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O meu (carro) é grande, mas eu queria um pequeno

Desde que chega a idade em que se começa a pensar no assunto, amigos e mídia martelam na nossa cabeça que ele precisa ser grande, forte, pra impressionar, que tem que fazer bonito. É só uma coisa no meio de tudo que forma uma pessoa, mas aquele tamanho todo parece o símbolo máximo a se orgulhar.

Mas não.

Seu carro não precisa ser grande e imponente.

"Eu quero um desse! Não, não o cinza. O verde!"
"Eu quero um desse! Não, não o cinza. O verde!"

Eu nem queria ter carro...

A verdade é que um veículo tem uma capacidade maior de demonstrar o quão babaca se pode ser do que se você é um homem que respeita e é respeitado, se trata bem as pessoas e os animais, fatores muito mais importantes a se levar em consideração quando conhece alguém do que o tamanho do possante. Aceite: seu carro é apenas um meio de transporte e aquele SUV enorme não o torna uma pessoa melhor.

Em tempos de congestionamentos infinitos e ar cada vez mais poluído, o melhor sempre será optar pelo transporte público. Mas se por essas bandas ele não é nem bom e muito menos gratuito. Ainda assim é possível manter a garagem vazia, principalmente contando com serviços de aluguel e carsharing quando for preciso. E com considerável economia.

Mas não tive escolha...

Agora, se sua namorada reclama da falta de um carango, seus itinerários variam demais, seus amigos acham você pão duro porque só anda de ônibus e metrô ou se, por qualquer outra razão, o mundo venceu e o carro se tornou uma necessidade, vá com calma.

Antes de pensar em marca, modelo e preço, pense na categoria. Quantas pessoas vão andar com você em 90% do tempo? A resposta costuma ser nenhuma, no máximo uma. Quanta carga geralmente você transporta? Uma mala de ferramentas, talvez. Então por que um sedan enorme, SUV ou off-road que ocupa quase duas vezes o espaço de um carro compacto e gera mais poluentes?

Então vejamos as opções

Pense num carro pequeno e disponível no Brasil:

O Fiat Uno deve vir à mente. É uma escolha interessante, ficando atrás apenas do Renault Clio em consumo, segundo recente pesquisa do Inmetro (depois dos híbridos que ficam numa categoria à parte). Seu tamanho é razoável, com cerca de 3,7m de comprimento  -- tanto na versão Mille quanto na nova. O Clio tem 10cm a mais, mesmo tamanho do Chevrolet Celta, mas surpreende com consumo de 14,3Km/l na cidade.

E quanto ao Mini, da BMW? De mini, só o nome. O carro tem os mesmos 3,7 metros - apenas 17cm menos que um VW Gol - além de fazer nada animadores 9,3Km/l.

Reduzindo um pouco aparece o Kia Picanto de 3,6 metros (fazendo 12Km/l) e ainda menor em 5cm, o Fiat 500 (11,3 Km/l), tamanho que dá a ele um empate técnico com Cherry QQ (11,8Km/l), Effa M100 (11,5Km/l) e JAC J2 (11,5Km/l).

Quanto aos preços, eis os pontos de partida, em ordem crescente:

Veja que, variando entre 3,54 e 3,89m, são carros pequenos frente aos quatro metros e meio ou mais de modelos maiores e o consumo também é melhor de forma geral, uma vantagem para o bolso e para o meio ambiente.

Toyota IQ leva 4 pessoas fácil fácil
Toyota IQ leva 4 pessoas fácil fácil

Mas existem carros menores, bem menores... no exterior. Da união entre Citroën, Peugeot e Toyota nasceram três carros praticamente iguais, nomeados respectivamente de C1, 107 e Aygo, com 3,4 metros e fazendo bonito por menos de 9 mil euros. Ainda mais curto aparece o Toyota iQ com menos de 3m e ainda assim transportando quatro pessoas numa relação incrível de 20,0Km/l, custando cerca de 13 mil euros.

...e eis o único supercompacto disponível no Brasil

Apesar de historicamente termos o Gurgel com 3,2m de comprimento e o Dacon 828 de apenas 2,65m, talvez eles tenham chegado cedo demais e teriam mais sucesso se fossem lançados hoje.

No momento, o maior expoente na categoria supercompactos do Brasil (ou o menor, enfim), atende pelo nome Smart Fortwo, que eu pude testar ao usar o sistema de carsharing. O veículo tem excelentes 2,69m de comprimento graças a remoção dos bancos traseiros, ou seja, ele leva duas pessoas (sacou o nome?), por isso seu espaço interno não perde em nada para os veículos citados anteriormente, sendo bastante confortável para mim, mesmo com quase 1,90 de altura.

A dirigibilidade lembra um kart, respondendo muito bem nas curvas e com boa aceleração já que seus 54 a 102 cavalos (dependendo do modelo) só precisam empurrar 770Kg + você. A sensação de ter tão pouco carro na frente e atrás é mesmo estranha, mas com a chancela da Mercedes-Benz e uma cápsula de sobrevivência, o medo passa logo.

Já a atenção das pessoas na rua é ganha com facilidade. Todos ficam encantados com o carrinho: "ele é pequeno mesmo, ocupa praticamente meia vaga" (aliás, em diversos países é permitido estacioná-lo na perpendicular, de frente para a calçada, como motos), e tem um visual bem elegante e jovem. O porta-malas de 220 litros pode ser pequeno para algumas situações, mas no geral é realmente suficiente.

Por outro lado, peca nos solavancos a cada troca de marcha automática e na saída de semáforo -- há um delay ao pisar no acelerador por causa do sistema de desligamento do motor ao parar, uma forma de economizar combustível que, aliás, é consumido a menos de 20Km/l na cidade, excelente marca.

O verdadeiro entrave, porém, é outro: preço. Partindo de R$ 52.500,00, a tentação por um modelo maior pode subir à cabeça -- mesmo mal que sofrem Kia Picanto, Fiat 500 e especialmente o Mini.

Então, desapega!

smart-fortwo

Carro não precisa ser grande. Aliás, não deve ser. Os critérios de escolha devem ser segurança, conforto, eficiência energética e, se for bonitão, tanto melhor. Ocupar menos espaço, reduzindo o trânsito, poluindo menos e ainda economizando com combustível.

Isso é uma boa escolha.

Se você precisa de um carro grande para se sentir poderoso, respeitável ou atraente, sugiro reavaliar seus princípios, talvez até se inscrever n'O Lugar. E se alguém avalia você pelo tamanho do veículo, troque... esse alguém.


publicado em 04 de Junho de 2013, 07:00
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Juan Lourenço

Criador do eco4planet para ajudar o planeta e do 2Centavos para descarregar a vontade de escrever sobre coisas, lugares e pessoas. É administrador, desenvolvedor, cinéfilo, gamer e boa companhia. Diz ele.


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