Home Office: cuidados para não sacrificar a saúde

Sem os devidos cuidados, sua alimentação, corpo e mente podem ir pras cucuias

Trabalhar em casa pode ter seus benefícios.

A comodidade, o conforto do lar, a possibilidade de evitar aquelas horas no trânsito, o silêncio e, enfim, a chance que você precisava para atingir aqueles níveis de concentração que tanto sonhava.

É lindo.

Por outro lado, há muitas armadilhas e deslizes possíveis.

Em geral, ouvimos falar de dificuldades que podem minar sua produtividade e atrapalhar seu trabalho. No entanto, apesar de esses serem problemas possíveis, há outros que podem acabar só sendo percebidas quando for tarde demais.

Assim como em escritórios tradicionais, no regime de home office também há pessoas sofrendo por excesso de trabalho/burnout, problemas de postura que se desenvolvem com o passar dos anos, sedentarismo, e também ansiedade e estresse.

Vamos falar sobre como evitar que o trabalho remoto acabe gerando problemas de saúde.

Alimentação

Uma das áreas da vida que primeiro costumam ser afetadas pela estadia em casa é a alimentação. Afinal, é muito fácil pegar o primeiro congelado ou junk food que aparecer pela frente, só pra não ter o trabalho de cozinhar e lavar as louças.

As consequências, claro, todos sabemos. Você fica gordo, indisposto e acaba prejudicando sua saúde.

Nesse caso, é essencial se antever à indisposição e ter alimentos fáceis e rápidos, porém saudáveis.

Segundo a Débora Navarro, alimentos carregados em carboidrato reduzem nossa produtividade, pois impelem nosso organismo a querer, de tempos em tempos, mais glicose, com consequente aumento na insulina. O resultado é fome constante. Então, ainda que pães, bolachas, doces e iogurtes artificiais sejam uma delícia, é melhor evitar.

A dica que ela dá é cercar-se de proteínas, gorduras,  água e chás.

Para os lanches rápidos, iogurte natural com castanhas, amendoins (sem ser light/desnatado/diet) ou quadrados de queijo (de verdade, sem ser light e ou processados).

Para o almoço, vegetais, legumes ou saladas, previamente lavados e picados, o suficiente para uns 4 ou 5 dias. O segredo é deixar tudo já lavado e picado. Você vai precisar de uma meia hora em sua semana. É muito importante que já estejam prontos e acessíveis, para evitar que a preguiça vença. Então, pegue uma tigelona, acrescente muitas folhas e grelhe qualquer carne/peixe/frango da maneira que for mais rápida e conveniente. Pronto, almoço expresso e saudável.

Excesso de trabalho/burnout

Se você está trabalhando em regime remoto, as chances são grandes de que você seja autônomo e, portanto, não usufrua dos benefícios da CLT. O que, basicamente, quer dizer: sem FGTS, 13º e sem férias.

Além disso, a preocupação em não ter sua fonte de renda no mês seguinte pode acabar se tornando um motivo (e dos bons) para se manter trabalhando em excesso, por anos a fio.

As consequências da imposição de estresse excessivo e prolongado ao corpo e à mente costumam vir depois de algum (pouco) tempo. Aumento nos níveis de ansiedade, insônia, irritabilidade, cansaço, dor de cabeça, etc.

Saulo Cardoso, Publicitário, conta como foi pra ele essa experiência:

“Tive alguns problemas de saúde, mais especificamente no coração, palpitações, por conta de estresse. Trabalhei uns 4 anos diretos sem tirar férias, foram 4 anos pingando de trabalho em trabalho e nunca fechava o ciclo de 1 ano pra tirar férias. Aparecia uma oportunidade melhor hoje, amanhã já começava no lugar novo. E a rotina de publicidade já não é nada leve, esticar horários, prazos, levar trabalho pra casa (quando dava) foi sugando até que comecei a sentir umas palpitações no coração.

Fui ao médico, fiz exames e ficou constatado que foi causado por causa de estresse juntamente com o sedentarismo que tava na época. Sempre fui ‘atleta’, jogando ou pedalando e passei por um período longo sem praticar nada porque o tempo não era muito.”

Paula Longo, auditora independente, também tem um relato sobre ficar sem férias.

“Estou há cerca de 8 anos sem tirar férias. No meu ramo de atuação, temos uma sazonalidade muito forte, então, de janeiro a abril, eu trabalho 12 ou 14 horas por dia. No resto do ano, as 8 horas normais são suficientes.

Há alguns anos comecei a sofrer de enxaqueca (provocada pela tensão). Atualmente, além da enxaqueca, convivo com alguns ataques de ansiedade e (raros) ataques de pânico, estou há cerca de 3 meses gripada, tenho dores no corpo e durmo mal. Mas eu amo meu trabalho…”

Pra não cair nessa armadilha, é importante saber a hora de parar. Não é legal trabalhar até o limite do cansaço da mente e do corpo. Ou seja, estipular o seu expediente, ou uma meta de produção pode colocar um freio nas horas ininterruptas de trabalho.

