Mario Name, Comandante da TAM - Parte I

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Pessoal, dando continuidade às matérias sobre aviação, trago agora uma entrevista exclusiva com Mario Name, Comandante da TAM. Conheça o estilo de vida e a motivação por trás da carreira de piloto, nas palavras de um profissional tarimbado.

O Comandante Mario é estiloso pra caralho

PapodeHomem: Quantos anos?

39 anos.

PapodeHomem: Está na TAM há quanto tempo?

Já estou na TAM há 11 anos.

PapodeHomem: Quantas horas de vôo (domésticos e internacionais)?

Já acumulo quase 10.000 horas de vôo, sendo uma boa parte internacional.

PapodeHomem: Onde nasceu e onde reside?

Nasci em Campinas (SP) e saí muito novo de lá pra voar em Curitiba, Americana e São Paulo. Gosto muito de Campinas. É mais tranqüilo que São Paulo, onde moro, hoje. Campinas é o quartel-general da família, o ponto de encontro com meus pais, irmãos e sobrinhos.

PapodeHomem: Voltando um pouco no tempo, como era o Mario quando pequeno?

Era muito amigo. Fazia amizades facilmente e era muito querido pelos meus. E tinha o sonho de ser aviador.

PapodeHomem: Quantos anos você tinha quando descobriu o interesse pela aviação?

Acho essa pergunta muito boa. Sempre que me questionam isso eu logo respondo: “desde o dia que nasci”. Eu penso que no dia que vi o céu pela primeira vez, ali, deitado no berçário da maternidade, eu pensei: “tenho que ver isso de perto”. Então, vamos dizer que, com alguns dias de vida, eu já sabia que seria aviador.

PapodeHomem: E o interesse veio por meio de influências ou simplesmente daquele sonho que brotou de dentro?

Não tenho parentes na aviação. Para dizer a verdade, tenho um tio que era dono de um táxi aéreo, no Paraná. Teve até jato. Mas ele não me influenciou. Ajudou muito, mas não me influenciou, porque não é piloto, só empresário. Penso que nasci com esse sonho e trabalhei para torná-lo realidade.

PapodeHomem: Toda carreira, independente de qual seja, tem sempre um começo. Como foi no seu caso? Muitas dificuldades?

Olha, eu não posso reclamar. Devo muito ao meu pai, que é médico, Dr. Mario Name, e à minha mãe, Ana Elisa. Eles me ajudaram muito. Meu pai financiou esse sonho maluco do filho mais velho, praticamente sem saber do que se tratava. Sem experiência no assunto, ele acreditou em mim e me deu o apoio  moral e financeiro que precisava naquele momento. Minha mãe sempre tentou mudar minha idéia, ela morria de medo de avião. Por sinal, até hoje. Eles foram muito importantes na minha história. Sem eles eu não estaria onde estou hoje. Por isso eu não tive grandes dificuldades. O meu primeiro emprego foi no Táxi Aéreo do meu tio, irmão do meu pai. Ele, nessa fase da minha vida, me ajudou muito. Sou muito grato a ele também. Daí pra frente foi questão de mostrar trabalho.

PapodeHomem: E como foi que a TAM entrou na sua vida, ou, como você entrou na vida “dela”?

A TAM sempre foi um objetivo. Desde que comecei na aviação eu queria entrar na TAM. Nos primeiros anos eu tentei, mas ainda não tinha experiência pra isso. Voei dez anos na aviação executiva e,  num certo dia, resolvi tentar de novo. Foi há 11 anos. Fui aceito e, desde então, entrei na vida dela e ela entrou na minha de uma maneira tal que, hoje, eu não vivo sem essa empresa que me faz tão feliz. Eu costumo dizer para os amigos que meu sangue é da cor vermelha que está pintada na cauda dos aviões. Eu amo essa empresa e me considero um piloto realizado. Faço o que gosto onde eu sempre quis. O que mais posso falar?

PapodeHomem: Para você, o que é fazer parte dessa grande família?

É, sobretudo, lutar pelos ideais do Comandante Rolim Adolfo Amaro, de quem fui muito próximo e admirador. Esse piloto-empresário criou uma empresa pensando no cliente, e isso nós temos obrigação de perpetuar.

PapodeHomem: Sabemos que a vida de um piloto de uma empresa aérea é bastante agitada e a imagem que muitos de nós temos é que os horários são bastante rígidos. Mas até onde vai essa rigidez? Como funciona a escalação de seus horários?

A escala de vôo segue uma lei que chamamos de regulamentação e que rege quantas horas a gente pode voar num dia, num mês e num semestre. Também rege quantas etapas podemos fazer num dia. O trabalho é muito cansativo mentalmente, mas é muito prazeroso, e isso compensa.

PapodeHomem: Passar a virada de ano voando, passar o Natal voando, estar voando enquanto uma celebração familiar acontece... enfim, essas são coisas que infelizmente acontecem na vida de um piloto, não é? E como você lida com situações como essas?

Bom, podemos levar a família nas viagens que ocorrem nas festas, como o Natal e o Reveillon. Porém, é muito comum minha família ir sozinha a festas familiares. É sempre a mesma pergunta: “O Mario está aonde?“. A família acaba se acostumando com isso. E a gente também.

PapodeHomem: E lidou dessa maneira desde sempre?

Sempre, eu sempre soube desde o início que seria assim. As namoradas, quando mais novo e a esposa, hoje em dia, sempre souberam disso. A família sofre um pouco no começo, mas se acostuma. É assim com tripulantes de avião ou de navio. Algumas profissões exigem sacrifícios. Isso é normal. Muitas vezes vi meu pai sair no meio da noite pra atender um paciente no hospital. Não é diferente. Minha esposa é produtora de TV e também não tem uma rotina muito rígida de horários e dias de trabalho. Tempos modernos.

PapodeHomem: Tem filhos(as)? Se sim, o que acham da vida agitada e das prováveis ausências?

Tenho um filho do primeiro casamento e sou casado pela segunda vez.  A família aprende que qualidade é melhor que quantidade. E sendo assim, aproveita ao máximo o tempo junto. Muitas vezes me sinto mais presente que muito pai e marido que vive sempre na mesma cidade que a família.

PapodeHomem: Quando você pousa em Paris, por exemplo. Vai para o hotel e tudo mais. Sobra tempo pra aproveitar e conhecer a cidade ou prefere descansar no tempo de intervalo para o outro vôo? E como funciona esse intervalo de um vôo para o outro? Questão de horas ou dias?

Normalmente o espaço de tempo previsto pela lei não é muito grande para que se  possa fazer grandes passeios, mas a gente sempre divide o tempo para fazer um passeio e aproveitar os pernoites para conhecer os pontos turísticos locais. Descansar para um vôo é muito importante, principalmente se for um vôo longo como um Paris-São Paulo.

Amanhã, a segunda parte da entrevista com o comandante Mario Name, onde ele vai nos contar mais de seu estilo de vida, suas histórias e sua participação no mundo da aviação virtual. Abraço, pessoal.


publicado em 29 de Março de 2007, 09:36
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Breno Spadotto

(Quase) publicitário e apaixonado pelo comportamento humano. Acredita que as coisas só vão para frente se a causa for abraçada: "Take your risks, live your dreams". Pretende escrever de frente para o mar daqui a alguns anos. No Twitter, /@bnospadotto.


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