O andarilho do amor

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O andarilho. Faltam muitas escritas sobre essa figura.

Em inglês, hiker (andarilho) é uma palavra associada a pessoas que praticam "longas e vigorosas caminhadas pelo campo", geralmente feito em trilhas. Para caminhadas menores e consideradas urbanas, é usado o termo "walker" (algo como "caminhante"). Ainda nos termos, o hiking, ato de caminhar pela natureza, deu uma desenvolvida no século 18, meio que impulsionada pelos pensamentos do movimento romântico.

Já a caminhada urbana sempre foi vista como vadiagem. Sai andando por aí o vagabundo, o louco. Todo aquele que não quer contato com a sociedade ou já não faz mais ideia do que isso seja se levanta e começa a andar. É maluca -- como quase sempre foi -- a dicotomia.

Steve Fugate poderia ser considerado um louco. Um homem de 66 anos que, há quase 15, vive como andarilho nos Estados Unidos. Sua caminhança teve início em Vero Beach, Flórida, após a morte de seu filho, em um suicídio decorrente de crise depressiva. Em sua homenagem, Steve decidiu caminhar.

Essa decisão se transformou em seis anos de caminhada. Milhares de quilômetros foram percorridos e, já no pensamento de finalizar sua tarefa e parar de andar, ele recebeu a notícia de que sua filha morrera de overdose acidental de remédios. Ela tinha esclerose múltipla.

Desde então, Steve fez uma placa com o inscrito "Love Life" ("ame a vida"), botou tudo nas costas e continuou sua caminhada. Um andarilho dedicado a transformar a vida das pessoas. Já foram mais de 50 mil quilômetros e ele está atravessando os EUA pela sétima vez.

O velho Steve, caminha com as próprias pernas e faz tudo com suas mãos. De cidade em cidade, seu propósito está em descobrir novas pessoas, ouvir suas histórias e compartilhar suas ideias do amor. Os amigos que ele vai colecionando viram fotos postadas em seu Facebook.

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Fuga da sua verdade, extrema dificuldade em lidar com seus pesares, um homem que vive correndo do que deveria enfrentar.

Mais do que pensar o que fez com que o velho Steve começasse sua caminhada, virasse um andarilho, começasse a querer impulsionar pessoas (como se fosse uma forma de conduzir a si próprio), vale cogitar como sua posição é interessante e, se podemos salvar o mundo lavando louça, a pia dele tá que dá até pra se ver nela.

Steve anda de cidade em cidade, conversa com pessoas, para em lanchonetes de beira de estrada para fazer suas refeições, carregar seu celular e seu computador. Ele faz suas coisas sozinho, dia após dia, até ficar difícil demais para dar conta.

Como ele veio parar aqui não importa, na verdade, mas sim o que ele consegue fazer desse exato ponto. Hoje, ele consegue impactar pessoas positivamente, seja parando em algum ponto do país e conversando sobre o amor e suas experiências com perdas e recuperações, seja apenas gerando um sorriso ou outro quando recebe buzinadas na estrada com sua placa em cima das costas.


publicado em 12 de Março de 2014, 08:58
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Jader Pires

É escritor e colunista do Papo de Homem. Escreve, a cada quinze dias, a coluna Do Amor. Tem dois livros publicados, o livro Do Amor e o Ela Prefere as Uvas Verdes, além de escrever histórias de verdade no Cartas de Amor, em que ele escreve um conto exclusivo pra você.


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