Johnny e as Bonecas Infláveis

“Meu nome é Johnny, e sim, eu curto bonecas infláveis”.

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“Meu nome é Johnny, e sim, eu curto bonecas infláveis”.

Certamente, essa não seria a apresentação de Johnny, a este texto, há alguns anos.

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Essa é uma história real, mas com nomes fantasiosos. Ou vice-versa. Algo assim...

Aos 33 anos, Johnny já havia percorrido todas as casas noturnas da capital gaúcha, Porto Alegre. Desde barezinhos até puteiros. Teve nove namoradas, mas a que mais perdurou em sua vida foi Amanda. Namorinho de infância que se fez relação séria em sua adolescência. Johnny, ou JJ, como era chamado pelos amigos, ficou com Amanda durante dez anos, dos sete aos dezessete. Dez anos não foi o suficiente para que sua namorada o deixasse provar outro gosto, além da boca e dos seios que cabiam exatamente na palma de sua mão.

Fim de relacionamento e morte de sua mãe, Marieta, aos 46 anos, vítima de câncer de útero. Era prostituta e, depois, secretária de um escritório de advocacia no centro da capital. O que Johnny sempre negou foi a primeira profissão de sua mãe. A segunda, ele até engoliu (pois, ouvia boatos absurdos sobre o que rolava após o expediente entre Marieta e os advogados), afinal era através do “teste do sofá” que ela conseguia pagar a escola do único filho e o cursinho pré-vestibular.

Com 18 anos, JJ começou a pular de barezinhos para baladas, baladinhas para Raves e, de Raves para puteiros. Traiu suas outras oito namoradas “a torto e direito”, porque a decepção de não ter comido Amanda enviava ao seu cérebro a inquietação pela procura da foda perfeita.

Esta parecia correr de encontro às suas expectativas e bater de frente com o mesmo som, o mesmo gosto e o mesmo ritmo de dança dos mais diferentes corpos femininos que Johnny havia experimentado.

Mas, enfim, ele estava enlouquecendo em seu apartamento, no bairro Cidade Baixa, com seus 33 anos. Esperava por Dani, sua atual namorada, 25 anos, loira, baixinha... estilo “Maria Chuteira”. Seu único defeito? Ter o dom de lembrá-lo todos os sons, gostos e danças dos corpos das outras putas; estudantes universitárias; médicas; gringas e etc.

A esta altura de sua vida, Johnny acabou abrindo espaço para a palavra exigente, resolveu aceitá-la e cavoucar um pedacinho para que a palavra frustrado desse o seu “ar da graça”.

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A relação de Johnny com as mulheres era um tanto quanto confusa

Assim, entre a razão e o devaneio trazido pela quinta dose de uísque puro, decidiu não esperar mais por Danielle, e foi atrás de jornal com classificados de imóveis. Sua procura era por apartamento próximo a lavanderia, restaurante e... sex shop. Eis aí! O dinheiro que Marieta havia deixado para o filho conseguiu satisfazê-lo. Johnny começou a colecionar bonecas infláveis.

Pensou com lógica:

- Elas também terão o mesmo som, o mesmo gosto e o mesmo ritmo. Sem expectativas de outra coisa, logo, não me frustrarei. E, as mulheres, “passarão e eu passarinho”, como diria M. Quintana.

Claro que entre as bonecas tinha as suas duas preferidas: a morena de seios pequenos e a outra com formas mais maduras. A primeira era a que começava e encerrava as sessões de sexo e, a segunda, nunca foi e nem seria tocada. Esta, ele pôs o nome de sua mãe e a de seios pequenos que cabiam na palma de sua mão, Amanda.


publicado em 17 de Agosto de 2008, 17:02
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Clarisse Colombo

Jornalista. Geralmente escreve por insights noturnos e jura que seus contos são totalmente fictícios.


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