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Namoro na TV: até quando?

Economia aquecida é sinal de ilusão. A primeira delas é fruto da própria economia. Quem te disse que vai ser moleza comprar imóvel? E mudar de emprego ou galgar a posição que você sempre quis? Na micro-esfera, a economia muda para poucos. Na macro, para todos, o país está melhor, não é verdade?

Com a economia aquecia, sobre verba pra cultivar o romance na televisão

Mas suponha que você mudou de emprego. Passou o tempo e isso não te deixou satisfeito. Você também quer ser reconhecido como um cara bacana, cheio de estilo, rodeado pelas pessoas que você admira e com desejo de ser admirado pelos outros da mesma forma.

Vivemos num país que, no papel, é democrático, mas que tem o dia a dia da democracia mais exercido puramente com dinheiro. Se você tem algum sobrando, tem acesso aos lugares em que sempre quis estar. E nem precisa abrir a boca lá, pois a maioria tende a não valorizar o que você tem a dizer. Ponha uma garrafa de uísque na mesa e está tudo certo.

Mas o status que você sempre buscou não te completa. Falta algo em sua vida que já não se basta das glórias do trabalho e das realizações pessoais. É o amor. São inúmeras as ferramentas para procurar sua alma gêmea. Dos sites aos bares, você passa por todas elas. E fica aquela sensação que acomete mais as mulheres do que os homens: ninguém quer algo sério.

Até que um amigo produtor de TV te chama para participar de algum programa de auditório que promove o encontro de “gente que quer se conhecer”. Você tem que ter um trabalho bacana e ser bem apessoado para se candidatar. Feios ou desempregados não podem usar a TV como ferramenta. De gaiato ou de farra, você pensa: “por que não participar?”.

E lá você está. Gel no topete, homem bem sucedido, futuro promissor, coração palpitando. Na sua frente, as candidatas que, como você, buscam um relacionamento. Como na vida fora da TV, você vai eliminando rapidamente as que parecem ter menos afinidade. Diferente de uma balada, o tempo para conhecer melhor a cabeça dos interlocutores dá uma sobrevida às que seriam desclassificadas pela aparência.

Findo o jogo, é anunciada a vencedora. Beija ou não beija? A plateia faz pressão. E é aí que começa a sua história. Uma, duas ou três semanas depois, a coisa pode ou não ter engatado. Meses depois, a relação cai nas particularidades que chacoalham e incendeiam todo casal.

Namoro na TV e a montanha-russa dos relacionamentos modernos

Sua humilhante ou divertida exposição midiática da busca de um relacionamento vai se encaminhar para o dia a dia morno e feliz. Está dando certo até hoje? Você pode voltar à TV para mostrar um balanço de sua relação. Afinal, como na economia, o amor também muda para poucos. Só na esfera macro predomina a ideia de que a vida amorosa vai melhorar para todos.


publicado em 22 de Setembro de 2011, 07:10
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Leonardo Moura

Leonardo Moura é o carioca mais paulistano que existe. Formado em jornalismo e administração, trabalha há mais de 10 anos em mídia eletrônica segmentada. É autor do livro "Como Escrever na Rede - Manual de Conteúdo e Redação para Internet" e do blog "O Mundo em 2 Dias".


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