Vamos participar do Mongol Rally, a maior aventura automobilística do mundo!

De Londres à Mongolia, 16.000km em um carro de 998cc. Cruzaremos zonas de guerra, desertos e montanhas para angariar fundos para instituições de caridade.

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Tudo começou por volta de 2012, quando eu, Martin, randomicamente assistindo vídeos online, me deparei com um documentário devidamente intitulado “Pryamo, Pryamo”, em tradução livre do Russo, “Em Frente, Em Frente”. 

Aqui o link pra versão completa do documentário

Era um das centenas de mini-documentários feitos por equipes que participaram em edições anteriores do Mongol Rally. Neste caso específico, três espanhóis que participaram em 2012. 

“Pryamo, Pryamo” foi a frase mais escutada por eles durante ao longo da jornada, sempre que precisaram parar para pedir orientações à locais.

Além de uma “cativante” melodia, o vídeo representava tudo que adoro sobre viajar. Viajar não é visitar Miami, se hospedar em um hotel de 5 estrelas, não conhecer ninguém, ou experimentar algo novo. Viajar é sobre coisas novas. Conhecer novas pessoas, culturas, truques, ver algo completamente diferente do que está acostumado, e possivelmente retornar uma pessoa melhor. 

Isto é o que vi no documentário. Não apenas qualquer viagem, mas uma aventura épica.

Que agora se tornou realidade

Dentro de alguns dias estaremos de partida para essa que é descrita como a maior aventura automobilística do mundo, o Mongol Rally.

Mais de 16 mil quilômetros, 19 países, cinco cadeias montanhosas e três desertos nos separam do nosso destino: Ulaanbaatar, capital da Mongólia. Sem suporte ou rota definida, esperamos cruzar um terço da superfície do planeta em um carro de 998cc.

O Mongol Rally é uma aventura pan-continental que começa no sul da Inglaterra, cruza dois continentes, passa por Ulaanbaatar, capital da Mongólia, e termina mais precisamente em Ulan-Ude, na sibéria Russa. Esta é a primeira edição do evento que não termina na Mongólia.

Existem apenas três regras fundamentais:

  • Os carros devem ser pequenos e ter menos de 1000cc, ou 1L

  • Não existe suporte algum às equipes

  • As equipes precisam levantar ao menos 1.000 libras para caridade

O objetivo é diferente de um rali ou corrida tradicional, aqui o foco é a pura e simples aventura dos participantes. Nenhum reconhecimento é dado para a equipe que cruzar a linha de chegada primeiro.

Também há outras diferenças, como o fato de que nenhum suporte é fornecido às equipes, e nenhum detalhe da viagem, como acomodação, é arranjado pela organização. Além disto, os veículos são deliberadamente inadequados para a tarefa, visando manter o espírito aventureiro do evento.

Se imagine em um deserto enorme, centenas de quilômetros distante de qualquer civilização, dirigindo um carro do qual até sua avó teria vergonha. Então, de repente, todas as suas rodas caem e, procurando por ferramentas, você encontra somente uma meia suja e algumas frutas secas. 

Isto é o Mongol Rally!

O surgimento da nossa equipe

Meu habitat natural é atrás de um grande monitor de computador, resolvendo os problemas de performance mais estranhos que possam imaginar para uma pequena empresa chamada Netflix. 

Também passo meu tempo construindo um produto incrível para minha nova Startup, HandsOn.TV, uma plataforma de vídeo para empreendedores. 

Sou a última pessoa que você esperaria ver bebendo leite de Yak na estepe Mongol, mas adoro viajar e sou sempre o primeiro à dizer “sim” para uma expedição ridícula como esta.

"Oi, eu sou um yak."

Depois de assistir o documentário "Pryamo, Pryamo" pela centésima vez, pensei comigo mesmo, “Tenho que ir!”. 

Imediatamente comecei a procurar todos os vídeos possíveis sobre o Mongol Rally, ler blogs, ver fotos e até começar a planejar a rota baseado no que mais tinha gostado. Já comecei a olhar carros e entrar em contato com participantes das edições passadas. 