Na esfera diária, também pode ser interessante ter intervalos claros, como um horário para as refeições, pausas para descansar ou um método de controle de tempo, como o Pomodoro.

Além disso, pode ser útil colocar no seu planejamento financeiro uma reserva para férias. Assim, você junta o dinheiro em uma conta que vai se tornar o seu benefício em um ano e vai permitir que você se ausente o tempo que for necessário.

Socializar é importante

Já vi alguns textos falando para sair e ver pessoas como uma forma de manter suas habilidades sociais intactas. Sinceramente, não me apetece essa visão instrumentalista das relações.

Mas sei que é fácil ficar dentro de casa e começar a ter um apego ao isolamento e se sentir incomodado quando qualquer pessoa se aproxima e ameaça a sua pretensa paz. Então, com o tempo, você vai ficando cada vez mais bicho do mato. O que é ok, se for uma decisão voluntária. O problema é que isso pode ir acontecendo e você nem perceber.

Além disso, estar em contato com outras pessoas pode ser uma boa forma de escapar da bolha do trabalho e relaxar.

Somos humanos, você sabe.

Iluminação, ventilação e limpeza

A menos que algo esteja muito errado, é raro vermos as pessoas se preocupando com esses três itens. Iluminação e ventilação, em especial, só costumam virar objeto de atenção se você estiver trancado em um container.

Mas a verdade é que esses aspectos do espaço onde você está fazem toda diferença e podem prejudicar sua performance e gerar problemas de saúde.

Uma iluminação ruim pode afetar sua visão ou, como aconteceu com o Gus Fune, da Epic Awesome, a falta de luz do sol pode gerar ausência de vitamina D e conduzir a uma depressão.

“No começo do ano começou uma obra na fachada do meu prédio que, basicamente, tapou todas as janelas de casa por alguns meses. Em meados de agosto fiz um exame de rotina e minhas taxas de vitamina D estavam extremamente baixas, na casa de 10 (unidade usada), sendo que menos de 30 já é considerado abaixo do ideal.

Junto disso às vezes dormia mais de 16h seguidas, tinha falta de disposição e alguns comportamentos que poderiam ser diagnosticados como depressão, que é uma possível consequência fisiológica da falta dessa vitamina.

Desde então, mudei meus hábitos pra me forçar a sair de casa, pegar alguns minutos de sol todo dia e garantir que isso não ocorra novamente. Fiquei mais de um mês tomando medicação para regularizar os níveis de vitamina. Foi uma fase complicada, mas serviu pra me alertar sobre a importância de se cuidar, ainda mais em uma rotina de trabalho em que não é necessário sair de casa.”

Falta de ventilação, ar condicionados sem manutenção e limpeza precária também podem conduzir a doenças respiratórias e alergias.

Ou seja, ao ficar em casa, nada de desleixar de vez do espaço e deixar a poeira acumular.

Problemas de postura

Ergonomia e postura são questões maiores.

É bem provável que você vá, literalmente, passar a maior parte do seu dia, semanas e meses a fio, sentado em frente a um computador. Por isso, não tenha pena de comprar a melhor cadeira que o seu orçamento permitir.

Também não descuide da postura. Sente-se com a coluna ereta, dê pausas, alongue-se.

Evite os males do sedentarismo

É um consenso que o sedentarismo é péssimo pra saúde e está associado à perda de flexibilidade, hipotrofia muscular, hipertensão, diabetes, aumento do colesterol e infarto. Segundo pesquisa da revista médica Lancet, 13% das mortes no Brasil têm conexão com o sedentarismo.

Então, há muitos motivos para evitar que o descuido com a saúde se torne regra.

O Eduardo Amuri, nosso consultor financeiro favorito, sugere marcar uma hora do dia com a rigidez de um compromisso com um personal trainer ou outra pessoa. Algo que você faz sem falta. Ele sai para correr três vezes por semana, por exemplo, antes de tudo o que tem pra fazer no dia. “Se não for assim, eu não faço”.

* * *

E vocês, têm alguma experiência de adoecimento por trabalho em home office? Quais dicas têm pra compartilhar? É só comentar aqui embaixo que seguimos a conversa.

Leia os outros artigos do nosso percurso sobre Home Office

Esse artigo faz parte de um percurso sobre Home Office que possui três partes. O texto foi escrito em parceria com a Epic Awesome.

Não deixe de ler as outras partes:


publicado em 11 de Abril de 2017, 17:54
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Luciano Ribeiro

Cantor, guitarrista, compositor e editor do PapodeHomem nas horas vagas. Você pode ouvir no Spotify. Também escreve no Medium e em seu blog pessoal. Quer ser seu amigo no Instagram.


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