[18+] O cinema pornô abandonado

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Obs: esse não é um post confortável. Siga por sua conta em risco.

O sexo tem dessas. Mais do que o sexo, o prazer (um fetiche nem sempre leva ao sexo).

Nem sempre temos situações gostosas com pessoas bonitas fazendo um sexo asséptico em uma mansão ou dentro de um carrão. Suruba, menage, deepthroat, comer o cuzinho, ser possuída por dois gostosos cheios de músculos, ganhar uma chupada -- em uma festa na cobertura -- da Miss Nova Jérsei.

Tem gente que tem tara em violência, submissão, sodomização, borracha, brinquedos, gente desconhecida. Há quem goste só de olhar.

Algumas pessoas morrem de tesão na culpa, no errado, no profano. Mulheres que só gozam quando traem seus maridos, homens que só gozam pagando.

Temos, também, aqueles que sentem prazer no obscuro e sujo mundo do cinema pornô. Paga-se barato ou nada para ver filmes horríveis sentados em cadeiras esporradas ao lado de desconhecidos que estão com o pau para fora, ejaculando no encosto do banco da frente. Na entrada, pode-se pegar um pouco de papel higiênico para limpar as mãos.

Lá dentro, uma mulher cuja beleza e vontade de viver fora sugada há muito tempo -- ou pelas desventuras da vida ou pelas drogas --, vai te oferecer uma chupada ou uma punheta por alguns trocados. Já faz tempo que a idade ou a pedra levou os dentes dela embora. Se não essa, outras prostitutas virão. Não muito depois, um cara vai fazer o mesmo. Por algumas moedas, ele pode chupar o seu pau enquanto você assiste ao filme.

O cheiro é de porra e cloro. Não há ar condicionado lá dentro. Só sangue, suor e esperma.

Mas não se desespere e, por favor, não bote nenhum juízo de valor no desejo alheio.

As fotos aqui de baixo são do antigo cinema para adultos Fox Theatre, em Vancouver, Canadá. O lugar vai ser reformado para ser uma casa de shows, mas o pessoal da reforma registou tudo antes.

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As pessoas viciam na putaria escancarada, não convidativa, compartilhada desse tipo de lugar.

No relato do Leo Morato, publicado em 2012, aqui no PapodeHomem:

Alguns minutos depois, outra mulher aproxima-se, vestida de espartilho e uma saia um pouco menor. Oferece, de forma chula, um sexo oral. Pergunto o preço: “dez reais”. Recuso e agradeço. Em poucos segundos ela retorna e pede para sentar ao meu lado. Acomodada, me faz uma oferta – mais uma vez com linguajar impublicável – uma promoção de duas chupadas por apenas quinze reais. Nego e lhe agradeço mais uma vez. A moça diz trabalhar somente no cinema e presta serviços a seus clientes ali mesmo.“Qualquer coisa é só chamar”. Levanta e vai embora.

O forte cheiro e o calor pela ausência do ar condicionado começam a embrulhar o estômago. O rangido das poltronas balançando é constante. Percebo a aproximação de um homem, ele para na minha frente. Franzino, moreno, de cabelos bem curtos, veste uma camisa social preta de manga comprida, calça marrom, sapato social e uma bolsa masculina, também preta; de joelhos levemente dobrados, com os pés virados um para o outro e roendo as unhas, solta uma voz fina, extremamente afeminada, quase infantil. Me oferece o mesmo tipo de habilidade que as outras duas garotas de programa. Minha resposta é o já repetitivo “não, obrigado”. Ele insiste, quase que implorando: “mas é de graça!”. Nego novamente, com veemência maior, e ele se vai.

Cinema pornô no centro de São Paulo, a Sodoma underground

O segundo comentário mais novo feito logo após o texto:

Roger• 3 meses atrás





Sou frequentador e, acredite, você não viu nada. Sabe o que é pior? Os cinemões viciam, assim como uma droga.

Parabéns pelo texto.

verdade ou não, a firmação pode, sim, ser das mais verdadeiras.





publicado em 24 de Janeiro de 2014, 22:00
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Jader Pires

É escritor e colunista do Papo de Homem. Escreve, a cada quinze dias, a coluna Do Amor. Tem dois livros publicados, o livro Do Amor e o Ela Prefere as Uvas Verdes, além de escrever histórias de verdade no Cartas de Amor, em que ele escreve um conto exclusivo pra você.


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