Colação de Grau ou Melação de Grau?

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Já reparou como as pessoas costumam dar importância exacerbada para coisas que são banais?

Tem gente que tem fissura em coisas do corpo, como cabelo e unha. Outras dão importância demais pra coisas materiais. São aquelas que "deixam o plastiquinho", sabe? Aquelas que, se arranhar uma nesguinha, já perdem as estribeiras.

"Não, não tira o plástico não que depois pra vender é melhor"

Tenho um primo que ganhou o mesmo par de tênis que eu quando éramos crianças e, um ano depois, o meu estava destruído enquanto o dele, novíssimo. Ficou horrorizado. Tem gente que dá tanto valor ao seu time de futebol que é capaz de matar outro ser humano por ele.

E por fim, tem gente que acha que é grande coisa se formar em uma faculdade.

Obs: antes de você vir com as pedras, espere para pegar mais, que a minha opinião sobre o assunto não para por aí. Pegue uma pedra para cada uma e corra para os comentários.

A colação de grau é uma das maiores idiotices e chatices já inventadas pela humanidade. Eu, quando sou obrigado a ir em alguma, sob ameaças físicas, me afundo na cadeira de tédio e pelo ridículo que é toda aquela gritaria, faixas e comemoração, como se aquele tubo vazio fosse um Prêmio Nobel. Essa sim, uma cerimônia digna de alguma comemoração.

Colação é chato para quem é aluno que tem que vestir aquela coisa pavorosa quente e desconfortável. É chato para quem está na mesa dos professores que não aguenta mais participar de colação. É chato para o reitor (que nunca está lá, sempre manda representante. Na última que eu fui, era uma mulher e ela se chamava Dorian Grey Rodrigues). É uma tortura para aquelas centenas de coitados vendo toda aquela chatice. É chato até pra banda, ou pra quem só coloca o CD porque, uma hora ou outra, vai ter que tocar We are the Champions.

A única colação de grau em que eu não pensei “mate-me logo, por favor”, foi a formatura do Mateus, meu irmão. Ele se formou em Belas Artes pela UFMG e a colação foi junto com o pessoal das Artes Cênicas. Só maluco. Durou uns 35 minutos e foi ótima. Sem enrolação, sem becas, sem Queen.

Mas eles insistem que é importante

As desculpas das pessoas pra te convencer que a colação de grau, ou o próprio “diploma” em si é algo importante, é passível de camisa de força. As pessoas só repetem de forma interminável aquilo que ouviram a vida toda, não param para pensar por um segundo na loucura que é essa convenção besta. Eu sei que você quer se sentir importante, eu sei como é isso, todo mundo precisa disso.

Se formar no ‘terceiro grau’ antigamente era de fato um acontecimento. Se você tinha um diploma você tinha emprego certo, com um bom salário e 30 anos de serviços a prestar pela frente. Hoje em dia, bem... boa sorte para você que tem mestrado em conseguir dois mil reais por mês de salário mais os benefícios.

Antigamente existiam menos universidades, menos vagas e essas eram muito menos acessíveis para as classes mais baixas.

Dizem que aqui em BH tem um boteco a cada esquina (e tem mesmo). Do lado de cada um deles tem uma faculdade. A qualidade do ensino, no entanto parece ter sido diluída na quantidade de instituições também. Mas esse não é o ponto aqui. O que eu quero dizer, é que qualquer pessoa pode ter um diploma. E ter um diploma (ainda bem), não quer dizer absolutamente nada.

Ah, você é médico. Dotô. Passou 27 anos na faculdade, residência e o escambau? Problema é seu. Não é por isso que eu vou simplesmente acreditar em tudo o que você me falar. Existe gente que simplesmente não é bom naquilo que faz, ué. Do vendedor de goiabada cascão ao atacante da seleção.

Conclusão? Se você não se manter atualizado, não se esforçar, não praticar e não procurar ser ótimo naquilo que faz, você não o será. Independente do diploma.

Mas eles insistem que é legal

Colação de Grau já era um negócio meio doido pra mim. Mas quando eu descobri que ela -- academicamente -- não serve para absolutamente nada, eu pirei. “Espera aí", pensei, "como assim não serve para nada? Não é lá que você carimba que formou e tal?”. “Não. Isso você faz na colação de grau oficial.”

HEIN?!

“Essa que vai a família, que tem beca e tal, é só uma festa. Mesmo quem tomou pau pode participar. É – só – para – a – f a m  í  l   i    a.

Essa foi literalmente a minha reação

A colação oficial que eu participei sim, só forma quem... hum.. formou. Você faz um juramento, pega ou entrega um papel (não lembro) e vai embora beber com seus colegas de sala. Pronto. Nem toca We are the Champions. Ou toca?

Sobre o argumento principal de todos aqueles que defendem essa masturbação inútil de ego que é a colação festiva, a tal da “família”, eu digo que se é da sua vontade e do seu pessoal, poxa, seja feliz. Eu não quis participar dessa “festa”. Meus pais ficaram aliviados e eu não tive que obrigar ninguém a “não poder fazer a desfeita de não ir”.

Que fique claro. Não sou contra ninguém comemorar nada ou querer ser feliz, se sentir importante ou massagear o próprio ego. Seja feliz com o que quiser, e eu serei feliz por você. Eu só estou dizendo que acho besteira e expondo os meus argumentos.

Falando em festa. Eu fiz um post – antigo já – no meu blog sobre isso. Lá eu falo basicamente o mesmo que aqui. A loucura absurda que é você queimar uma quantidade enorme de dinheiro, por causa de uma “balada”. A música é ruim, você não suporta metade das pessoas que estudou com você e elas estão ali.

E tem valsa.

Alguém, por favor, pode me dizer o motivo, razão, circunstância de formandos dançarem valsa, cara!?

*Importante: eu garanto para você que já ouvi todos os argumentos contrários à minha opinião. Já tive essas discussões antes, durante e depois a minha própria faculdade. Para os que vão discursar sobre as pessoas que mal tiveram a chance de entrar em uma faculdade, que nem deus sabe o que tiveram que passar para se formarem, e do direito que elas tem de comemorar, serem ‘rídiculas’, chorarem, sorrirem, e etc. Eu concordo totalmente.

Se você se sentiu ofendido, ou se tem um diploma acumulando poeira (se é que me entende) e quer descontar essa frustração em mim. Estarei nos comentários.


publicado em 14 de Abril de 2013, 12:00
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Pedro Turambar

Pedro tinha 25 anos e já foi publicitário. Ganha a vida fazendo layouts, sonha em poder continuar escrevendo e, quem sabe, ganhar algum dinheiro com isso. Fundou o blog O Crepúsculo e tem que aguentar as piadinhas até hoje. No Twitter, atende por @pedroturambar.


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