Mas essa não é uma aventura para se fazer sozinho. O próximo passo era achar um companheiro de equipe, o que não seria tarefa fácil.

Ignorando o fato de que a grande maioria da população nem sequer se atreve a largar suas vidas confortáveis e luxuosas férias no Havaí, para ser espremido dentro de um carro minúsculo por quase dois meses, acampar no quintal de alguma família em troca de uma camisa de futebol e arriscar ser sequestrado por jihadistas no Afeganistão, não é fácil conseguir dinheiro para algo assim. 

Quem nos dias de hoje pode ou quer largar tudo e viajar por dois meses em condições inóspitas?

Conversei com muitos amigos, família (e estranhos), tentando convencê-los de que esta seria uma viagem inesquecível, no bom sentido.

"Por que diabos você faria algo assim?"

Esta foi resposta que mais comum que recebi sempre que mencionava o rali.

Mais de dois anos se passaram e no final de 2014, quando um amigo de longa data, o Igor Gaelzer, estava visitando a Bay Area, e randomicamente mencionei à ele a idéia de participar do rali, finalmente encontrei o primeiro companheiro de equipe!

Foi algo extremamente natural. Algo em torno disto:

– Igor, curtiu a idéia?

– Demais. Estava mesmo pensando o que fazer no próximo verão.

– Fechou então?

– Fechou todas.

Foi assim que a equipe Yakin’ Around for formada. No dia seguinte já fizemos a inscrição!

Pra ser sincero, não foi o primeiro nome. Inicialmente éramos conhecidos como "The Other Polos", em referência à Marco Polo, mas depois de uma intensa deliberação decidimos por batizar a equipe de "Yakin' Around". "Horsin' Around", mas com Yaks (animais típicos da região que vamos conhecer). :-)

O Igor mora em uma pequena cidade germânica no sul do Brasil, Nova Petrópolis. Ele é o fundador da Nordweg, uma marca de mochilas e bolsas de couro legítimo. 

Nas palavras do próprio:

"Estava procurando uma aventura para fugir da vida sempre planejada, segura e confortável. Eu adoro o inesperado e acredito que são os momentos em que as experiências e aprendizados mais inesquecíveis da vida acontecem. É quando me sinto mais vivo, e o Mongol Rally parece a viagem perfeita."

Os integrantes ainda mais inesperados da equipe

Porém o time ainda não estava completo. Precisávamos de um fotógrafo.

Os quatro bravos da Yakin' Around

Entramos em contato com algumas pessoas, mas encontrar alguém disposto à largar tudo por dois meses e se juntar à equipe não foi fácil. Não desistimos, e depois de algumas semanas disparando emails e ligações, recebemos uma resposta do Neto. O Neto é um fotógrafo brilhante de Minas Gerais e que recentemente viajou para Dinamarca para fotografar a Aurora Boreal. Ele conheceu o Igor enquanto estava buscando patrocínio para a expedição à Dinamarca. Tudo se alinhou e começamos a planejar os detalhes.

Foram alguns meses planejando a rota, os vistos necessários, a compra do carro, a documentação necessária, o equipamento, o website, blog, tracker, redes sociais. As propostas para patrocinadores, o press release, os contatos com a mídia. Literamente, centenas de detalhes resolvidos – aliás, vamos dissecar a preparação, tudo que deu certo e errado, em outro artigo.

Faltando pouco mais de um mês para a largada, o Neto teve alguns problemas pessoais. Tentamos de todas maneiras resolver tudo, mas não teve jeito, ele precisou abandonar. Por ser tão próximo da data, ficaria difícil encontrar alguém com tempo, vontade e, principalmente, disposição pra embarcar nessa aventura com a gente.

Diante disso pensamos: “Quem nós conhecemos que toparia uma coisa assim?”

Foi aí que o Matheus entrou na história. O Matheus é aquele tipo de pessoa que não sabe recusar convite pra uma festa e ao mesmo tempo pensa que a vida é uma festa. Só precisou de cinco minutos de conversa pra se interessar, um dia pra organizar sua vida e então se tornar o terceiro integrante da equipe.

