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Nos relacionamentos, os opostos não se atraem

Na verdade o que nós queremos ver nos outros é mais de nós mesmos

Uma das coisas que mais ouvimos quando um casal com indivíduos muito diferentes entre si se forma é que os opostos se atraem. Aplicando da maneira mais rasa possível esse princípio físico, o senso comum assume esperançosamente que as características de um serão complementares a do outro e assim, portanto, eles terão chances de prosperar juntos.

O pesquisador Michael Kosinski da Stanford Graduate School of Business, porém, duvidou dessa hipótese e no melhor estilo "quem vê cara, não vê coração" pediu truco. Ele liderou um estudo que comprovou que casais muito diferentes que dão certo podem não só estar com os dias contados como são exceções.

A conclusão do trabalho chamado "Birds of a feather do flock together" (uma expressão idiomática que quer dizer algo como 'farinha do mesmo saco') indica que ao invés de buscarmos características complementares às nossas, o que procuramos num parceiro ou parceira quando queremos começar um relacionamento ou uma amizade é mais de nós mesmos.

"As metades da laranja"

A novidade no estudo ficou por conta do método utilizado. Ao invés de utilizarem um questionário padrão pré-formatado e pedir pras pessoas se autoavaliarem, os pesquisadores coletaram os 'likes' e a escolha de palavras nos próprios posts e nas respostas aos posts de outras pessoas de mais de 8 milhões de pessoas ao redor do mundo através do Facebook. Foram tantos dados gerados que foi necessário contar com a colaboração de pessoas de mais de 100 universidades diferentes.

Segundo os pesquisadores, coletar os dados das pessoas 'agindo naturalmente' ajuda a criar um perfil mais preciso da personalidade delas, evitando o que eles chamam de "efeito referência-grupal". Esse efeito acontece nos questionários padrões quando, por exemplo, uma pessoa se define como introvertida apenas porque vive num ambiente com pessoas muito extrovertidas.

A pesquisa que julga ter conseguido eliminar o viés de confirmação dos questionários e coletado dados em escalas muito maiores vem para corroborar algumas informações que nós já sabíamos:

"Cara de um, fucinho do outro"

Esta pesquisa de 2010 indicou que as pessoas achavam fotos de estranhos mais atraentes quando as fotos eram digitalmente alteradas e passavam a incluir traços de sua própria fisionomia.

Já este levantamento realizado em 2014 analisou mais de 1 milhão de 'matchs' gerados por um site de encontros e mostrou que as pessoas preferem parceiros parecidos não só na aparência quanto na personalidade.

Um outro estudo realizado ainda em 2005 usou gêmeos idênticos para mostrar que não só os irmãos se parecem como, na maioria das vezes, as parceiras dos irmãos também tem muitas semelhanças físicas.

Tudo pode ser explicado por razões biológicas. Pode não parecer muito justo, mas nossos instintos são treinados para nos dizer se uma pessoa é confiável ou não e um dos 'critérios' usados pelo nosso inconsciente é a semelhança física além de reações faciais transmitidas pela boca e pelos olhos que demonstram traços de personalidade.

"Espelho, espelho meu"

Mas tudo fica ainda mais esquisito quando levamos em consideração que existem pesquisas que mostram que além de já escolhermos pessoas parecidas conosco, também acabamos ficando mais parecidos com nossos parceiros ao longo do tempo.

Esse estudo realizado em 2012 comparou fotos de pessoas quando começaram a namorar e 25 anos depois e revelou que os traços físicos semelhantes aumentaram imensamente. O que é meio óbvio considerando que eles compartilharam hábitos alimentares, estilos de vida e talvez até as atividades físicas durante tanto tempo.

A gota d'água, porém, fica por conta da conclusão dessa pesquisa realizada desde 1987: casais parecidos fisicamente também tendem a ser mais felizes e, portanto, ter relacionamentos mais duradouros.

Pode parecer um pouco assustador: no geral, somos mais narcisistas do que imaginávamos; mas essa conclusão científica também ajuda a aliviar um pouco a tensão das relações.

Em momentos de conflito, é mais fácil chegar a uma compreensão partindo dos pontos em comuns que os parceiros compartilham. Afinal de contas, há muito e cada vez mais um pouco do outro em nós mesmos e um pouco de nós, nos outros.

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publicado em 13 de Novembro de 2017, 17:14
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Redação PdH

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