Nos bastidores do Bella da Semana: entrevista com Alexandre Peccin

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O brasileiro Alexandre Peccin se inspirou na visão de Hugh Hefner e seguiu o caminho de Donald Trump. O resultado da combinação explosiva, junto com sua paixão pela beleza feminina, foi a criação do Bella da Semana.

Depois de conquistar o Brasil, já está com posição internacional garantida e critica duramente a Apple, fazendo analogia com o totalitarismo do governo chinês.

O Alexandre é esse em destaque na foto.

O começo

VICTOR LEE: É lendária a história do Hugh Hefner, com a foto da Marilyn Monroe, criando a primeira edição da Playboy. Poderia contar para nós a história da criação do Bella da Semana?

ALEXANDRE PECCIN: No princípio, quando eu era pequeno, pegava escondido as Playboys do meu pai e, de tanto ver, comecei a me interessar a colecionar a revista e aprender sobre isto, mas sem imaginar que iria trabalhar no ramo.

Até que comecei a dirigir um programa de televisão junto com um amigo meu, no canal 20 da NET de Florianópolis.

Neste programa, fiz um quadro que mostrava um vídeo com as principais modelos de Florianópolis. Como o programa era semanal,veio o nome "Bella da Semana". Este quadro do programa começou a se destacar e então resolvi sair da TV local e ir para a Internet para poder ampliar o negócio. O site foi lançado em fevereiro de 2001.

Naquela época, o único site do segmento no Brasil era o Morango. O Bella foi o segundo site da categoria no Brasil.

Foto do Alexandre.

VICTOR: Quais foram as fontes de inspiração e que tipo de filosofia permitiu a superação e constante crescimento?

ALEXANDRE: A fonte de inspiração foi a Playboy americana, que trabalhava com qualidade total, coisa que até então não se conhecia em fotos e vídeos de modelos no Brasil. Posso dizer que se Hugh Hefner trouxe a inspiração. O exemplo seguido foi o de Donald Trump.

Admiramos muito também toda a luta de Larry Flint, que foi até a mais alta corte americana para garantir a liberdade de expressão de sua revista.

Nossa filosofia para o crescimento constante é a satisfação do usuário através da qualidade total em fotos e vídeos. Somos muito cuidadosos, detalhistas e perfeccionistas com as imagens que colocamos no ar sem com isto exagerar como é de costume no Photoshop.

Alexandre sentado.

O trabalho

VICTOR: O sucesso do Bella se dá pela sua cuidadosa direção de ensaios, mantendo a alta qualidade do conteúdo. Como aprendeu os ossos do ofício? Existe alguma experiência anterior que o impulsionou para o campo da fotografia?

ALEXANDRE: Como comentei, comecei cedo a gostar de fotos de modelos. Antes de lançar o site já tinha visto em fotografias mais de 500.000 mulheres nuas. Aprendi sozinho de tanto ver fotos. Como sou muito perfeccionista, detalhista, e vivo em busca da beleza em todas as coisas, o aprendizado veio ao natural tanto que, mesmo sem ter feito cursos de fotografia, dirigia os ensaios com fotógrafos famosos.

VICTOR: Ser fundador de um site de conteúdo adulto de sucesso como o Bella é sonho de muitos homens, que possuem fantasias muitas vezes irreais. Poucos são os que sabem como é a operação do dia-a-dia de um grande empreendimento complexo que envolve muitas pessoas. Que aspectos de seu trabalho você nunca imaginava encontrar antes de começar? E quais as expectativas que tinha que se revelaram diferentes da realidade?

ALEXANDRE: O Bella não possui exatamente conteúdo adulto. Estamos na área do sensual, com padrão de qualidade americano e liberdade de europeu, que não acha estranho ver seios ou bumbum.

Realmente este trabalho é um sonho de muitos homens, porém não é esta moleza que o pessoal imagina. O trabalho é diário, constante e puxado, envolve muitas pessoas, contratos, advogados etc... como qualquer outra empresa. Uma das coisas mais complicadas é lidar com o ego de modelos depois que as ajudamos a ficarem famosas.

No começo o Bella cresceu muito rápido e eu imaginei que fosse fácil ganhar dinheiro com isto, mas tivemos que suar a camisa para poder rentabilizar.

Mas é um trabalho bem gostoso e divertido, só tem que ter cuidado para não se apaixonar toda semana.

Alexandre em pé.

VICTOR: Pode falar um pouco de suas estratégias de expansão em novos mercados, visão empresarial, gerenciamento de equipe, tratamento a clientes e gerenciamento de riscos? Que lições de negócios tem a ensinar a nossos leitores?

ALEXANDRE: Montamos uma equipe bem focada para o mercado exterior. Com a qualidade do nosso conteúdo, conseguimos rapidamente fechar negócios com os maiores players mundiais na área de celular e já temos conteúdo mobile em quase noventa países.

