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"Nós vamos transmitir o fim do mundo ao vivo"

A CNN, seu plano de transmissão do fim do mundo e o vídeo que vai encerrar a nossa existência

De antemão, peço perdão por ser explicativo demais, mas juro que é necessário. E, se não for, espero que ninguém se ofenda.

A CNN é um canal americano de televisão, Cable News Network, e foi fundado em 1980. Na época, não era como hoje, quando canais de televisão têm programação 24 horas e isso simplesmente existe, como a energia elétrica ou a água encanada.

Naquele tempo, era inviável manter uma programação usual, muito menos notícias. Então, essa foi uma grande coisa. O primeiro canal 24 horas e o primeiro canal totalmente de notícias.

Para fazer tudo parecer ainda mais grandioso, Ted Turner, o cara que estava à frente de tudo, declarou o seguinte:

"A não ser que tenhamos algum problema com nossos satélites, não vamos parar de transmitir até o fim do mundo."

Parece apenas um exagero, para as pessoas perceberem o tamanho da visão dele, mas não. Ele estava falando sério. Seus planos eram mesmo de transmitir até o fim de nossos dias.

"Nós vamos estar no ar e vamos cobrir o fim do mundo, ao vivo, e este vai ser o nosso último evento. Vamos tocar o hino nacional uma única vez, no dia primeiro de junho [o dia no qual a CNN fez sua primeira transmissão] e quando o fim do mundo chegar, vamos tocar 'Mais Perto, Meu Deus, de Ti' antes de desligarmos."

Havia boatos de que, para fazer jus à sua promessa, ele guardou uma fita cujo conteúdo era uma banda tocando a tal música. Inclusive, a New Yorker fez uma reportagem com essa história. Mas, mesmo assim, isso tudo era levado como um mito.

Até que, agora, Michael Ballaban, produtor de conteúdo no Jalopnik, postou um vídeo com o que seria a fita.

A princípio, a pretensão de guardar um vídeo com o aviso "tocar apenas em caso de confirmação do fim do mundo" só poderia mesmo ser fruto de uma mente situada no fervor da guerra fria.

Pra nós, seres que vivem no século XXI, até parece que não temos muito com o que nos preocupar, afinal, não é como se fossem mesmo explodir todas aquelas bombas atômicas.

Mas, se parar pra observar bem e lembrar que várias ilhas no mundo estão desaparecendo devido ao nível do mar que sobe, se virmos que a catástrofe em Fukushima já gera efeitos danosos em todo o globo, que a falta de água não é uma ameaça exclusiva dos paulistanos, que cada estação traz consigo novos recordes de alteração nos extremos das temperaturas, que quando não morremos de fome, estamos obesos, que ficamos cada vez mais tensos, agitados e infelizes, que seguimos matando e nos debatendo sobre nossas próprias ondas de ódio, talvez a gente acabe mesmo vendo esse vídeo indo ao ar algum dia.



publicado em 13 de Janeiro de 2015, 21:03
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Luciano Andolini

Cantor, guitarrista, compositor e editor do PapodeHomem nas horas vagas. Você pode ouvir no Spotify. Também escreve no Medium e em seu blog pessoal. Quer ser seu amigo no Facebook e Instagram.


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