Mind blown! Por que pensamos como pensamos?

Uma seleção feita pelo próprio autor dos melhores textos da coluna Tecla SAP, de Breno França

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Conheci o Papo de Homem através de textos como o das falácias lógicas e dos vieses cognitivos. Encontrar esse tipo de conteúdo disponível, em português, tão facilmente na internet era incrível para alguém que, como eu, sente curiosidade por saber como essa nossa maquininha chamada cérebro funciona.

Depois que virei autor, segui editando e procurando outros textos nessa direção. Até que um belo dia resolvi tirar do papel uma ideia que guardava já há alguns meses e criei a Tecla SAP. Essa coluna autoral na qual eu explico/traduzo da linguagem acadêmica para a popular alguns conceitos que estão presentes no nosso dia a dia, mas que muitas vezes não nos damos conta ou não sabemos nomear, agora já conta com mais de 20 textos e por mais que esteja sendo cada vez mais difícil continuá-la, ela ainda é meu xodó.

Por todos esses motivos, montar esse percurso com os melhores textos da coluna é motivo de muito orgulho e satisfação da minha parte. Do seu lado, como diz nosso colega Bruno Passos, espero que seja útil ou pelo menos divertido. Abaixo, selecionei sete artigos e tentei montar um percurso que fizesse sentido. Começando pelo mais polêmico:

1. Efeito Flynn: por que (não) estamos ficando mais inteligentes que nossos pais

Para começar, escolhi esse texto sobre o Efeito Flynn para termos uma visão geral de como o raciocínio humano tem evoluído com o passar dos anos. Ou melhor, se transformado – evoluir pode dar uma impressão de que a coisa está melhorando, o que como você pode ver no texto, não é um consenso.

O artigo também nos ajuda a perceber como o meio influencia nossa forma de pensar. Hoje habilidades cognitivas diferentes são exigidas em relação ao que era exigido de nossos avós e o que será exigido de nossos netos.

2. Efeito Priming: como o meio influencia nossas mentes

Esse é o gancho perfeito para pularmos para o artigo 2 sobre o Efeito Priming e entender como tudo que vivenciamos influencia na maneira como nós pensamos. Até mesmo aquilo que sabemos ser falso.

Em tempos de fake news, entender e explicar isso para os demais é valiosíssimo.

3. Janela de Overton: como manipular a opinião pública

Falando nisso, nada melhor do que pular para o artigo 3 desse percurso que vai mostrar justamente como diferentes agentes manipulam a opinião pública. Muitas vezes achamos que somos nós quem decidimos o que vamos debater na mesa do bar, mas na verdade já está tudo pré-agendado. Por terceiros.

E nós não temos escolha.

4. Paradoxo das escolhas: como manipular a sensação de liberdade

Já o artigo 4 vai nos mostrar justamente ter escolha não é garantia de boa coisa. Pelo contrário, há fartura de opções disponíveis pode ser uma armadilha para minar nossa felicidade. A liberdade deve ser desejada, mas até mesmo ela pode ser usada para a manipulação.

De qualquer forma, como gosto de destacar ao final dos textos, conhecer o recurso é o primeiro passo para não se deixar mais manipular por ele. Use esse conhecimento com sabedoria.

5. Espiral do Silêncio: como silenciar multidões

Já o quinto artigo vai falar justamente sobre uma das consequências possíveis da manipulação que pode ser feita com recursos como a Janela de Overton, o Paradoxo das Escolhas e tantos outras.

Esse texto é especial pra mim porque relata um fenômeno que acontece muito em nossas vidas. Um fenômeno em especial que sempre me policio para tentar evitar nos ambientes dos quais participo. Recomendo muito.

6. Teste do Marshmallow: porque somos tão imediatistas

Outra coisa que estou sempre me policiando para tentar evitar é o imediatismo. Aquela sensação de trocar o resultado planejado de longo prazo por uma tentação momentânea. E não existe maneira mais clara de demonstrar isso do que com o Teste do Marshmallow.

Não se iluda: não é porque o teste foi realizado com crianças que ele não é perfeitamente aplicável em adultos!

7. Banalidade do Mal: porque absurdos não nos surpreendem mais

Por último, mas não menos importante, fiz questão de incluir nesse percurso, como encerramento, o texto sobre Banalidade do Mal por dois motivos:

(i) primeiro porque foi um dos textos mais desafiadores que já fiz aqui no PdH. É muito difícil explicar Hannah Arendt sem cometer nenhum grande equívoco ou simplificação exagerada; e

(ii) principalmente porque este artigo representa muito a sensação de anestesia que todos os outros conceitos aqui apresentados ajudam a criar culminando num dos piores cenários possíveis: aquele em que não só estamos agindo mal, como nem percebemos que estamos.

Um pouco frustrante? Talvez. Mas só o conhecimento é capaz de nos libertar.

***

Assim como todas as caixas de comentários de todos os textos publicados na Tecla SAP (e porque não do Papo de Homem inteiro!), aproveite o espaço para me mandar sugestões de pauta e ajudar a manter a coluna viva e quem sabe o PdH com mais textos que você gostaria de ver.

Foi assim que eu comecei fazendo. E funcionou!


publicado em 28 de Dezembro de 2017, 00:05
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Breno França

Editor do PapodeHomem, é formado em jornalismo pela ECA-USP onde administrou a Jornalismo Júnior, organizou campeonatos da ECAtlética e presidiu o JUCA. Siga ele no Facebook e comente Brenão.


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