A conversa sobre paternidade é uma das mais importantes do nosso tempo. Venha para o PAI: Os desafios da paternidade atual, discutir e colocar em prática o tema.
Compre já o seu ingresso!

José Saramago não foi para o Céu

"Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cego que, vendo, não vêem."

Ele mostrou que um ateu pode ser muito mais humanista do que um religioso, que o prêmio Nobel de Literatura também pode ser dado a escritores de língua portuguesa e que dá para fazer diálogos sem aspas ou travessão.

José Saramago nos deixou 35 obras, rastros de presença crítica (à política, à religião, à sociedade em geral), um blog, uma Fundação e um bela história de amor com María del Pilar del Río Sánchez: "Se eu tivesse morrido antes de conhecer você, Pilar, eu teria morrido me sentindo muito mais velho", disse para o The New York Times, em 2007.

Morreu hoje, acompanhado pela família, em Lanzarote (nas Ilhas Canárias), aos 87 anos de idade, "em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença, despedindo-se de uma forma serena e tranquila".

Escrevo essa nota com o livro Ensaio sobre a cegueira em mãos (de onde peguei a citação acima) e com a imagem clara do que é um ser humano. Curiosamente, quando penso em "ser humano", noção abstrata, lembro imediatamente de José Saramago e Sua Santidade o Dalai Lama.

A morte está aí e leva até mesmo os grandes seres. E, não, eles não vão para o paraíso, para o Céu cristão. Os grandes pairam em nosso céu, como um horizonte de possibilidades para quem ousa abrir os olhos e ver.

Link YouTube | Saramago ao lado de Fernando Meirelles, logo após a exibição do filme "Blindness"


publicado em 18 de Junho de 2010, 10:11
Gustavo gitti julho 2015 200

Gustavo Gitti

Professor de TaKeTiNa, colunista da revista Vida Simples, autor do antigo Não2Não1 e coordenador do lugar. Interessado na transformação pelo ritmo e pelo silêncio. No Twitter, no Instagram e no Facebook. Seu site: www.gustavogitti.com


Puxe uma cadeira e comente, a casa é sua. Cultivamos diálogos não-violentos, significativos e bem humorados há mais de dez anos. Para saber como fazemos, leianossa política de comentários.

Sugestões de leitura