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Ménage à Trois e um bebê

Pergunta:“Olá!

Venho aqui pois não consegui encontar uma saida para o meu problema. Ele é bem simples, mas nas circustâncias atuais me encontro confusa e ainda não consegui elucidar a minha mente então… vamos lá.

Sou casado com um rapaz há 5 anos, eu tenho 20 e ele 26. Quando eu tinha 15 (que foi quando começamos a namorar) eu pedi a ele pra transarmos a 3 com uma garota que eu achava bonita na escola, e sem mais delongas ele respondeu não e eu acatei a decisão e nunca mais tocamos no assunto.

Ele sempre foi tarado por japonesas, só que nunca transou com uma pois nunca achou uma que correspondesse aos "padrões de qualidade" dele.

Há algum tempo entrou no serviço dele uma japa assim... dentro dos padrões, e eu estava grávida.

Ganhei o meu neném e quando ela completou 2 meses meu marido chega em casa e diz: "Amor, quero fazer sexo a três..." e eu pensei ok, vou contratar uma prostituta e a gente se diverte, e ele completou "com a fulana do meu serviço."

Aí a coisa ficou complicada e eu estou cagando no mato sem papel. A moça me conhece, eu não estou, digamos, na minha melhor forma fisica e ela é uma gata, eu estou insegura de reprimir isso nele e ele me trair e me abandonar, não quero virar mãe solteira.

Mas não quero dizer a ele que não quero que ele transe com ela. Por favor, Love... elucida a minha cabeça, tenho certeza que tem um jeito fácil e simples de resolver isso só que eu não to conseguindo enxergar.

Obrigada desde já.”

- Aninha

Querida Aninha,

Ponto 1: homens são como máquinas de fliperama. Você dá a eles uma fichinha, o uso pode não ser imediato, mas o crédito fica. Está aprendendo isso na prática.

Ponto 2: o egoísmo presente na atitude de seu esposo me dá vontade de vomitar o sanduíche de rosbife que acabei de comer. Ele teve talento suficiente para desrespeitar você, a filha e a própria dignidade em um única tacada. Se o Messi não tivesse escrúpulos e chutasse a cabeça de mulheres grávidas no lugar de jogar futebol, ele seria o seu marido.

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“Amor, vamos expandir nossa sexualidade aproveitando que acabei de quebrar a sua coluna vertebral?”

A maternidade é um momento único, altera a dinâmica da relação. A mulher está sensível, vulnerável, acabou de cuspir uma melancia de dentro de si. O detalhe é, essa pequena melancia fala e tem um pai, reconhecido na figura do homem que deve cuidar e prover para sua mulher e seu filho nada menos do que o melhor.

Segurança, estabilidade. Um lar onde haja fartura. Mão forte.

Ele é um moleque na crise dos 25, confuso diante da paternidade e de tudo o mais que ela representa. E sabe que:


  • você está atravessando o delicadíssimo momento pós-parto

  • que o local de trabalho é o mais favorável ambiente para traições

  • que está dedicada ao bebê e não vai “descontar” possíveis infidelidades na boate mais próxima

  • que a japasafada está em melhor forma física e desimpedida

Pior, se essa proposta veio à tona significa que já estão trocando confidências, o primeiro passo nos planos dele de “invadir Tóquio”. A sua calma, lucidez e compreensão são raras no sexo feminino. Certo que há bem mais ansiedade do que o texto deixa transparecer.

No entanto, a visão rasa do relacionamento que tenho com sua pergunta não permite ir muito além. Pese todo o contexto, eventuais possibilidades de relacionamentos abertos, semi-abertos, e quais seriam as responsabilidades de cada parte. Lembre-se de não assumir uma carga acima do que considera justa, não seja conivente com o desrespeito implícito na postura dele. Não se posicione como vítima.

Tenha uma conversa firme e sincera com seu marido, nas linhas de,

“Meu amor, sabe que te amo e faria tudo por você, não à toa nos casamos, mas estou passando por um momento de insegurança e preciso do seu apoio para cuidar de mim mesma e de nossa filha. Quero continuar confiando em você, e que nossa relação permaneça aberta e saudável como é hoje. Não iria me sentir confortável num Menage com a Miss Kukoçando, sei que ela é linda e não estou na minha melhor forma. Quero me recuperar, cuidar de mim e me sentir bem para realizarmos todas nossas fantasias. Mas essa hora não é agora, você respeita minha decisão?”

Demonstre amor. Não aceite receber de volta menos.

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Rufem os tambores, vou defender cada centímetro delas

Quem está faltando com o dever é ele.

Ter tesão não é crime, ter fantasias com outras mulheres antes, durante ou após a gravidez de sua digníssima, nem de longe. Impor uma situação como essa a uma jovem mãe apaixonada é umbiguismo desmedido, ausência de bom senso. Comer uma puta na Augusta e voltar pra casa com a boca fechada demonstraria mais sensibilidade.

Um sujeito que submete a esposa a esse tipo de conflito psicológico, ignorando a própria cria e o conceito de masculinidade que aprendemos com nossos pais não passa de um monte de estrume com capacidade verbal. Os bisavós dele estão rolando na tumba, impotentes para aplicar uma boa surra. Isso resolveria.

Dr. Love, espalhando amor pelo mundo


publicado em 28 de Maio de 2009, 16:36
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Dr. Love

Consultor amoroso e cachorrão nas horas vagas.


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