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FIFA: desbancando a Igreja enquanto entidade supraestatal

Esses dias foi publicado um artigo do colega Tiago Xavier sobre a Copa. O artigo fala sobre a quebra de uma norma da RF com relação ao INSS. Grosso modo, o estrangeiro não está a fim de pagar 20% do salário para o INSS (como acontece normalmente) e o governo não quer pagar essa conta também. Então, de que lado a corda arrebenta?

Como o brasileiro já está acostumado a pagar a conta pela má administração do Estado, não vou me ater a essa questão autoevidente e fundamental da cidadania. Quero falar um pouco de como essa situação reflete um panorama político estranho, que de certa forma nos remete a uma realidade medieval no que tange a política.

Uma coisa é dada. Desde o advento da política moderna lá com Maquiavel, passa a existir a soberania do Estado em face de entidade religiosa. No caso, tínhamos a Igreja que era uma entidade supraestatal. Ou seja, o Estado só mandava até onde não incomodava a Igreja, à partir do momento que a ela tinha algum interesse nos domínios daquele Estado, ela intervia em nome de Deus.

Atualmente, não envolvemos mais Deus nos negócios, but business still business. Modificamos o aparato ideológico e simbológico, inventamos também o marketing e as grandes marcas – grandes deuses da atualidade?

Vamos ao ponto. Onde está a soberania do Estado? As nossas leis são soberanas mesmo? Confrontado por essa realidade da Copa FIFA, – eu evito dizer Copa do Mundo – vemos que a política prática e a teórica soberania não valem de nada quando o capital quer meter a colher. O caso do INSS é apenas um dos inúmeros desmandos que essa entidade internacional causa nas nossas leis pra preservar seus lucros e seu jeito de ver o futebol.

Será que temos que ser nivelados pelo padrão europeu mais uma vez? Será que esse padrão é de fato “europeu” ou é uma invenção das necessidades do capital de nivelar as pessoas? E quem é que lucra de verdade com os investimentos da Copa neste país tropical?

Embora esse tipo de prostituição do Estado pelo capital venha acontecendo há muito tempo, vale a pena colocar em foco a copa FIFA, talvez mexendo com o futebol e nosso modo de amar esse esporte fique mais evidente que política está em tudo. Agora essa parceria público-privado (que é de mão única) está aí há mais tempo que podemos lembrar.

Voltando ao medievalismo, vemos que o que acontecia ontem com a Igreja, praticamente acontece hoje com essas marcas internacionais, sendo estas, as verdadeiras soberanas. Isso acontece muito simplesmente porque a soberania do Estado se baseia em leis e regras morais, que surtem efeito em homens de boa fé e de bom raciocínio, ou seja, em poucos homens. Mas o poder e o temor, que abunda nessas marcas multinacionais, surtem efeito em qualquer homem corrupto, que por sua parte abundam no mundo e nos meios de poder.

A FIFA, como vilão dessa história, manda. Desobedece quem tem juízo. Quem não tem, ganha uma fatia de bolo desse dinheiro e aplaude sentado, porque assistir jogo em pé é coisa de selvagem.


publicado em 18 de Janeiro de 2013, 11:12
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João Gabriel Lima

João Gabriel Lima mora no Rio de Janeiro, cursa Filosofia e estuda religiões comparadas nas horas vagas. Se dedica ao pensamento em tempo integral. Apaixonado por fotografia, música e desenho. Navegador dos devires, desbravador de marasmos. Deseja uma filosofia que emancipe o indivíduo.


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