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O porteiro e os ponteiros

Na hora do "vamo vê", quando o porteiro abre a última porta é que a gente se lembra dos segundos gastos do ponteiro da vida

Na passagem de ida sem volta, a gente se vê diante de um porteiro gente fina. Ele é cortês porque seu dever é sê-lo.

Quando o c'est fini é enfim definitivo, o que pesa é o abrir destes tais portões que dão brecha para o outro lado.

Neste ínterim, a gente se pergunta se valeu a pena gastar nosso tempo, nossa ampulheta de coração batendo, enquanto éramos carne fresca e puro vício.

O dito porteiro ri porque sabe. Tem conhecimento das leis naturais e, no entanto, não distingue os contextos. Às vezes, a finitude atropela seu próprio prazo - não se sabe que nosso tempo chegou.

O relógio nos aprisiona num tique-taque dos pegue e pagues do mundo. É urgência atrás de urgência. É felicidade escapando da batida recorde, inalcançável, intangível. O futuro já foi só de olhar a hora que passa fisicamente no nosso corpo, os reais ponteiros de nossa mera existência, mera passagem de vinda.

O que nos leva para frente é o magnetismo com o que nos deixa cheios de tédio - até sexo entedia. Temos que dar um passo à frente do futuro programado, esperar da Morte uma fortuna.

Daquelas que a gente deixa de herança maldita pra quem ficar pra trás, procurando consertar a linha evolutiva do acaso.

Um brinde ao sacana relógio, que nos dá ritmo, impaciência em querer viver de tudo na medida e aparência de ordem. São 24, as horas e milhares, os respingos de segundos.

São estes segundos que têm que vir em primeiro. Gaste-os bem. Bem muito… até dar bom dia ao porteiro mais uma vez.


publicado em 22 de Fevereiro de 2015, 00:00
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Breno Airan

Projeto de jornalista e escritor, affair do Rock n' Roll e visionário do brega. Um dos fundadores do portal Budega das Artes.


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