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Aprendendo a ver beleza na confusão de nossas vidas

Você não consegue ver o pânico completo e arrebatador

Recentemente estava conversando com um empresário de software, uma pessoa cujo negócio rendeu um milhão de dólares neste ano fiscal. Estamos falando de lucro líquido. Ele financiou a si mesmo e é o único proprietário do negócio. Para qualquer um, isso seria algo muito impressionante. As pessoas olham para aquele negócio e veem um império se formando, olham para ele e veem um empreendedor milionário.

Mas ele, que está bem no meio da coisa, só consegue ver a pressão e o pânico.

Para ele é difícil olhar panoramicamente e apreciar o próprio sucesso como se do ponto de vista de outra pessoa. O que ele vê são as oportunidades perdidas, uma pressão cada vez maior para crescer, e as responsabilidades e encargos financeiros de um time em crescente expansão.

O mesmo ocorre com blogueiros de treinamento esportivo, celebridades do Instagram, artistas, músicos ou quem quer que faça, crie, escreva ou comece qualquer coisa.

O mesmo ocorre comigo. Estou tão focado em fazer freelance para startups e empresas consolidadas, e em trabalhar no marketing da indústria tecnológica, e em começar minha carreira como escritor, que tudo que consigo ver são problemas. Só vejo as rachaduras.

A mim me parece que meu trabalho é extremamente inconsistente; o que escrevo, cocô absoluto; minhas práticas de marketing são mal desenhadas e executadas – e meu pai estava certo quanto a minha falta de potencial.

Para qualquer outra pessoa, talvez não pareça nada disso. O que se vê é um post diário no blog, uma marca se destacando, ou um convite para palestra, e então parece que tudo está seguindo perfeitamente. Você não consegue ver o pânico completo e arrebatador.

Você não me vê lendo um artigo sobre uma nova empresa de software e repentinamente perder toda fé no meu negócio de serviços profissionais, e incessantemente enviar mensagens para minha namorada, coitada, sobre como tudo na minha vida sempre foi um erro.

Você não me vê sentado no chão, no canto de meu ambiente de trabalho, sofrendo um ataque de pânico.

Não importa se você está dirigindo um negócio, escrevendo um blog, ou tentando construir uma carreira de freelancer na área criativa, sua vida sempre vai parecer estar um caos completo. Você vai sentir como que se a coisa toda estivesse atada com fita adesiva, uns band-aids e grampos bem posicionados.

É assim que todo mundo se sente. Acredite nisso, por favor. Não importa o quão bem sucedido você tenha sido, cada pequeno problema ou questão menor, cada inconsistência será sempre ampliada mil vezes. Será ampliada até parecer um Godzilla e você fica acordado à noite com este enorme lagarto mutante destruindo tudo dentro de sua cabeça.

E isso ocorre porque você está bem ali nas trincheiras. Você está engolindo sapos todos os dias para que as coisas funcionem, e, portanto, para você cada pequeno aspecto do projeto parece muito maior, muito mais importante. Cada imperfeição quase grita conosco.

E então você olha os outros. Você olha para os outros empresários, com sua imagem tão perfeita. Escritores com Instagrams cheios de fotos bem posadas ao lado de manuscritos e uísque. Os charlatões da “liberdade nos negócios”, tomando um bronze numa praia em Fiji, com um laptop e um coco com canudinho.

E tudo parece perfeito, não é? Parece que tudo está sob controle... Certamente estão operando uma máquina bem lubrificada e que opera sem tropeços.

De maneira nenhuma. Não pense isso nem por um momento. Eles estão operando no mesmo nível de pânico estressante, arrebatador e total que você. Você não vê, mas está tudo lá.

Não quero deprimi-lo. Ou convencê-lo de que tentar fazer qualquer coisa, tentar começar ou tentar construir algo do zero é assustador demais para valer a pena. Isso não é verdade. O que quero dizer é isso: você não pode comparar você mesmo a um padrão que não existe.

Você nunca terá um negócio ou projeto, ou mesmo uma vida, que pareça tão perfeita quanto a dos outros parece ser. Não é possível. O mundo deles é tão infernal e difícil quanto o seu – mesmo que não pareça. Mas isso é bom.

Isso significa que quando você esta entrando em pânico, se estressando, e se sentindo subjugado com falta de confiança em si mesmo, você não está pior do que nenhum de nós outros. Você não esta só, ao se sentir assim. É completamente normal. Você é um de nós, e nós entendemos. Não estamos #amandoavida ou se sentindo #abençoados. Pode parecer assim, mas não é o caso.

Você não precisa ser uma máquina. Você não tem que pensar positivo. Você não tem que “apenas acreditar e respirar”. Esse é tipo de conselho que você ouvirá dos outros, quando relatar os pepinos com que você lida o tempo todo. Mas você não precisa ouvir.

Tudo que você precisa fazer é seguir em frente. A perfeição é um jogo que não se ganha, porque as regras seguem mudando e você só está jogando contra si próprio.


publicado em 27 de Março de 2016, 00:05
Jon westenberg

Jon Westenberg

Editor no THE VOIDIST, profissional de marketing e tentativa de escritor. Pode ser encontrada no Medium e no Twitter.


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