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O medo do amor descobrir quem eu sou | Do Amor #23

Quando a nossa insegurança prefere deixar aparecer na luz apenas os nossos melhores lados

Não era uma noite incomum, mas eu fiquei sem sono. Tevê desligada, luzes apagadas e um calor lascado dentro do quarto. Vou para a cozinha tomar um copo de água e na volta paro um pouco no batente da porta. A luz do corredor se esparrama nele como eu gostaria de fazer. A quentura da madrugada o fez dormir pelado de novo. De bruços, abraçado a dois travesseiros com a cara enfiada entre eles, a arandela joga o amarelado da lâmpada em três tiras que percorrem as costas dele. Dá pra ver o contraste de luz e sombra dos seus trapézios, os músculos saltam, a curvatura perfeita dos ombros largos. Me encosto na porta e fico só olhando, colocando na minha cabeça a conta de que, mais uma vez, vou dormir com o cheiro do cabelo dele pertinho de mim. 

Queria acordá-lo para jogar todos os elogios que passavam na minha cabeça, repetir a putaria de hoje mais cedo, colocar de novo você dentro de mim. Minha mão formiga levemente e sinto a amolecida do meu corpo. Lembrar já suga minha energia vital, coloca toda a minha atenção no memorial e não em minha coordenação. Enquanto isso, o repouso dele era completo, um sono dado aos justos que nem um corredor aceso atrapalharia. Me sento ao lado da cama e acarinho seu pé, o único para fora do lençol. 

Como eu tô gostando dele.

Do primeiro encontro até aqui foram algumas semanas só, mas as conversas, como qualquer relacionamento novo que avança, eram vastas e das mais íntimas profundidades. A maneira com que ele conseguia arrancar verdades de mim assombrava-me sempre, a confiabilidade que rapidamente adquiri dentro de suas conversas costuradas entre conhecimentos e experiências de vida, as voltas que você dava para laçar minha atenção. Como se já não tivesse me ganhado no apertar de olhinhos quando sorria para me dar oi ao chegar no bar ou no cinema. Me pegava sempre entregue e, mesmo assim, tinha a paciência de me envolver em conversas deliciosas, em ambientações preparadas por ele que faziam de mim o ser mais a vontade deste mundo.

 Sinto sua perna se recolher e vejo que ele muda de posição. Seu corpo se acomoda de lado, braço embaixo de um dos travesseiros, a outra mão calmamente apoiada em sua cintura. O contraste da fragilidade da sua postura com aquele corpo atlético e compacto me faz sorrir. Ele tem o semblante sereno, uma expressão de quem está sonhando com amor. 

E eu comecei a pedir mentalmente, "por favor, não sonha comigo, por favor". Em minha cabeça, quanto menos aguardamentos ele tivesse de mim, mais tempo demoraria para ele conhecer todas aquelas minhas falhas e se desencantar com tudo o que estamos tendo. Apaguei a luz e me deitei na cama de costas pra ele. Chutei sua canela duas vezes e fingi dormir. 

O amor dá um medo do caralho.

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publicado em 15 de Janeiro de 2016, 00:05
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Jader Pires

É escritor e colunista do Papo de Homem. Escreve, a cada quinze dias, a coluna Do Amor. Tem dois livros publicados, o livro Do Amor e o Ela Prefere as Uvas Verdes, além de escrever histórias de verdade no Cartas de Amor, em que ele escreve um conto exclusivo pra você.


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