O que aprendemos com nossos pais?

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A melhor homenagem no Dia dos Pais não vem de cartões, presentes ou frases de efeito. Mas sim, da valorização de histórias.

Por isso, o PapodeHomem reuniu uma série de relatos de toda a equipe. São fatos e aprendizados que carregamos até hoje. Alguns, que se complementam a cada ano convivido e troca de experiências com o velho. Outro, caminhos abertos que possibilitaram a criação de uma carreira ou responsabilidade para seguir o próprio rumo.

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O que você aprendeu com o seu pai?

Roberto Del Grande: responsabilidade.

Aprendi com o meu grande pai a ser responsável e a pensar nas consequências dos meus atos. Aprendi com meu pai a ter transparência, de ser uma pessoa digna, para que eu possa me deitar todos os dias e dormir sem peso na consciência. Aprendi com ele os pequenos valores da vida, para que eu possa tornar-me um grande homem. Humildade e raça sempre para vencer na vida.

Fábio Rodrigues: resolver.

Meu pai vive de consertar, inventar e construir coisas. Desde aparelhos eletrônicos, passando por carros, até casas. Então, tudo que aprendi a consertar, arrumar, parafusar, furar, instalar, cortar, emendar, foi com ele. Aprendi também sobre resolver as coisas de forma prática e rápida, a não perder muito tempo ou nem se meter onde não é necessário.
Mas o ensinamento mais valioso, que ele sempre ofereceu silenciosamente, com seu exemplo, eu ainda não aprendi. É a sua paciência e disponibilidade incansáveis, a boa vontade de ajudar as pessoas ao redor com qualquer coisa, em qualquer lugar e a qualquer hora.
Espero chegar lá um dia.

Alex Castro: reinventar.

Meu pai é empresário no Brasil desde antes de eu nascer. Ele tem todos os defeitos inerentes à isso (reclama o tempo todo do governo, vota na direita, etc) mas também todas as qualidades: nunca vi ninguém cair tanto nem se levantar tanto. Nunca vi uma pessoa se reinventar tantas e tantas vezes.
Meu pai me ensinou que nenhuma derrota é definitiva, que nenhuma queda é pra sempre. Meu pai me ensinou que sempre dá pra fazer de novo, fazer melhor, fazer diferente. Meu pai me ensinou que sempre se pode mudar de caminho, mudar de tática, mudar de ramo. Meu pai me ensinou que o mundo não é de quem nunca cai, mas de quem nunca fica no chão. Que o mundo não é de quem nunca foi derrotado, mas de quem nunca desistiu.
Serei sempre grato.

Ana Victorazzi: atitude.

Meu pai me ensinou a ser opostos. Como assim? Eu explico. Ele me ensinou que a maioria das vezes ter paciência é fundamental, mas também me mostrou que isso é bem diferente de ser acomodada e viver esperando, que lutar e falar o que acredito é nobre e valioso.
Mostrou que tudo bem amar diferenças, que dar risada de piada ruim não me torna pior (só mais boba), que tudo bem se eu gostar mais de laranja que de rosa e se eu preferir os bastidores a ser âncora de um telejornal tudo bem.
Me ensinou a vibrar a cada nova final do American Idol e não importa que eu não more mais com ele, sempre podemos assistir ao programa juntos por telefone. Me ensinou que minha melhor amiga sou eu mesma, mas que posso contar sempre com ele, seja para arrumar uma prateleira, ir ao shopping ou experimentar uma terrível experiência culinária minha.
Me ensinou que não é só coração de mãe que sempre cabe mais um... no dele e no meu também!

Fred Fagundes: ser gremista.

“Não existe nada mais bonito que um estádio de futebol”.
Meu pai não é intelectual, filosofo, cientista ou antropólogo cultural. Não conhece as pirâmides do Egito ou a visão da Torre Eiffel. Jamais esteve na Tailândia, Holanda, Itália ou na Lua. Mas observe a força dessa afirmação. "Nada é mais bonito que um estádio de futebol". Isso, até hoje, soa como um dos maiores aprendizados da minha infância. Ouvi na primeira vez que entrei num estádio de futebol – 10 de agosto de 1994, estádio Olímpico, Grêmio x Ceará - . Meu pai, já com os olhos vermelhos e por meio de uma voz rouca que evitava o engasgo, afirmou que aquela era a visão mais bonita do mundo.
Eu acreditei. E, a partir daquela noite, entendi que o futebol era mais importante que qualquer outra coisa. Graças ao gol do Nildo Bigode naquele jogo, a vitoria, o título e o reflexo filosófico do meu pai eu virei um gremista.