O Matheus vive atualmente em Rio Grande, uma cidade ao extremo sul do Brasil. Ele também já morou em Porto Alegre e São Paulo, e está se mudando para Itália alguns meses após o rali, completamente mudando o rumo da sua vida. Conforme ele, o rali é uma ótima oportunidade para mudança.

A essa altura considerávamos a equipe completa, mas após a confirmação do Matheus, o Igor foi procurado por um fotógrafo que ficou enlouquecido com a ideia de poder participar e registrar uma aventura inter-continental como essa, e foi aí, depois um post no Facebook, que o Rodrigo entrou na história.

O Rodrigo é fotógrafo em tempo integral, não é do tipo que procura aventuras radicais, mas não conseguiu parar de pensar na possibilidade de fazer essa road trip entre a Europa e a Ásia. 

Suas poucas dúvidas sumiram ao ser incentivado pela esposa, que sabia ser algo que o marido amaria fazer, além de ser uma oportunidade única para treinar seu olhar no velho continente.

Assim a equipe chegou aos quatro integrantes e hoje está em Londres finalizando os preparativos do carro, da documentação e dos vistos para largar no próximo dia 19 de julho.

A rota!

Neste rali não existe rota definida, cada equipe é livre para escolher a que achar mais interessante. 

Há uma variedade de rotas “sugeridas” que as equipes podem tomar. Depois de sair da Inglaterra ou um dos outros locais de partida na Europa Ocidental (incluindo a França, Itália e Espanha), os participantes geralmente procedem para a festa de lançamento em Praga.

Rotas típicas então partem em direção de Moscou, Kiev ou Istambul, embora equipes tenham viajado até o extremo norte no Círculo Polar Ártico, e ao extremo sul como o Irã, Turcomenistão e Afeganistão. A etapa final do rali leva os veículos que sobreviveram para a Mongólia, passando pela capital, Ulaanbaatar, para então seguir à linha de chegada em Ulan-Ude, na Rússia.

Nenhuma das rotas disponíveis é confortável ou segura: danos a carros, assaltos e pequenos ferimentos são comuns. Ano após ano, com o ganho de popularidade do rali, ocorrem mais e mais acidentes de carro e muitos participantes necessitam de tratamento hospitalar. Em 6 de agosto de 2010, um participante britânico morreu e um outro ficou gravemente ferido após um acidente de carro no Irã (perto da fronteira entre o Irã e Turcomenistão).

Dependendo do caminho, a distância varia entre 8 a 10.000 milhas (aproximadamente 13 a 16.000 quilômetros). A maioria das equipes conclui o rali em três a seis semanas.

A nossa opção de rota foi a mais longa ao sul, percorrendo, nesta ordem:

  1. Inglaterra, 
  2. Bélgica, 
  3. Alemanha, 
  4. República Checa, 
  5. Eslováquia, 
  6. Hungria, 
  7. Romênia, 
  8. Bulgária, 
  9. Turquia, 
  10. Geórgia, 
  11. Armênia, 
  12. Irã, 
  13. Turcomenistão, 
  14. Uzbequistão, 
  15. Tajiquistão, 
  16. Afeganistão, 
  17. Quirguistão, 
  18. Cazaquistão, 
  19. Rússia, 
  20. Mongólia.

Para então retornar à Rússia e atravessar a linha de chegada.

Um dos nossos objetivos é visitar partes do mundo que praticamente ainda não foram exploradas, e tudo isso sem o apoio de GPS ou qualquer outra tecnologia de navegação. 

Quando, e se chegarmos à Mongólia, estaremos totalmente dependentes de uma bússola e um mapa de papel. Não haverá estradas ou cidades por um trecho de 2 mil quilômetros.

As Montanhas Pamir serão especialmente desafiadoras. 

A altitude de até 15 mil pés vai reduzir ainda mais a potência do nosso pequeno carro. O trecho de 1,2 mil quilômetros de estrada é precário e freqüentemente está fechado devido a deslizamentos de terra e avalanches. A situação política também é instável na região que faz fronteira com o Afeganistão, por causa dos militantes islâmicos em fuga do Paquistão.

