"O ano só começa depois do carnaval" é o caralho

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"O ano só começa depois do carnaval" é o caralho.

Ou vocês acham que os 86 textos de fevereiro foram publicados assim, do nada? Como diz Muricy Ramalho, "isso aqui é trabalho, meu filho". Desde janeiro.

(Ou melhor, desde 2006.)

E estes foram os 10 textos mais lidos de fevereiro:

1. [18+] Guia ilustrado do sexo oral em meninas, por Lasciva (51.180 visitas)

Nada é tão excitante quanto perceber o olhar de desejo de um homem enquanto contempla a garota totalmente nua. Como se todo o tesão do momento, para ele, consistisse em apreciar o seu corpo e fazê-lo se retorcer de tanto prazer. Olhe nos olhos, repare em cada belo pedacinho da mulher que você vai comer.

2. E se a sua mulher engordasse?, por Alex Castro (26.017 visitas)

Brosnan e Keely Shaye Smith estão juntos há quinze anos e tem dois filhos, um nascido em 1997 e o outro em 2001. Olha a foto. Duas pessoas lindas, mais que eu e você. Parece que Keely nunca perdeu os quilos que ganhou com o segundo filho. Ou vai ver nem tentou. Ou vai ver não quis. O fato é que, de lá pra cá, ela engordou. (E ele também, claro, quem não engorda com a idade?) Naturalmente, isso tudo seria uma não-questão (me perdoem por estar falando nisso!) se a imprensa-abutre de celebridades não tivesse caído em cima. De repente, todo mundo tem opinião.

3. [18+] Mulheres peludas e mulheres sem cotovelo, por Alex Castro (17.703 visitas)

Realmente, não entendo esses padrões atuais de beleza que exigem que as mulheres pareçam e se comportem de maneira cada vez mais infantilizada – porque, de fato, quem não tem pelo é criança e pré-adolescente.

4. O privilégio de não ser negão (Racismo e normalidade – Parte 1), por Alex Castro (16.406 visitas)

É impossível falar de racismo sem falar de normalidade. O racismo nada mais é do que uma implementação radical da normalidade. Só existe um “outro” que pode ser excluído porque existe uma normalidade intolerante que o define fora dela. Só existe racismo contra o negro porque ser branco é “normal”.

5. Qual é a cor da Turma da Mônica? (Racismo e normalidade – Parte 2), por Alex Castro (15.726 visitas)

Estava lendo um romance americano. Um dos personagens é faxineiro de escola. As crianças fazem pouco dele. Quando criança, seu pai (que batia na mãe) massacrou toda sua família, menos ele. Quinhentas páginas depois, sou pego de surpresa pela descrição dos cabelos ruivos de sua irmã. Percebo, de repente, para minha imensa surpresa, que passei esse tempo todo visualizando-o… negro. Racismo é isso. É isso milhões de vezes, todos os dias, das mais repetidas maneiras, até que se transforma em um sistema de motor contínuo.

6. 30 autores fodas falam sobre Deus e ateísmo, por Fabio Bracht (12.642 visitas)

"Para ser um cristão você precisa acreditar que por 98 mil anos a nossa espécie sofreu e morreu, a maioria das crianças morrendo no parto, a maioria das pessoas com uma expectativa de vida de 25 anos, com fome, batalhando, guerreando, sofrendo, tudo isso por 98 mil anos, enquanto os céus observavam com completa indiferença. Então, há 2 mil anos, os céus decidiram ‘já chega disso, acho que é hora de fazermos alguma coisa’, e a melhor maneira de fazer isso seria condenar alguém a um sacrifício humano em algum lugar da região menos instruída do Oriente Médio. Não vamos aparecer para os chineses, por exemplo, onde as pessoas sabem ler e estudar evidências e ser civilizadas. Vamos ao deserto e façamos outra revelação lá. Isso não faz sentido. Não é algo que não pode ser acreditado por alguém que pensa."

