O que estamos assistindo? [Junho/2012]

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Completamos o primeiro ciclo dos nossos posts coletivos culturais de sexta-feira. Depois de um assistindo, um lendo, um ouvindo e um fazendo, vamos rebobinar a fita e conversar conversar, agora que já se passou um mês: o que estamos assistindo dessa vez?

O texto dessa semana, aliás, marca a estreia da Fernanda Pereira. Apesar de não estar trabalhando no PapodeHomem em si – ela é editora da Social Content – é a nova e agradável moradora aqui do QG.

Ao final, claro, queremos conversar nos comentários sobre o que vocês estão assistindo. É nessa troca que todo mundo descobre coisas novas e boas.

Dando o play em 3... 2... 1...

Jader Pires assiste à série Anos Incríveis

A voz do Joe Cocker entoando o começo do cover de "With a Little Help from My Friends" na abertura já é de arrepiar. A câmera super-8 captando momentos bobos de uma família suburbana no calor dos anos 60 dos Estados Unidos também já emana uma carga tremenda de sensações e nostalgia.

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A série Anos Incríveis tem o poder pra tirar, do dentro mais dentro de todos nós, aquelas lembranças mais sensíveis e universais. As delícias da inocência da infância, as frustrações de moleque, as virtudes de uma criança, as pancadas em forma de palavras, a imagem revisitada do pai frustrado, da mãe submissa, do irmão babaca. Olhar o mundo pelos olhos do pequeno Kevin Arnold é de marejar os olhos a cada episódio.
Passou na TV Cultura no começo da década de 90, mais ou menos quando o show já havia terminado lá nos EUA. Me lembro (lembranças, sempre elas) que se passava perto do horário da janta, naquele horário meio depressivo de finalzinho de tarde, já abocanhado pelo começo da noite. Mamãe estava sempre terminando o jantar enquanto o papai tomava banho, recém chegado do trabalho. E eu, sentado na sala, vendo a minha vida se entrelaçando com a vida dos Arnolds.
Consegui todas as temporadas há algumas semanas, com ótima qualidade, dublado e tudo o mais. Infelizmente não há DVD do programa, tudo por conta da trilha sonora que, se tivesse que ser paga nos dias de hoje, não haveria grana que fizesse lucro. tem Hendrix, Doors, Beatles, Who, Dylan. Pra se ter ideia, no último "O que estamos assistindo", comentei que a série Mad Men pagou U$250.000 pra tocar 40 segundos de "Tomorrow Never Knows" dos Beatles. Uma pena.
Mas ficam as ótimas memórias, os carinhos que ganho da minha pequena acada final de episópdio que me pego lacrimando como criança. E não acho que seja qualquer tipo de demérito. Homem que é homem chora, porra!
Linda série. Lindas lembranças. As minhas e as dos Arnolds.

Alexandre Falcão à série Person of Interest

J.J. Abrams, além de Lost e Fringe (entre outras), também é produtor de Person of Interest. A diferença é que aqui ele encontrou a fórmula ideal para não viajar tanto na maionese, dosando perfeitamente o nível de suspense da trama central da temporada com a individualidade de cada episódio. Grande parte deste sucesso, com certeza, se deve à parceria com roteirista Jonah Nolan, que tem no currículo Batman - O Cavaleiro das Trevas.
Desta vez o "vilão" de Lost, Michael Emerson, é Harold Finch, um engenheiro da computação que constrói um supercomputador capaz de analisar tudo que acontece nos estados unidos para prever possíveis ataques terroristas. Porém, a "máquina" detecta muito mais que isso e acaba prevendo crimes "irrelevantes", que acabam descartados pelo governo americano.
Aí que entra John Reese, interpretado por Jim Caviezel. Um ex-assassino do governo americano que, depois de ter abandonado a ex-namorada, quase ser "descartado" pela agência e viver os últimos anos como mendigo em Nova York, é contratado por Finch para tentar impedir esses crimes supostamente "irrelevantes". Juntos eles contam com os recursos praticamente infinitos de Finch e a experiência profissional de Reese, que deixaria até James Bond com inveja.
O último episódio da primeira temporada foi ao ar aqui no Brasil nesta terça-feira passada. Mas vale a pena assistir tudo de novo enquanto aguardamos a próxima temporada, que eu não vou perder por nada.

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+++

Não posso deixar de contar também que assisti ontem ao glorioso dando um baile no "soberano".
De norte a sul esta brilhando o coxa branca
Meu Coritiba é campeão do povo
Oh, Glorioso! Como é bom te ver campeão de novo!
Oh, Glorioso! Como e bom te ver campeão de novo!

Luciano Ribeiro assiste às séries How I Met Your Mother e Fringe

Não sou desse tipo que se mata assistindo séries, filmes, documentários etc. Entendo lhufas do assunto, mas essas duas aí me seguraram. HIMYM talvez por ter um ritmo bem veloz e umas sacadas inteligentes, e Fringe por causa do Walter, personagem malucão e cativante.

