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O que estamos bebendo?

"Parece de groselha, tem sabor de limão mas é de tamarindo" – já dizia o Chaves, quando vendia aqueles refrescos de procedencia duvidosa pra galera da vila.

E a vida real não fica muito longe disso.

1. A gosma do Ades

Nas redes, a bagunça começou em 2012, com a "gosma" na caixa de suco Ades. Foi quando uma consumidora encontrou uma colônia de fungos gigante dentro do suco de uva. A foto postada por ela gerou mais de 226 mil compartilhamentos no Facebook.

Depois disso, ela foi orientada a descartar a embalagem e esperar por um vale de R$ 5,00 pra comprar um suco novo.

Em março de 2013, a gosma contra-atacou. Dessa vez, num suco de maça.

Depois de mais barulho nas redes sociais, a Unilever se manifestou. Pediu que o consumidor ficasse tranquilo, e deu a entender que o responsável pelo problema poderia ser o próprio cliente: "Qualquer amassadinho na embalagem pode causar micro furos permitindo a entrada do ar, que, em contato com o produto, sem conservantes, pode causar fungos."

Quem é que não viu a gosma?
Quem é que não viu a gosma?

Depois de algumas pesquisas, a Anvisa descobriu que, na verdade, ao invés de suco, a caixa tinha uma solução de produto de limpeza (água e soda cáustica). Pois é. Foi determinada então a suspensão da fabricação, distribuição, comercialização e consumo, em todo o território nacional, de determinados produtos da Ades, por um curto período de tempo.

Com a brincadeira, a Unilever perdeu entre R$ 192 milhões e R$ 224 milhões só em 2013.

2. Toddynho com detergente

Quase ninguém se lembra, mas antes disso, coisa parecida aconteceu com o nosso querido Toddyinho.

Em setembro de 2011, um lote todo foi distribuído com pH fora do normal (superior ao de água sanitária). Como resultado, um bocado de consumidores do Rio Grande do Sul passou mal.

A Pepsico alegou que, durante a limpeza de alguns equipamentos na fábrica, vazou água e detergente para as caixinhas. Só isso.

A "confusão" rendeu pra Pepsico uma multa de R$420 mil.

Eu sei que você adora
Eu sei que você adora

3. Gato por lebre: os néctares de fruta

Não precisa envolver acidente na fábrica, fungo nem soda cáustica. No dia a dia, tomamos coisas tão maléficas quanto essas aí, que bombaram na mídia. Só que sem saber.

O Idec – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, publicou uma pesquisa chamada "Fruta de Menos" em fevereiro desse ano, que mostrou que as bebidas de néctares (quase todos os sucos de caixinha) têm pouquíssima quantidade de fruta pra muito, mas muito açúcar.

No processo, foram submetidas a testes 31 amostras de néctares de sete marcas: Activia, Camp, Dafruta, Dell Vale, Fruthos, Maguary e Sufresh, em diferentes sabores. No que diz respeito à quantidade de fruta, 10 produtos (32%) foram reprovados: eles simplesmente não tinham o teor de polpa ou suco de fruta exigido por lei. Segundo a norma em vigor, o percentual mínimo varia de 20% a 40%, dependendo do sabor.

O resultado compilado da pesquisa virou a campanha "Agite-se antes de beber", que rodou bastante na web:

Link YouTube | Vale assistir tudo, é de assombrar

O vídeo mostra coisas bem absurdas, como, por exemplo, a quantidade de suco de maçã que colocam no seu suco de uva. Ou no suco de abacaxi. Se confundiu?

Chavito já sabia
Chavito já sabia

A ideia é trazer informação relevante e nos incentivar a manter uma consciência diária do que é que estamos ingerindo. A partir daí, dá pra pressionar os fabricantes a cumprirem regras e informarem melhor os conteúdos dos produtos nos respectivos rótulos. Dá também pra, em última instância, influenciar os legisladores a criarem regras mais restritas, que beneficiem mais a nossa saúde e menos o pote de ouro do mercado.

E aí? Vamos começar a espremer uns limões?


publicado em 23 de Março de 2014, 14:28
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Anna Haddad

Acredita no poder de articulação das pessoas e numa educação livre e desestruturada. Entrou em crise com o mundo dos diplomas e fundou a plataforma de aprendizagem colaborativa Cinese. Tá por aí, nas ruas e nas redes.


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