O que é a conversão homossexual e porque os Conselhos de psicologia são contra

Como funcionam os perigosos centros de Terapia de Conversão nos EUA

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Nesta semana, o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, do Distrito Federal, concedeu liminar que libera o tratamento de homossexuais por psicólogos sem que os conselhos de classe possam intervir.  

A chamada "Terapia de Conversão" é a prática de "curar" pessoas homossexuais, tentando transformá-las em héteros.

No Brasil, esse tipo de tratamento é proibido por uma decisão do Conselho Federal de Psicologia (CFP). A Resolução 01/1999, alvo da ação discutida na Justiça, estabelece que a homossexualidade não pode ser tratada como doença por psicólogos e que estes não podem tomar atitudes que reforcem preconceitos. Você pode ler a íntegra da resolução original aqui

Na perspectiva mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da lista de doenças mentais do Código Internacional de Doenças ainda em 1990.

Em nota emitida após a decisão do juiz federal, o CFP ratificou o posicionamento: 

"Os representantes do CFP destacaram que a homossexualidade não é considerada patologia, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) – entendimento reconhecimento internacionalmente. Também alertaram que as terapias de reversão sexual não têm resolutividade, como apontam estudos feitos pelas comunidades científicas nacional e internacional, além de provocarem sequelas e agravos ao sofrimento psíquico."

Pedro Paulo Bicalho, diretor do Conselho Federal de Psicologia, também se posicionou.

“O que esta decisão aponta é um tipo de prática que não possui evidência científica por um lado de cura, mas por um outro lado ela possui evidência de construção de mais preconceitos, mais estigmas, e o que a gente menos precisa neste momento nas discussões com a população LGBT é de alguma prática profissional que produza mais estigma, mais sofrimento e mais violências. O Brasil é campeão de violência a pessoas LGBT. Não será a psicologia brasileira aquela que vai implementar mais violência e mais sofrimentos a essa população”.

É importante que se perceba o Brasil como um país com um histórico de violência contra LGBT — a cada 25 horas, uma pessoa é assassinada por sua orientação sexual — e que uma decisão como essa pode ser mais um passo para o agravamento dessa situação.

Em 2015 a Vice produziu esta reportagem especial na qual tiveram acesso a uma das centenas de grupos de terapia de conversão sexual nos EUA. 

Os vídeos mostram como há uma relação de culpa que surge não pelo fato de haver a homossexualidade, mas sim por haver preconceito e perseguição. Há um viés que condena essas sexualidades nos quais essas pessoas se inserem e termina por gerar aflição. Um desejo de se encaixarem, que as leva a procurar a terapia de conversão.

Os resultados são traumas e marcas que ficam para a vida inteira.

Link Youtube | Parte 1 (Ative as legendas)

Link Youtube | Parte 2 (Ative as legendas)

Link Youtube | Parte 3 (Infelizmente, essa parte não tem legenda em português)

"No programa Jornada para a Masculinidade, homens pagam mais de US$ 600 para participar de um retiro de um fim de semana, onde participam de exercícios e atividades que os membros da equipe alegam ajudar na batalha contra a orientação homossexual. O único requisito para entrar para a equipe é ter concluído o programa com sucesso.

A reportagem conversa com o fundador da terapia reparativa, doutor Joseph Nicolosi, que está tratando menores de idade ilegalmente no estado da Califórnia, e investiga a polêmica batalha legal no combate à terapia de conversão para indivíduos com menos de 18 anos de idade. Também vamos à Conferência Anual da Rede Cristã Gay, conversamos com antigos líderes 'ex-gays' como John Smid, do ministério Love in Action, que hoje é casado com seu companheiro, e ouvimos histórias angustiantes de pessoas que sobreviveram a essa prática cruel."

Assim como a CFP no Brasil, a Associação Americana de Psiquiatria considera a terapia de conversão ineficiente, prejudicial e potencialmente fatal. 

É importante ressaltar que este não é um debate que está perto do fim. Apesar das principais associações de psicologia do mundo e da própria OMS não mais reconhecerem a homossexualidade como doença (o que deu fim ao uso do termo homossexualismo), quando entramos na seara religiosa há uma massa de pessoas que não pensam exatamente assim. 

Hoje, no Brasil e no mundo, estamos presenciando um avanço de forças conservadoras que parecem querer acabar com conquistas recentes, mas muito importantes para as liberdades individuais. O argumento sempre presente é o de que se trataria de censura contra suas visões e ambições 'científicas'.  

Há uma questão moral importante aí, que em outro momento poderia ser tida como resolvida, mas que agora volta à tona. Qual a necessidade de se tratar a homossexualidade de uma pessoa para encaixá-la em um padrão, quando o que mais causa a aflição é um preconceito tão enraizado ao ponto de fazê-la se odiar pelo que é?  

Mecenas: Natura Homem

Natura Homem acredita que existem tantas maneiras de exercer as masculinidades quanto o número de homens que existem no mundo. Sem preconceitos e com respeito, os nossos jeitos de ser e estar no mundo.

Seja homem? Seja você. Por inteiro. Natura Homem celebra todas as maneiras de ser homem.


publicado em 20 de Setembro de 2017, 00:16
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