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Gozar sozinha com a ajuda de alguém | Do Amor #12

Quando sentimos tesão por nós mesmos e tudo dá certo, tudo fica bem gostoso

Acordou satisfeita. Gozara enrolada no lençol na noite anterior, sozinha antes de dormir. Chegou em casa, tomou um banho e, ao passar em frente ao espelho no quarto, ficou se olhando por alguns sengundos, nua. As gotas que não cederam à toalha, as formas do corpo de uma mãe de dois. Deitada, se tocou, se massageou, curtiu tudo o que poderia aproveitar dela mesma e se tremeu toda quando o orgasmo veio, aquele tremelique que dá nas pernas quando o prazer fica incontrolável.

Seu corpo ficava particularmente mais sensível nesses dias quentes de inverno que quebravam a sequência gelada própria da estação. Amanheceu um sol quente, tudo muito bem iluminado, inclusive o sorriso dela. Café da manhã demorado, crianças alimentadas, foi se trocar e o tecido gelado do vestido despertou os poros da barriga, das costas, dos quadris. Sua pele estava alerta.

No trabalho, as mãos se movimentavam na digitação e ela reparava em seus dedos, longos e de unhas pintadas com um azul cintilante muito bem feitas. Eles se mexiam de um jeito a magnetizar a atenção dela. Esfregava um dedo no outro com uma leveza, acariciava as teclas do notebook um carinho sensual, como se estivesse descobrindo com o tato a pelagem felpuda de algum animal exótico. Sabia que qualquer faísca seria o suficiente para passar o dia em chamas.

Tirou os sapatos e roçou os pezinhos no chão e na cadeira. Estava tomada em delícias sensoriais quando percebeu um vulto atrás dela. Era o filho de sua sócia que chegara da escola para almoçar com a mãe e lhe puxara de volta para a realidade. Não que isso estragasse o bom andamento de suas vontades. Na porta, esperava por mãe e filho um amigo do cursinho, um garoto de seus dezoito aninhos que já levava consigo todos os estereótipos dos grandes galãs do cinema. Olhinhos apertados e espertos, de um verde que lembrava algum tipo de chá, aguado e claro. Um sorriso só de canto de boca, a cara quadrada, troncudo e de mãos grandes, fortes. Ela o escaneou em segundos, lembrava dele lá do colégio dos filhos. O viu vez ou duas quando ia deixar as crianças na escola, um tipo que não se deixa de reparar.

E que momento. O garoto foi menos apressado e se moveu na hora certa, apresentando-se para ela e para a mãe do amigo. Deu um beijinho no rosto, disse o nome, sorriu. Sugou todo o ar da sala com aquela coisa, aquele magnetismo juvenil cheio de malícia mal administrada, mas potente pela coragem.

Ela, tentando esboçar os próximos movimentos do decoro social, descruza as pernas - que percebeu estarem se apertando, coxa contra coxa - e se levanta também sorrindo, também o cumprimentando.

- Eu conheço você. Você estuda no São Francisco de Assis, não estuda não?

- Estudo. Você também estuda lá?

Bingo. Impávido, o sorriso quase de escárnio do garoto denunciava que ele sabia muito bem o que estava perguntando e qual intenção tinha nisso. Chamar uma mãe de aluna, colocar aquela mulher de vestido e descalça no mesmo grupo das garotinhas que ainda usavam uniforme ou que ainda estavam decidindo qual vestibular prestar. Sem saber bem como se portar, ela percebeu o perfeito alinhamento das coisas, um moleque subindo os mesmos patamares que ela descia. Iguais, se não fosse o fato de ele estar leve e colocando as mãos nos ombros dela e ela paralisada. O toque descarregou um choque.

Ele foi embora e deixou o estrago na sala.

No dia seguinte, lá estava ela na saída do colégio. Os meninos que faziam cursinho pré-vestibular saíam em horário posterior ao das crianças que cursavam o ginásio. Seus filhos já não estavam por lá quando o jovem passou pelo portão de saída. Vestia calças jeans e uma camiseta branca. O típico galã rebelde. Ela acenou para chamar a sua atenção e ele atravessou a rua até a janela do carro.

Ela baixou mais o vidro para ele a cumprimentar com outro beijinho. Tirou os óculos escuros e respondeu, quando ele perguntou, que não tinha ido lá buscar os filhos não, que estava passando pelas redondezas e lembrou dele.

— Você é lindo e sabe disso, não sabe? Você vai deixar muita menininha louca nessa vida ainda.

Botou novamente os óculos escuros.

— Agora eu preciso ir. Dá aqui um beijo de boa tarde.

O garoto obedeceu como se estivesse hipnotizado. Baixou os lábios e beijou o rosto da mulher, devagar e demorado. Ela fechou o vidro, deu uma buzinadinha e foi embora.

Em casa ela gozou enrolada no lençol, sozinha. Tomou um banho e foi para a frente para do espelho do quarto. Ficou se olhando por muitos minutos, nua. Cheia de gotas de água que lhe caíam pelos braços, as formas do corpo de uma mãe de dois. Deitada, se tocou, se massageou, curtiu tudo o que poderia aproveitar dela mesma e se tremeu toda quando o orgasmo veio, aquele tremelique que dá nas pernas quando o prazer fica incontrolável. Não estava pensando em ninguém que não fosse ela mesma, a atração que sentia por si própria naqueles instantes.

Tirou uma soneca satisfeita no começo da tarde.

O amor, a gente nem precisa dele.

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publicado em 24 de Julho de 2015, 00:00
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Jader Pires

É escritor e colunista do Papo de Homem. Escreve, a cada quinze dias, a coluna Do Amor. Tem dois livros publicados, o livro Do Amor e o Ela Prefere as Uvas Verdes, além de escrever histórias de verdade no Cartas de Amor, em que ele escreve um conto exclusivo pra você.


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