando...

Nessa época eu já devia ter meus 12 anos de idade e sabia que era aquilo que queria. Meus pais sempre me apoiaram em tudo e com a música não foi diferente: convenci meu pai a me ajudar a comprar minha primeira bateria.

Passei a tocar com meu irmão no Vacine e com a banda A-77 – a primeira, voltada para o estilo guitar band. A segunda, partindo para um som punk rápido e cru. Fiz aula com uma grande amigo e baterista Mauro Uhlig por cerca de dois anos onde me aprofundei no lado mais técnico do instrumento, principalmente após ter conhecido a banda Dream Theater.

De lá para cá toquei em diversos grupos e fiz diversas participações em projetos musicais. Gosto muito de me relacionar com outras bandas e projetos. Algumas já me convidaram para substituir um baterista que estava machucado ou que não podia tocar por algum motivo particular. Faço isto com o maior prazer, mas preciso curtir o som. Se for um convite para um trabalho rápido e que eu não curta, também faço sem problemas, mas vou cobrar pelo serviço e será unicamente a trabalho e não por gosto.

3. O que você faz atualmente? No que você é realmente bom?

Sou baterista de duas bandas no momento, Vacine e Hexafônicos.

O Vacine, como já disse, é mais voltado para o estilo guitar band/experimental. Toco com meu irmão nela faz cerca de 10 anos e temos duas demos e um CD lançado de forma independente. Pelo tempo que estamos na cena musical joinvilense, temos um público bem fiel.

O Hexafônicos já envolve o lado mais complexo da música. É uma mistura de ritmos brasileiros como baião, samba, maracatu, frevo e afoxé com rock progressivo e é cantado em português. Nossa ideia é valorizar a música brasileira. Trabalhamos compassos compostos e figuras rítmicas pouco utilizadas no som brasileiro, mas que possui uma melodia boa de ser ouvida. Mesclamos compassos compostos como o 7/8 dentro de figuras rítmicas quaternárias. (Alguém compreendeu o que quis dizer?) Resumindo, é um som complexo pra cacete.

Link YouTube | Clipe da música "Maracathrash" - Hexafônicos

Fomos selecionados em três editais da cultura e graças a isto conseguimos lançar um clipe e um CD. Temos ainda em mãos um bom dinheiro para trabalhar a mixagem e masterização do álbum lançado. Haverá uma nova prensagem mais adiante com uma qualidade sonora melhor ainda. Nele constam participações de músicos renomados Brasil afora, como Edu Ardanuy (guitarrista do Dr. Sin) e Endrigo Bettega (baterista independente). Pretendemos conseguir outras como Ed Motta, Marcinho Eiras (guitarrista da banda do Faustão), Lenine e Mozart Mello.

Também estou iniciando um novo projeto com o Chacal, ex-guitarrista e vocalista da banda Flesh Grinder. Curto um som mais pesado como Slayer, Sepultura, Meshuggah, Obituary, Fear Factory, e por isso decidi contatá-lo para o projeto. Estamos jogando as idéias na mesa por enquanto, mas pelas conversas que já rolaram faremos uma mescla de estilos que ambos curtimos.

Outra paixão minha é a fotografia: gosto tanto de tocar bateria quanto de clicar. Sempre tive interesse pela fotografia e por uma sorte do destino, na época em que comecei a trabalhar na PF, meu chefe possuía uma câmera aposentada Pentax K 1000 e um set com diversas lentes. Como todo o equipamento estava com bolor e fungos pedi autorização para mandar limpá-lo, arquei com os custos do serviço e dali em diante passei a praticar esta arte. Faz dois anos que utilizo a fotografia também como profissão cobrindo casamentos e eventos sociais.

Apesar de ter dado um tempo devido a tantos outros compromissos, também pratico tiro ao alvo. Neste período que trabalhei na Polícia Federal pude acompanhar alguns treinamentos de tiro e conhecer melhor o funcionamento de diversas armas incluindo revólveres, pistolas, espingardas, rifles e fuzis.

Após o conhecimento que adquiri a respeito mudei minha visão de que “quem tem armas não é um cidadão de bem”. Pelo menos é o que o Governo demonstra com estas campanhas descabidas de desarmamento e que a maioria da população já provou ser totalmente contra no referendo que houve em 2005. Comprei minhas próprias armas e comecei a prática de tiro. Mas sempre fui um cara da paz, nunca utilizei e espero nunca utilizá-las para outro fim que não seja atirar por esporte. Salvo se houver uma invasão de zumbis na Terra...

4. Conte um pouco do seu cotidiano.

Para cada casamento, são cerca de 1000 fotos. Tem noção?

Trabalho numa empresa de software e com fotografia digital. Por isso passo a maior parte do tempo na frente do computador. Durante o dia atuo como Analista de Suporte na Totvs, multinacional e 8º maior do mundo em softwares de gestão empresarial. Depois das 19h geralmente estou trabalhando nas minhas fotos ou então tocando bateria.

Final de semana o negócio aperta. É comum eu acordar sábado de manhã para ver questões relacionadas a fotografia como impressão e álbuns de casamentos, depois chegar em casa para almoçar e já partir pro ensaio com a banda para em seguida vestir meu terno e me mandar para fotografar um casamento ou evento. Quando cubro um casamento chego cansado em casa, geralmente lá pelas três da manhã depois de ficar de pé por diversas horas com o equipamento no pescoço.

Domingo procuro descansar, mas nem sempre tanto quanto quero. Tenho fotografado bastante casamentos e cada um dá em média mil fotos. São mil fotos que tenho que revisar e selecionar, repassar aos noivos para escolha e tratar as imagens escolhidas para confecção do álbum. Compensa, mas é puxado.

Continua... Leia a segunda parte dessa entrevista, na qual Fernando Dall'Acqua fala como gastou R$ 8.000,00 em uma bike de downhill.


publicado em 24 de Fevereiro de 2010, 20:38
Gustavo gitti julho 2015 200

Gustavo Gitti

Professor de TaKeTiNa, colunista da revista Vida Simples, autor do antigo Não2Não1 e coordenador do lugar. Interessado na transformação pelo ritmo e pelo silêncio. No Twitter, no Instagram e no Facebook. Seu site: www.gustavogitti.com


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