Os Fagundes

Luiza Oliveira: levantar.

Meu pai sempre foi aquele cara certinho. Desde que engatinho percebo que ele é bem trabalhador, um pai e marido super presente e que adora passar aquela boa imagem de sucesso e felicidade para os outros. De certa forma, essas atitudes do meu pai me fizeram acreditar muito em transparência nas relações. Justamente por conhecer e amar meu pai sinto que vi nele um “anti-exemplo”. Todos temos defeitos, todos somos humanos e todos sentimos dor. Esconder não adianta e só afasta quem realmente se importa conosco.
Não devemos nada a ninguém a não ser a nós mesmos. Nos devemos um direito de ser quem somos, e isso aprendi com meu pai na porrada. Amo meu pai porque ele erra, tropeça, chora e não porque ele tenta aparentar ser um homem de sucesso com bons filhos, boa casa e boa esposa. Isso é muito pequeno perto de tudo que ele é. Aliás, isso é muito pequeno perto de tudo que somos. Ele ainda persiste nesse esforço, mas já me alivia sentir que aprendi a não fazer o mesmo pois pode me fazer muito mal.
Ainda assim, ele é o Papai Noel de dois metros com suspensório mais fofo que eu conheço. Se tem uma coisa da qual posso sempre me orgulhar é de que sou muito amada pelo meu pai e com certeza aprendi a ser tão amorosa e carinhosa quanto ele.

Marcos Barreta: não.

Meu pai é o cara mais inteligente e culto que eu conheço - e olha que já conheci umas figuras raras por aí. Em contrapartida, ele é o maior cuzão do mundo. Aprendi algumas coisas com ele, mas a mais importante foi a não ser um pai como ele.

Jader Pires: trabalho.

Aprendi com o meu pai a viver bem a vida que se leva, a fazer o que deve ser feito. Meu pai é um molecão e, pra ele, não existe tempo ruim. Trabalho é trabalho e deve ser feito. A vida é a vida e precisa ser vivida. Não se reclama de trabalho e não se reclama da vida. Tudo se aproveita. As contas chegam, o stress aumenta, os problemas aparecem e tudo - eu disse tudo - há de passar e, do mesmo jeito que a vida bate, com a mesma intensidade ela assopra.
Meu pai é um cara durão, não abaixa a cabeça.Se tem que fazer, será feito. Se tem que aproveitar, é com todo o gosto que vai se aproveitar. Isso nunca mais saiu de mim. Trabalho bastante, pra cacete, mas sempre tenho tempo pra um sorriso, pra fazer alguém rir. Reclamar da vida, dos problemas, isso não é com a gente não. Sempre dá pra passar horas conversando na frente da tv sem deixar ninguém ver os programas que estão passando. Sempre dá pra pegar na mão da pequena e levá-la pra passear, nem que seja aqui do lado. A vida tem que ser vivida, molecada. Quando meu pai for velhinho e eu tiver que cuidar dele, não vai haver reclamação da idade, das dores, dos remédios. Disso eu tenho certeza. E assim será comigo, com os meus filhos.
Se eu tenho amor pra dar, é porque meu pai me ensinou bem o que é o amor.

Julia Ropero: seguir.

Meu pai sempre foi um pai carinhoso, dedicado e super protetor. Nunca deixou faltar nada, principalmente amor.
Hoje devo grande parte de quem sou a ele, que me ensinou que se nos dedicarmos e lutarmos para conquistar o que desejamos. Sem passar por cima de ninguém, sem se aproveitar de outras pessoas.
Vejo ele como um exemplo de superação, garra e dedicação. Dizem que a minha personalidade é muito meu pai, meu jeito amorosa, brincalhona e falante de ser.

Felipe Franco: dom.

