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O que ninguém conta sobre morar sozinho – Parte 2

Escrevi ano passado um dos meus artigos favoritos, sobre o que ninguém fala a respeito de morar sozinho. Coisas que muitas pessoas vivenciam e acabam não compartilhando por acharem óbvias, mas que são de grande impacto para aqueles que têm um primeiro contato com essa nova realidade.

Quero continuar mais ou menos de onde parei naquele artigo, já que ainda há muito para se falar sobre esse tema. Senti falta no meu próprio texto antigo de uma abordagem que focasse um pouco mais em alguns pontos que influenciam nessa transição e na convivência com outras pessoas.

A verdade é que tudo o que você conhece como realidade muda a partir do momento em que decide deixar a casa de seus pais, quando assume a decisão de ter ser o general do seu próprio QG. Nesse ponto, o sucesso da empreitada depende de vários fatores, desde a escolha do lugar e observação do que existe em volta dele, até a relação que tem com seus amigos e pais

Esse vídeo condensa bem o que falei no primeiro texto:

Escolhendo o local perfeito

Já devo ter cometido praticamente todos os erros possíveis na tentativa de escolher o lugar ideal para morar. Apanhei um bocado aprendendo a lidar com imobiliárias, problemas estruturais e exageros na hora de escolher o tamanho do imóvel. Aluguei lugares enormes e caros, pequenos e baratos, fugi do meu orçamento algumas vezes e, em muitos momentos, me arrependi de estar morando onde estava.

Esse tipo de erro faz parte do amadurecimento, alguns deles são até inevitáveis. Sendo assim, eu espero que você erre. Vou tentar diminuir essa curva de aprendizado, te deixando ciente de alguns dos muitos erros que poderá cometer, mas entenda que boa parte do aprendizado só vem com a malícia da experiência.

 

Todos gostariam de morar em um apartamento como este, mas vamos com calma.

 

Avaliando a localização

Muitas coisas devem ser levadas em consideração quando escolhemos um lugar para morar. Acabamos nos preocupando só com a qualidade do imóvel, conservação e espaço, mas o ponto mais importante é a qualidade dos serviços que existem em volta da sua casa.

Se não for dono de um carro, um dos principais requisitos deve ser morar perto de um supermercado, a uma distância que seja possível caminhar com 20 sacolas na mão. Transporte público próximo e frequente também é uma necessidade neste exemplo, no qual você não tem um carro.

Também é bom ter restaurantes e bares, para quando você não quiser ou não puder cozinhar ou beber em casa. Quanto menos você precisar sair de perto da sua casa para resolver as coisas, maior será sua qualidade de vida, independente do tamanho do seu imóvel. Ao mesmo tempo, quanto mais opções você tiver de lugares próximos onde pode ir, menos desculpas terá para ficar enfurnado dentro de casa.

Se pretende se mudar para um bairro que não conhece muito bem, aconselho ir para lá num sábado e passar o dia andando pela região. Almoce, vá ao supermercado, visite desde padarias até bancas de revista, tome uma cerveja no fim da tarde. Viva esse dia como se já morasse por lá. Para mim, os itens acima são imprescindíveis. Se não existir essa estrutura de apoio em volta do lugar, nem entro no apartamento.

 

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Não sei o que você ainda está esperando

 

O que observar em um imóvel?

Alguém precisa te dizer isso bem cedo: você precisa de bem menos espaço do que acredita.

Quando procuramos apartamento acabamos nos encantando com lugares grandes e com quartos extras que não precisamos. Se você mora sozinho e quer viver tranquilo, um apartamento de um quarto e sala é suficiente. Se optar por algo maior do que isso, saiba que está pagando bem mais do que precisa, por puro luxo. Sem falar que quanto menor o espaço, melhor, mais fácil e mais barato é manter tudo limpo e arrumado.

O estado de conservação engana muito. As imobiliárias são mestres em maquiar imóveis, fazendo você acreditar que está impecável. Compre um caderninho de anotações bem pequeno logo de início e preencha com algumas observações.

Procure sinais de vazamento, ligue todas as torneiras, deixe a agua cair um pouco e veja se não tem nada pingando por baixo. Observe se não existe nenhum vazamento na descarga. Na casa que morei ano passado, passei quase oito meses para observar isso, gastei mais de 3000 reais graças a um vazamento na descarga por uma borrachinha que estava gasta. Teste absolutamente tudo que existe para ser testado. Portas, lâmpadas, interruptores, disjuntores e chuveiro.

Anote absolutamente tudo o que encontrar de estranho, diferente ou errado. Se decidir ficar com o imóvel, deve deixar tudo o que achou de irregular registrado junto à imobiliária. Se você não deixar tudo claro, vão exigir que os reparos sejam feitos por você ao término do contrato.

Procure marcas de vazamento ou infiltração, muitas podem transparecer na pintura nova. Esse tipo de coisa é responsabilidade da imobiliária resolver, mas já fiquei um ano esperando sem ter um resultado satisfatório. Melhor evitar.

Uma coisa bem importante, verifique se há tomadas o bastante. Mesmo eu já tendo alugado vários apartamentos, acabei esquecendo desse detalhe na minha ultima locação. Resultado: no meu quarto atual só existe uma tomada. Dentro do guarda-roupas.

