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Jean-Claude Van Damme e a descrença da humanidade

Duvidaram que o Rei do Camarote pudesse ser, enfim, verdade. "Nenhum idiota seria tão idiota assim" bradaram, como se no mundo não pudesse existir um idiota tão idiota nesse tanto, até mais. Ora bolas, duvidar da idiotice humana é chegar a um grau de descrença nunca antes visto nesse país ou em qualquer outro.

E a culpa é todinha nossa. Botamos morcegos gigantescos na internet, jabuti que -- de tão grande -- mal cabe em uma carreta. Tudo é "o Mr. Manson que fez", "montagem", "truque de CGI". De tanto brincar, demos um tiro no próprio pé e perdemos a fé, a esperança, a fantasia, a entrega!

O Jean-Claude Van Damme já foi, por muitos anos e pra esmagadora maioria dos caras que leem os textos marrons e esquerdistas desse site, o exemplo mais aspirado, o modelo que queríamos ser. Ele voava na voadora, batia cego no Chong Li, dançava pra caramba, era amigo do Dennis Rodman. Todo garoto queria ser o Van Damme.

Mas aí, ele ficou de pau duro dançando com a Gretchen, a molecada cresceu, ele sumiu e a magia acabou. A credibilidade é uma vadia bêbada que pula de colo em colo dentro do bar.

Daí, depois de anos, ele aparece humilhando todo mundo em um comercial da Volvo. E todo mundo rechaça a façanha.

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"É Fake", cuspiram contra a tela do computador. "Ah, é efeito especial, burro!", afirmaram os especialistas da internet. "Não acredito mesmo", foi o saldo da coisa toda.

Uma pena. Porque foi de verdade.

Mais do que ter sido real, foi feito em um único take, logo na primeira tentativa.

"A façanha foi real e realizada em apenas um take", disse Anders Vilhelmsson, gerente de relações públicas para a marca Volvo Trucks. 
"É um golpe ousado, mas tivemos total controle. Nunca houve qualquer perigo real envolvido".
Van Damme, 53 anos, foi preso a cordas de segurança que não são visíveis no filme, e cada pé ficou em pequenas plataformas que foram construídas nos espelhos laterais dos caminhões.
Os pés de Van Damme não estão presos nos espelhos, garante o diretor do vídeo, Andreas Nilsson, "mas nós o mantivemos preso (a cordas) para que, se ele caísse, não morreria, obviamente. Não quero ser responsável pela morte dos Músculos de Bruxelas".
[...]
(o vídeo) Foi filmado por Nilsson em uma pista fechada na Espanha, chamado Ciudad Real, localizada ao sul de Madrid. Antes das filmagens, a equipe de produção ensaiou a façanha por três dias. A versão final teve que ser concluída no prazo de apenas 15 minutos -- 8h05 - 08h20 -- quando a luz do sol foi.
"O filme que você vê é do primeiro take. Mas, obviamente, tivemos toneladas de ensaios ", disse Nilsson. "A tensão era muito alta".

[...]
Nilsson disse que os motoristas dos caminhões tiveram um papel-chave. "O que eles fizeram foi fantástico. Eu não sei se você já tentou dirigir um caminhão para trás, mas não é a coisa mais fácil", disse ele. "E depois mantê-lo no controle total quando ele começa a se esparramar é muito, muito difícil."
Trechos de uma matéria publicada no The Wall Street Journal.

"Ah, mas claro que a Volvo pagou pro jornal falar isso, né".

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O grande Fred Fagundes, quando ainda editava esse portal canhoto, escreveu:

A era da intolerância que reina na internet está cada vez mais off-line. O insuficiente faz parte dos vocabulários mais comuns. Os pequenos feitos morreram com a necessidade de grandeza aliado a opinião própria. É verdade e ótimo o fato que ganhamos a liberdade de expressão, mas isso não significa que precisamos argumentar de modo contrário tudo o que é exposto.
Se o seu golaço é no PES, o FIFA é melhor.
Se o torcedor do Corinthians é o atual campeão Brasileiro, o do São Paulo, Palmeiras e Santos têm Libertadores.
Se o seu credito financeiro foi aprovado depois de muito custo no Bradesco, não será tão bom porque não é no Itaú.
O mundo se transformou naquele pai que não valoriza nada que o filho conquista. É tipo aquele perfeito e muito bem construído carrinho com palitos de picolé que o guri leva pra casa. O pai diz que aquilo é lixo e só vai prestar e ter algum valor quando ele construir um carro que anda de verdade.
Sempre existe alguém para jogar na sua cara, por mais singela que seja a conquista, que o fato é old, fake ou lixo. Ou que faz melhor. Ou então que conhece alguém que faz. O papel do atual cidadão resume-se não em defender o que é certo, mas gritar que o autor está errado.
Resumo dos dias atuais: todo mundo se diz muito bom em algo. Mas ninguém parece ser o melhor.
Final do artigo "Ninguém é o melhor", de janeiro de 2012.

Acreditem. Continuem, por favor, caçando as fontes, buscando a verdade. Mas, que a intolerância pura e simples, que a o rechaço não seja burro e automático, cego e ansioso.

Eu acredito no Van Damme.


publicado em 18 de Novembro de 2013, 10:06
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Jader Pires

É escritor e colunista do Papo de Homem. Escreve, a cada quinze dias, a coluna Do Amor. Tem dois livros publicados, o livro Do Amor e o Ela Prefere as Uvas Verdes, além de escrever histórias de verdade no Cartas de Amor, em que ele escreve um conto exclusivo pra você.


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