Como o nome Bella da Semana é bem complicado em outras línguas, tivemos que criar um novo nome para o exterior. Então surgiu o Bella Club, duas palavras internacionais e de fácil assimilação. Aí fizemos o site do Bella em Portugal (como o mesmo nome do BR), nos EUA, Inglaterra, México e, posteriormente, para evitar preconceitos em relação a países, fizemos a Bella Internacional em inglês e em espanhol para evitar que pessoas que não gostem dos EUA, Inglaterra e México possam entrar no site e ler o conteúdo em suas línguas.

Também fechamos negócio com a Fashion TV Internacional, o maior canal de moda no mundo, que divulga nossos vídeos em 130 países.

Pedimos desculpas pela repetição, mas só conseguimos fotos do Alexandre trabalhando.

Em relação a clientes temos um cuidado enorme para exceder às expectativas e também no suporte, que é rápido, eficiente e valoriza sempre o cliente.

A lição que o Bella traz para os leitores é a importância de se ter diferenciais em relação aos concorrentes e acreditar muito no negócio, descobrir oportunidade de negócios que ainda não estão na internet, um nicho de mercado que ainda não foi explorado ou esta sendo mal explorado ou ainda lançar algo novo.

Também é preciso trabalhar com qualidade total, ter muita dedicação, trabalhar 24h por dia, 7 dias por semana, até o negócio decolar. Depois que decolar, pode trabalhar 23:59 horas por dia. ;-)

Alexandre sentado no sofá.

Crítica a Apple

VICTOR: Recentemente, a Apple arbitrariamente removeu Apps da iTunes Store com alegações de conteúdo inapropriado, incluindo o do Bella. Pode contar um pouco mais deste episódio? Quais são as alternativas para explorar a crescente oportunidade com a Internet móvel?

ALEXANDRE: Segue artigo do Bella da Semana a respeito do ocorrido:

Apple imita a China
A multinacional Apple, já conhecida por não deixar que os donos de iPhones instalem o aplicativo que desejam em seu telefone, agora imita a censura chinesa e resolve definir o que é adequado ou "altamente inadequado " - conforme palavras do vice-presidente da Apple, Phil Schiller, em entrevista ao The New York Times - aos usuários do aparelho. Ou seja, os donos de iPhone não podem decidir o que é adequado, pois a Apple já decidiu por eles. É como se o usuário comprasse um computador novo e a fabricante do equipamento só permitisse a instalação de aplicativos vendidos e liberados por ela.
Este fato derruba a liberdade de expressão, bem como a liberdade sexual - avanço que, em países civilizados, permite que cidadãos possam acessar todo tipo de conteúdo, seja sensual, erótico, pornográfico ou gay, de acordo com sua própria vontade.
Cinco mil empresas acreditaram na Apple e investiram tempo e dinheiro para lançar aplicativos na APP Store, inclusive seguindo os critérios obscuros do que é “adequado” para a companhia. Após isso, são repentinamente avisadas de que seus aplicativos foram retirados do ar, de forma totalmente arbitrária.
O mais curioso é que aplicativos da revista Playboy e calendários de mulheres seminuas da Sports Illustrated não foram retirados do ar. A explicação de Schiller para casos como estes seria de que se tratam de “empresas conhecidas com material publicado em formato de grande aceitação”. É como se os outros países também não possuíssem conteúdos de “grande aceitação”. Novamente, a Apple tomou a decisão sozinha.
Isto nos leva a questionar qual será o próximo passo da Apple. O bloqueio do Safari, seu navegador, para sites que a empresa considera inadequados?
A Apple precisa, enfim, adaptar-se ao mundo democrático. Precisa derrubar as barreiras que impedem a livre circulação de todos os aplicativos, o que inclui deixar para trás critérios subjetivos de aprovação de conteúdos e a obrigatoriedade da passagem pela Apple Store. Assim como fazem todos os fabricantes de computadores e de sistema operacional, a empresa deve sim liberar em sua loja os APPs com conteúdo sensual, pornográfico ou gay.
Alexandre Peccin
CEO - Bella da Semana

Alexandre apoiado na cadeira.

Em relação às oportunidades da internet móvel elas já não são mais opcionais e sim obrigatórias para quem quer crescer no mundo digital.

O Bella da Semana foi o primeiro fornecedor de conteúdo fotográfico para mobile na América do Sul, entramos junto com a TIM no lançamento, na época menos de 1% do celulares tinham tela colorida e mesmo assim entramos no negócio para sermos pioneiros na área.

VICTOR: Alexandre, muito obrigado por sua sinceridade nas respostas e por disponibilizar um pouco de seu valioso tempo para compartilhar com todos os leitores do PapodeHomem um pouco sobre sua história. Valeu mesmo!

...

Pessoal, para os que quiserem continuar acompanhando os bastidores do Bella, aqui vai o blog e o Twitter.

Podem deixar algumas perguntas aqui e tentarei fazer a ponte com o Alexandre, já adiantando que como ele está bastante ocupado com novos projetos não é garantido ter resposta para tudo, mas vamos tentar!

Bônus: wallpaper para download

De nada.

publicado em 30 de Junho de 2010, 14:27
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Victor Lee

É o embaixador europeu da PapodeHomem e está sempre de malas prontas para ir onde tem mulher bonita. É autor do "From Victor With Love - Diário".


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