Meu pai nunca foi um cara de sentar comigo e me explicar alguma coisa e eu nunca fui paciente de sentar, escutar e aprender. Mas temos muito gostos parecidos. Com isso, eu aprendi mais observando e tirando minhas próprias conclusões. Mas percebi que o maior ensinamento que ele me passou foi a partir de uma brincadeira.
Minha mãe sempre trabalhou em Alphaville e eu sempre morei na Zona Norte de SP, e, para quem conhece, sabe que é longe pra cacete. Quase sempre íamos buscar minha mãe na estação Santana. Como o trânsito de SP é imprevisível, passávamos horas no carro esperando por ela.
Nessa de ficar esperando, meu pai tinha que se virar para entreter  2 crianças hiperativas. Uma das tantas brincadeiras que inventávamos era muito simples, meu pai pegava um pedaço de papel e fazia um rabisco qualquer e a partir deste rabisco eu tinha que fazer um desenho. Como desenho desde sempre, isso era diversão garantida para mim e minutos de tranquilidade para o meu pai. Lógico que no auge dos meus 12 anos eu só via como uma brincadeira divertida.
Hoje, pouca coisa mais maduro, vejo isso diferente. Na verdade essa diversão foi um grande exercício de criatividade, sem querer é claro, mas foi. Tenho muita facilidade em criar e desenhar a partir de pouca informação, o que para quem trabalha neste mercado e recebe briefings pífios toda semana é muito valioso.
De certa forma acabei levando isso como uma filosofia de vida, sem saber. Me tornei um homem muito confiante, não por me achar o fodão, mas sim por saber que consigo me safar de qualquer encrenca só usando minha criatividade, além de sempre estar disposto a qualquer aventura minimamente interessante.
Cheguei a essa conclusão há poucas semanas, depois de fazer um puta trabalho grande em pouquíssimo tempo e com o mínimo de informação, e que foi muito elogiado. Pensei nisso em uma quinta feira às 22hs caminhando do QG para casa, na mesma hora liguei para o meu pai para agradecer e o mais foda foi ouvir a resposta dele:
"Obrigado você filho, tenho muito orgulho de você. Você conseguiu fazer o que eu sempre quis, trabalhar com o que gosta e ser bom e reconhecido por isso. Fico muito feliz em saber que mesmo sem querer te ajudei nisso."

Cambi: o que fazer.

Meu pai me ensinou que assistir TV atrofia o cérebro e se for de domingo atrofia o dobro. Meu pai é o responsável por eu me sentir culpado quando vou ao shopping num dia ensolarado.

Cambi pequeno hipster

Guilherme: aprendi a ficar sozinho.

Com meu pai aprendi muito, mas duvido que ele realmente saiba o quanto. Tivemos a nossa primeira conversa Antônio-Guilherme faz dois meses, apenas. Antes disso, a relação se construiu muito no plano pai-filho. Algo muito turbulento, permeado por brigas furiosas - até mesmo físicas - ao longo de minha adolescência. Pouco nos relacionamos como os dois homens por trás dessas identidades.
Pois bem, Antônio, hoje tenho mais lados dessa história a compartilhar.
Você me ensinou muito sobre ser generoso. Sobre coração aberto, sobre amor, sobre o prazer em ser anfitrião e ver a alegria estampada no olhar dos outros. Me ensinou sobre raiva, sobre ética, sobre controle, sobre medo, sobre dúvidas, sobre descontrole, sobre realmente entender as pessoas, sobre visão crítica da realidade além das camadas aceitas pelo senso comum.
Por vezes, me ensinou com bons exemplos. Outras, com péssimos exemplos. E quem disse que aprendizado só se dá mostrando o correto? Pais nos colocam no mundo, nos amam e dão o melhor de si. Esse melhor enfrenta todo tipo de obstáculo, travas e traumas que podemos, como filhos, jamais conhecer. Julgar nossos pais como culpados por a ou b é de uma crueldade e egoísmo sem tamanho.
Estamos experimentado o milagre de estar vivos, graças a esses sujeitos. Isso, por si só, merece gratidão. Daí em diante, você e seu pai estão nas trincheiras, meu caro. Cada um lutando para avançar, por uma boa vida.
* * *
Escrevendo agora, me lembro de um certo causo que vale ser contado. Tinha lá meus 14 ou 15 anos. Uma colega se sala engravidou e casou-se com o então namorado. No dia da cerimônia, meu pai me levou até a igreja. Lá chegando, encostou o carro e eu disse:
- Pai, espera um pouco antes que eu desça, não tem ninguém que eu conheço ainda, não vi nenhum amigo meu.
Meu pai ficou possesso, me deu esporro e me obrigou a sair do carro, dizendo:
- Homem que é homem precisa aprender a ficar sozinho em qualquer situação.
Xinguei até a décima sétima geração dos Valadares por colocar tamanho filhodaputa em minha frente, me tratando assim, me obrigando a passar por isso.
E fiquei ali, e esperei, e hora ou outra apareceu um conhecido. E ninguém morreu, não fui humilhado ou passei por nada constrangedor - exceto pelas minhocas da minha cabeça.
Nunca mais esqueci desse dia. Meu velho estava certo, como vim a entender anos depois essa e tantas outras situações nas quais ele me ensinava, a seu modo.
* * *
Pai, te amo. Você é um professor e tanto.

Esse é o Antônio, pai do Guilherme, oferecendo um brinde a todos os pais lendo esse artigo

E você: o que aprendeu de mais valioso com seu velho?


publicado em 12 de Agosto de 2012, 09:47
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