Quando ouvimos falar destes países inevitavelmente pensamos em bombas e guerras, mas sabemos que são muito mais do que isso. Estamos realmente entusiasmados em conhecer mais sobre as riquezas destes lugares e destas culturas, hoje tão distantes da nossa realidade.

O "possante" veículo da Yakin'Around

O rali permite carros com no máximo 1000cc.

A variedade de veículos no Mongol Rally é extrema. Desde carros praticamente novos como Skoda Citigo e Renault Clio, até raridades como o Glas 1700 e 1967 ZAZ 966

A maioria dos carros possui um motor de cilindrada próxima aos 1000cc, mas extremos também existem, como a Ferrari 456 que participou do evento em 2014 (mas não saiu da Europa) e algumas aparições do Citroen 2CV, com apenas 0.6l. A organização abre algumas exceções para veículos de “valor cômico”, como limousines, ambulâncias e caminhões de bombeiro.

Encontrar nosso carro não foi fácil. Tão pouco foi comprar o mesmo remotamente, sem ao menos ter a chance de vê-lo antes. 

Com um pouco de sorte e insistência, conseguimos encontrar outro participante que estava disposto à olhar alguns carros e fechar negócio por nós.

Depois de algumas semanas, finalmente encontramos o carro que irá nos levará à Ulan-Ude: o pequeno Nissan Micra, ano 2002, com apenas 998cc. Comprado nos arredores de Londres por £250 libras.

Com um pouco de fé, esta pequena maravilha da engenharia nos ajudará a atravessar 3 desertos, 5 cadeias montanhosas e 19 países.

Afinal, qual seria a graça de participar em uma Land Rover e nem sequer furar um pneu?

As instituições de caridade que vamos ajudar

Um dos grandes objetivos do rali é a arrecadação de fundos para instituições de c​aridade. Até hoje, a equipe organizadora levantou mais de 5.5 milhões de libras, ou aproximadamente 27.4 milhões de reais, para as instituições selecionadas.

A Cool Earth foi a instituição escolhida pela organização. Ela é uma instituição beneficente que trabalha ao lado de aldeias indígenas para parar a destruição da Floresta Tropical. Ao longo dos últimos 40 anos, metade das florestas do mundo foram destruídas. É por isto que a Cool Earth decidiu tentar algo diferente.

Contamos sobre ela e como doar nesse post em nosso blog.

Além de ajudar a Cool Earth à salvar a floresta tropical na Amazônia, o Team Yakin' Around também está apoiando a Fundação para Crianças Christina Noble (CNCF), levantando fundos para o projeto Blue Skies Ger Village. Você pode encontrar mais detalhes sobre o projeto no site da fundação.

Também criamos uma campanha de crowdfunding no Kikante para nos ajudar.

Contribuindo na campanha, você pode escolher recompensas super legais e ainda enviar alguns desafios para equipe, 100% das contribuições serão doadas para as instituições.

Estamos aguardando quem irá nos desafiar a tomar sopa de testículos na Mongólia

Siga acompanhando a aventura aqui no PapodeHomem ou em nosso blog

Tenho a convicção de que, quando você fica velho, dificilmente vai lembrar de tudo que deu certo na sua vida, mas por outro lado, definitivamente vai lembrar de coisas assustadoras e difíceis que aconteceram com você. 

Para mim, o Mongol Rally é uma chance de abandonar a rotina, experimentar, me desafiar, ajudar o mundo e mudar minha perspectiva sobre a vida.

Vamos relatar toda a jornada e compartilhar nossas experiências em nosso blog e redes sociais:

Também será possível acompanhar o nosso progresso e posição em tempo real pelo tracker, disponível em ​tracker.yakinaround.com.​

* * *

Por fim, aguardo os comentários de vocês pra seguirmos a conversa!


publicado em 20 de Julho de 2015, 01:23
Martin spier

Martin Spier

Atualmente mora em San Francisco. Já viajou para mais de 100 cidades em 20 países diferentes e ainda sente que isso é só uma fração do que há para se ver nesse mundo.


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