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Limite de velocidade: 30Km/h (mais lento ou mais seguro?)

Pouco mais de três semanas. Menos de um mês.

Ciclista é atropelado na Av. Paulista e tem braço amputado no acidente

Segundo a polícia, motorista fugiu e jogou braço da vítima em córrego. Vítima está internada com saúde estável; acidente ocorreu neste domingo.

O ciclista David Santos de Souza, de 21 anos, foi atropelado no início da manhã deste domingo (10), na Avenida Paulista, região central da cidade. De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o acidente ocorreu por volta das 5h30, no sentido Paraíso, próximo ao Metrô Brigadeiro. Com o acidente, o braço direito do ciclista foi amputado, segundo o Corpo de Bombeiros.

David está no Hospital das Clínicas com estado de saúde estável. Ele foi socorrido pelos bombeiros e levado para o hospital. A vítima está consciente e segue internada no Pronto-Socorro na tarde deste domingo.

Segundo a Polícia Militar, o motorista Alex Siwek, de 22 anos, estudante de psicologia, que atropelou o ciclista, fugiu sem prestar socorro e deixou o local com o braço da vítima, que segundo o motorista ficou preso no carro após o atropelamento. De acordo com a polícia, ele disse que jogou o braço em um córrego na Rua Ricardo Jafet após a fuga.

G1. 10/03/13.

Há trinta anos, na cidade alemã de Buxtehude, foi implantada a primeira "Zona 30", reduzindo a velocidade dos veículos para níveis em que o carro parece implorar por um pé mais no fundo.

"Mas lá não é como cá!". Fica calmo. Vamos chegar aqui

Reduzir a velocidade que geralmente seria limitada a 50 ou 60Km/h para 30 parece absurdo para a maioria dos motoristas -- o trânsito já é ruim o suficiente podendo andar um pouco mais rápido, imagine baixando tanto? --. "Só pode ser para alimentar a indústria das multas", você, amigo traumatizado pelos radares, deve pensar.

Ledo engano, nos dois argumentos.

A limitação feita em ruas ou trechos de ruas que tenham considerável movimento misto, isto é, tráfego intenso de carros, motocicletas, ciclistas e pedestres, visa reduzir o número de acidentes, e os resultados mostram que funciona: em média 25% menos, chegando a uma redução de 72% na Bélgica. Mais do que isso, mesmo os acidentes que ocorrem geram menos mortes já que a energia do acidente é proporcional a massa dos objetos e ao quadrado da velocidade (você faltou nessa aula de física, eu sei), então a redução é exponencial. Estamos mesmo precisando trabalhar nisso: no Brasil, há uma morte no trânsito a cada 11 minutos!

O resultado foi tão bom que a iniciativa se espalhou por outras cidades da Alemanha e vários países europeus como França, Bélgica, Itália, Holanda, Áustria, Reino Unido, Dinamarca. Só em Barcelona já são mais de 200Km de Zona 30. No Brasil, Copacabana, Ipanema e Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, e Ilha Solteira, em São Paulo já possuem regiões com essa velocidade.

A redução no número de acidentes se explica pelo aumento na visão periférica dos motoristas - quem já deu aquela esticada no carro sabe que o foco vai se tornando cada vez mais centrado no caminho à frente. O tempo/distância para parar o veículo também cai para menos da metade: a 50Km/h o carro anda 14 metros até o motorista ter a reação de pisar no freio e mais 14 metros para parar, contra 8 metros + 5 metros, respectivamente, quando trafegando a 30Km/h.

E o trânsito, não piora? Claro que em ruas quase sempre paradas, pouco afeta, e nem é este o foco, então vamos pensar em ruas onde de fato se consegue andar mais próximo do limite de 50~60Km/h.

Quanto mais rápido, maior a distância necessária entre os veículos, e se torna bem comum acelerar e frear no próximo semáforo/farol/sinaleiro. A 30Km/h, os carros podem trafegar em uma massa mais compacta, sem tantas distâncias, acelerando e freando menos de um quarteirão para o outro.

Link YouTube | Como se começa um trânsito

O tempo final para cruzar determinada distância acaba pouco afetado e outras vantagens aparecem:


  • Redução da poluição sonora;

  • Redução da poluição do ar;

  • Maior facilidade para pedestres atravessarem as ruas;

  • Menor consumo de combustíveis;

  • Incentiva o uso de bicicletas ou o deslocamento a pé;

  • Até mesmo valorização dos imóveis, fomento à economia local e fortalecimento do senso de comunidade.

Em terras tupiniquins, a proposta é encabeçada pelo Instituto Avante Brasil que, além de um site para explicá-la, iniciou uma petição no Avaaz para colher assinaturas e levar o assunto para análise dos congressistas.

E você, apoia a ideia?


publicado em 04 de Abril de 2013, 07:00
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Juan Lourenço

Criador do eco4planet para ajudar o planeta e do 2Centavos para descarregar a vontade de escrever sobre coisas, lugares e pessoas. É administrador, desenvolvedor, cinéfilo, gamer e boa companhia. Diz ele.


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