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Já ouvi muita gente falando mal das duas séries, mas acho que é compreensível. Quando comecei, também não tinha visto nada de mais nelas. As duas são o tipo de série que só vai ficando legal à medida em que o enredo vai se desenvolvendo e criando bases, background e pontos de retorno para flashbacks espertinhos. Eu tive que depositar um voto de confiança até começar a gostar, mas valeu a pena.

Alex Castro assiste...

O que estou assistindo? Muito simples. Só o melhor filme de todos os tempos. Vocês me perdoem, mas não vou dar mais nenhum detalhe, nem escrever nada. Basta o título: PIRANHACONDA!

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Guilherme Valadares assiste cinema argentino

El hombre de al lado. Filmaço argentino. Visceral, cômico, intenso, humano, afiado.

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Fred Fagundes assiste novelas

Estou assistindo novela. Da Globo. Duas. As melhores e mais bem produzidas novelas dos últimos anos: Cheias de Charme e Avenida Brasil.
A novela das 7 tem apresentado um roteiro mais criativo. Como é de praxe para o horário, o núcleo pobre se destaca e gera identificação com o público predominante. A música criada para o trio de cantoras é brilhante, grudento e já entrou para a história como uma das belas sacadas da teledramaturgia brasileira. Destaque negativo somente para a falta de estratégia online na divulgação do clipe das Empreguetes, uma vez que o enredo poderia gerar uma bela ação.
Já Avenida Brasil entra em um momento monótomo. O período de entre-safra da novela até o último mês costuma ser de mesmices, enrolações e personagens secundários fazendo reviravoltas. É surpreendente – e triste – ver como o papel de Isis Valverde perdeu destaque. E a Nina, personagem de Débora Falabela, tem o carisma de uma pia de banheiro. Não convence.

Alberto Brandão (re)assiste à série Friday Night Lights

Muito diferente das séries com grandes mistérios e reviravoltas, FNL é uma história mais pacata, que conta o cotidiano da pequena cidade de Dillon, no Texas, usando como pano de fundo para sua trama um time de futebol americano colegial, o Dillon Panthers. É uma série que mexeu bastante comigo na primeira vez em que assisti. Mesmo não tendo grandes acontecimentos, todos os personagens são muito envolventes, e foi muito fácil me apegar a eles como se fossem pessoas reais.
Friday Night Lights introduz o telespectador ao universo do Futebol Americano, mas um universo peculiar para nós no Brasil, em que o esporte escolar é totalmente valorizado. A cidade para completamente pelo time da escola. Todos assistem aos jogos, torcem, vestem as cores dos times. Os jogadores, que geralmente protagonizam as mais diferentes histórias em torno do seriado, são heróis na cidade e sofrem várias consequências por esse tratamento especial. O que mais me toca nessa série é a intensidade das histórias e toda a motivação que o treinador, Coach Taylor, passa para seus jogadores, que são praticamente filhos.
Eu chorei em praticamente todos os episódios até agora, mesmo sendo a segunda vez que assisto. Os treinamentos, as broncas, os conselhos. Todos os problemas que os personagens passam em suas vidas podem ser associados com alguma coisa que já aconteceu comigo. Consigo tirar de cada episódio experiências valiosíssimas e que posso diretamente aplicar à minha vida.
Pretendo inclusive tatuar o lema do time, que hoje em dia diz muito para mim – e, aparentemente, para o presidente americano @barackobama: "Clear eyes, full hearts, can't lose."

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Fernanda Pereira assiste à série Game of Thrones

Para aqueles que não assistem por não serem muito fãs do gênero épico/fantasia, aviso: GoT é muito mais do que isso. É um universo fascinante, intriga em seu estado mais puro, e os personagens são os mais complexos que vi em uma série em muito tempo.
A segunda temporada está ainda mais interessante, já que superou a fase inicial marcada por certos clichês de séries de fantasia – como a “brodagem” extrema (à la Sam e Frodo) e a repetição exaustiva do tal “Duty and Honor”, o que acaba afastando aqueles que não são muito fãs do gênero.
Confesso que não tive paciência para ler os livros, mas a HBO está fazendo um trabalho excepcional com a adaptação, com atuações sensacionais como a de Cersei Lannister no papel de Lena He Adey e Peter Dinklage como Tyrion Lanister (um cara tão genial que você vai desejar, em algum momento, ser como ele).
Mesmo com as cenas um tanto quanto gratuitas e desnecessárias de sexo (para quem assiste True Blood, isso não será um problema) e a atuação fraca de Emilia Clarke como uma Danaerys um tanto quanto “Kristen Stewart” demais, Game of Thrones vale a pena tanto pela estética quanto pelo roteiro.

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Você assiste...

...o quê? Queremos saber.


publicado em 22 de Junho de 2012, 14:36
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Fabio Bracht

Toca guitarra e bateria, respira música, já mochilou pela Europa, conhece todos os memes, idolatra Jack White. Segue sendo um aprendiz de cara legal.\r\n\r\n[Facebook | Twitter]


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