7. Horóscopo macho para 2012 – parte 2, por Oráculo (11.390 visitas)

Leão (22/07 a 22/08): Ao contrário de Caetano Veloso, não gosto muito de você, leãozinho. E não é porque você é um cara tão entusiasmado quanto as minas escalafobéticas que eu trombo nas baladas depois que elas cheiram o “pó da alegria” que eu sempre carrego; tampouco é pela sua extravagância cotidiana, o que te aproxima muito da aloprada Narcisa Tamborindeguy – com quem nunca cheirei o tal pó. Eu não gosto de você por causa do seu autoritarismo. Você se acha o fodão, o líder, o pica das galáxias. Você se acha editor do PdH. Esta é sua qualidade e seu defeito – qualidade porque terá muito sucesso na sua carreira, a ponto de ter uma bela casa e um motorista competente; defeito porque, enquanto estiver fazendo hora extra, sua mulher possivelmente estará fodendo o motorista competente na sua bela casa, só para se vingar dos seus desmandos. Deve haver uma pesquisa que aponte para o fato de que 79,4% dos cornos são leoninos – e mesmo que não haja, bem que a Veja poderia inventar uma e publicar. Em 2012, prepare-se para jogar dinheiro no lixo com um exame de DNA que apenas comprovará: o filho não é seu.

8. Bom dia, preguicinha, por Rodolfo Viana (10.995 visitas)

9. A primeira vez é sempre foda, por Eduardo Amuri (10.031 visitas)

O fardo era pesado, a expectativa alta e a vontade de sustentá-la diminuía a cada pensamento sincero que precisava deixar de canto para suprir o mar de vontade dos outros. Dessa vez, não havia estudado. Há tempos não prestava atenção na aula. Nunca havia sentido essa sensação de não saber nada, de não desconfiar do conteúdo que seria cobrado. Como não sabia nada de nada, não precisava calcular quanto tempo tem para cada questão. Isso era libertador. Nem tentou. O fracasso irremediável era doce.

10. A economia da felicidade. Onde a grama é mais verde?, por Brett McKay (9.630 visitas)

Possivelmente nenhum outro fator de influência na felicidade tenha sido tão examinado e faça tão parte da cultura popular como dinheiro e riqueza. Há quem diga que dinheiro não compra felicidade, e também há quem diga que os primeiros estão simplesmente comprando nas lojas erradas. A resposta à indagação sobre o dinheiro poder comprar felicidade é crucial, pois influencia muitas das decisões com as quais nos defrontamos na vida. Devemos seguir o caminho que leva a uma carreira mais lucrativa ou ser leais àquilo pelo que somos apaixonados? Devemos aceitar a promoção que oferece mais dinheiro, mas que nos priva de passar mais tempo com a família?

A ESCOLHA DO EDITOR: Meu pai fumava Minister, de Rodolfo Viana

Eu tinha cinco anos quando meu pai saiu para comprar cigarro e não voltou. Ele fumava Minister. (...) Eu esqueci o rosto do meu pai no quinto dia de ausência. (...) Qual o rosto de meu pai? Talvez ele fosse tão barbudo quanto o velho que passava toda terça na rua de casa vendendo biju. Talvez tivesse um olho de cada cor, como o carteiro que entregava cartas aos vizinhos e quase nunca em casa. Talvez sustentasse orelhas de abano com a mesma pompa que o vilão da novela. Talvez ele fosse o Moacyr Franco.

Eu escolhi um conto de minha autoria. Sei que é parcial demais o editor eleger o próprio texto aqui, mas este conto – que talvez nem tenha sido do agrado de todos os leitores, tampouco foi o meu mais popular – foi, na minha opinião, a melhor coisa que eu já publiquei no PdH.

Agora eu quero ouvir de vocês. Como sentiram o PdH em fevereiro?


publicado em 07 de Março de 2012, 08:48
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Rodolfo Viana

É jornalista. Torce para o Marília Atlético Clube. Gosta quando tira a carta “Conquiste 24 territórios à sua escolha, com pelo menos dois exércitos em cada”. Curte tocar Kenny G fazendo sons com a boca. Já fez brotar um pé de feijão de um pote com algodão. Tem 1,75 de miopia. Bebe para passar o tempo. [Twitter | Facebook]


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