Fernando Dall'Acqua, 29, baterista (fotógrafo e atirador) - Parte 2

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Na primeira parte, Fernando contou de sua formação, seus primeiros dias em cima de uma batera e seu trabalho como fotógrafo. Além do tiro esportivo, agora ele fala de mais um de seus brinquedinhos: uma bike de downhill.

5. Um momento que fez todo o esforço valer a pena

Lançar o CD e o videoclipe do Hexafônicos. Por ser um som complexo e com diversas participações, principalmente na gravação em estúdio, demorou muito mais do que imaginávamos. É aquela sensação de “agora vai, não foi... agora vai... agora vai!”. Estamos recebendo boas críticas e sabendo que estamos no caminho certo.

Em duas semanas no YouTube nosso clipe passou dos 1500 acessos. Para quem esta começando é um número bem expressivo.

Durante a gravação do videoclipe de "Maracathrash"

6. O que acontece nessa profissão que ninguém imagina?

Vou falar da música. O que já entrei pelo cano tocando por aí... Quando você começa a tocar, tudo vale a pena. Qualquer bar ou boteco é palco para se apresentar com a banda. Como ainda não fizemos nenhum show com o Hexafônicos, não rolou nada do tipo (e espero que não role). Porém nas outras que toquei, vixi...

Já ficamos sem cachê (que ficou acertado com o responsável pelo evento), já tivemos o show encerrado pela PM, já tivemos que parar de tocar porque o público fechou o maior quebra pau no show e os caras acabaram caindo em cima dos nossos instrumentos, já toquei sentado embaixo de uma luminária com o fio totalmente descascado (bastava eu me empolgar e levantar os braços pra morrer eletrocutado!)... A lista é grande!

Mas também tenho muitas coisas boas para contar. Conhecer pessoas e lugares diferentes é bom demais. E ter o reconhecimento do público faz tudo isso valer a pena.

"Frevo Roll" | Puta som dos Hexafônicos. Deixe rolando enquanto lê.

7. Quais os erros de outros profissionais que deixam você com vergonha da profissão?

A falta de humildade. Não é difícil encontrar músicos desse tipo. Não digo somente dos bateristas e sim de todos os que envolvem a cena musical. Seja o proprietário do local do show, o cara que regula o som ou integrantes de outras bandas. Já me deparei com pessoas que não mereciam fazer o que fazem. E sei que isto irá acontecer mais vezes porque há pessoas assim em qualquer lugar que se vá.

Engraçado porque ao mesmo tempo que há babacas desse tipo existem pessoas que dão um exemplo. Posso citar o último workshop que fui do Andreas Kisser (guitarrista do Sepultura). O cara foi gente fina pra caramba, conversou com o público, tirou fotos com todos, deu autógrafos e entrevistas e em momento algum se achou o “tal”. São essas as atitudes que valorizo.

Digo exatamente o mesmo quando falo do ramo fotográfico. Se você fizer um serviço bem feito, sempre haverá mercado. Não é necessário difamar ou queimar alguém pelas costas para conseguir um trabalho.

8. Mulher: melhor trabalhar ao lado dela, melhor mantê-la longe ou nenhum dos extremos?

A mulher sempre traz o seu charme que não pode faltar em nenhum lugar, seja ele na fotografia, na música ou em qualquer outra área. Qual músico não gosta de ver uma mulher detonando na bateria ou fazendo um solo na guitarra? Ou ainda dando uns tiros certeiros no alvo!? No mínimo chama a atenção. Eu pelo menos gosto!

9. O que você diria a um leitor que deseja se tornar baterista/fotógrafo/atirador?

Estude, fuce e meta a cara. A Internet está aí e informação tem de rodo. Conheça novas pessoas, pergunte e seja sempre humilde.

Aprenda a valorizar as vitórias obtidas, seja na compra de um bem ou na conquista de uma premiação, mas não deixe que isto o torne indiferente com os outros. Se descobriu que deseja algo, invista em equipamentos de qualidade para ter o melhor resultado possível.

Sempre é bom reencontrar pessoas bacanas e por isto cultive a amizade. Pessoas não muito amigáveis cruzarão o seu caminho e a cordialidade é a melhor maneira para uma convivência sadia.

Ilha do Mel - PR | Veja mais fotos no Flickr do Fernando

10. O que você demorou muito tempo pra aprender e agora pode resumir em poucas palavras?

Seja bom com os outros, mas não ingênuo.

11. Quais são os benefícios que seu trabalho gera para as pessoas próximas e para a sociedade em geral?

Vou focar esta pergunta para o Hexafônicos. Buscamos resgatar o que perdemos há tempos: valorização da nossa nação. A musicalidade do nosso país é riquíssima, mas preferimos ouvir feijão com arroz ou qualquer outra fórmula pronta e sem graça jogada em nossos ouvidos pelo Faustão ou Gugu. O que dizer do nosso funk, se é que podemos chamar assim? A letra é putaria do começo ao fim e achamos tudo muito legal.

Enquanto entupimos nossos ouvidos com esse lixo, nossos governantes roubam, mentem e enchem as meias com dinheiro e ninguém vai preso. Poucos tempo depois tudo volta a ser como sempre foi. E o funk ou qualquer outra “novidade” musical também.

Por isso o Hexafônicos, ao mesmo tempo que mostra o que temos de rico em nosso país, critica suas atitudes. Queremos abrir os olhos das pessoas e falar que aqui é um país com qualidades que outros países não tem e que é possível, sim, mudar essa bagunça toda. Basta termos atitude.

12. Quais seus outros interesses, práticas e habilidades?

Na época em que trabalhei pela PF consegui juntar uma grana legal e comprar uma bike de downhill.

Este é um esporte onde descemos morro abaixo trilhas com diversos obstáculos como pedras, galho, saltos e buracos e ganha quem faz o menor tempo. Depois de ter “abraçado” uma árvore e quase ter quebrado a bacia num tombo, resolvi pegar mais leve no esporte.


Não, não é montagem.

Tenho andado pouco ultimamente porque muitos dos meus amigos que corriam desistiram devido à falta de incentivo (patrocínios). Alguns também devido ao alto valor dos equipamentos e manutenção. Na época investi cerca de 8 mil reais na minha bike, mas tem algumas que custam o dobro da minha. É algo que me faz falta e certamente irei retomar o pedal com mais frequência.

13. Faça uma pergunta para você mesmo. E responda.

–Deseja viver muito?

–Sim. Quero chegar a 90, 100 anos! Quero viver o máximo que puder. Quando eu não puder andar de bike, tocar bateria ou atirar, continuarei fotografando. Quando não puder mais fotografar, continuarei contanto todas as minhas histórias por aí. Quando não puder contar mais histórias, aí sim estará na hora de ir embora :O)

Fernando Dall'Acqua na web:@VACINE | @Hexafonicos | Flickr | MySpace


publicado em 26 de Fevereiro de 2010, 08:53
Gustavo gitti julho 2015 200

Gustavo Gitti

Professor de TaKeTiNa, colunista da revista Vida Simples, autor do antigo Não2Não1 e coordenador do lugar. Interessado na transformação pelo ritmo e pelo silêncio. No Twitter, no Instagram e no Facebook. Seu site: www.gustavogitti.com


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