Fique atento às dimensões dos cômodos, tire todas as medidas e anote no caderninho. Saber isso vai ser crucial para não correr o risco de ter algum móvel que não cabe ou saber direitinho qual tamanho dos móveis que deve comprar. Muitos apartamentos menores não possuem mais entrada para fogão, fique atento para não ser pego de surpresa.

 

Lidando com imobiliárias

Nunca, em momento algum, jamais, sem exceções, mesmo, mesmo, mesmo, confie nas informações que o corretor ou a imobiliária dão para você. Já namorei uma corretora e tenho amigos que já trabalharam no ramo. Ouvi muitas histórias sobre esse mundo. Corretores são apenas vendedores que, a todo custo, vão tentar te empurrar um produto, usando de falsas promessas, mentiras subjetivas e acordos não documentados que, quando solicitados, serão desconversados.

Devem existir exceções, mas desconfie antes, documente tudo que for acordado e se for pra confiar, confie depois de comprovar todo o negócio como positivo.

A burocracia de alugar um apartamento é uma das maiores a que já fui submetido na vida. Existe uma série de exigências que vão variar bastante de imobiliária para imobiliária, mas que no padrão envolve os seguintes itens:

 


  • Nome limpo

  • Comprovação de renda três vezes maior que o valor do aluguel

  • Dois fiadores com imóveis quitados no estado ou Seguro Fiança






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Dentro dessas exigências, existe uma variedade de documentações que podem ser solicitadas. A maior burocracia surge quando usamos fiadores, que precisam fornecer cópia e original de todos os documentos, certidão de casamento, contracheques dos 3 últimos meses até as escrituras dos seus imóveis. Os fiadores devem assinar o contrato e ter tudo autenticado em cartório. Como seguro fiança envolve um gasto a mais, que nem sempre podemos arcar, o mais fácil é sempre apelar para um fiador.

Tudo isso somado ao transtorno de pedir para alguém confiar seu patrimônio na sua responsabilidade de honrar compromissos, nesse caso, pagar o aluguel e conservar tudo para devolução.

Alugar diretamente com o proprietário é uma boa. Eliminando um intermediário, o custo também cai e acertos podem ser feitos de uma forma mais direta, evitando burocracias maiores. Nunca tive oportunidade de fazer um acordo direto, mas amigos que fizeram se mostraram bem satisfeitos.

 

Mobiliando seu QG

Uma hora você vai se ver assim:

 

Essa é uma das partes mais difíceis, principalmente para os 99% de nós que têm uma verba limitada. No meu primeiro apartamento, eu tinha apenas um colchão inflável, meu notebook (herança de quando ainda não tinha despesas) e um guarda roupas embutido. Nessa época a pergunta que nunca saia da minha cabeça era:

 

“Como as pessoas conseguem ter todas essas coisas em casa? Geladeira, micro-ondas, fogão, televisão... é tudo muito caro!”

Descobri depois de velho que pedir ajuda para as pessoas não é uma vergonha e, que no caso de morar sozinho, existe até um protocolo quanto a isso. Quando resolver morar sozinho, já estiver com o lugar alugado e pensar em começar a comprar suas coisas, convoque reforços. Faça um Open House.

Pesquisando por aí você pode encontrar várias dicas de gente fresca para esse evento, mas eu aconselho você a ser autêntico e reconhecer sua condição de fodido. Organize seu “Chá de Casa Nova” de uma forma simples, fazendo uma lista honesta de suas necessidades. Inclua pratos, copos, talheres, alguns eletrodomésticos e móveis. Coloque tudo em uma faixa de preço variada, de barato ao caro. Ninguém tem obrigação de te dar nada, mas as pessoas podem ser surpreendentemente generosas. O que vier, será lucro.

Faça um churrasco para a ocasião, use a casa de algum amigo que tenha espaço. Convide familiares e amigos. Familiares normalmente dão os presentes mais caros, eles querem ajudar na sua expansão, os amigos costumam dar as coisas menores, mas não menos importantes. Ganhei um cortador de pizza que toda vez que uso penso: “Cara que genial”. Também ganhei meu PlayStation 3, geladeira e televisão assim, de amigos.

Depois que estiver instalado no seu novo lar por algumas semanas ou meses, convide cada um deles para conhecer sua casa e saber como você aplicou tudo o que ganhou. É uma forma de estreitar os laços e mostrar gratidão.

YouTube | E não, seus móveis não serão assim

 

Organizando a festinha da galera

De que adianta ter seu próprio chão se você não pode dar uma festa nele?

Organizar uma festa em sua casa exige um mínimo de estratégia para não comprometer os gastos e acabar transformando uma situação bacana em um transtorno. É preciso ter algumas coisas em mente.

Não adianta querer se enganar (e eu na verdade não conheço muita gente que sequer tente): o sucesso das festas é pelo menos parcialmente proporcional à quantidade de bebidas presentes no recinto. Assim sendo, vamos organizar uma estratégia para levantar este precioso recurso.

Tradicionalmente, pedimos aos amigos, que sabem que somos todos quebrados, que tragam álcool para a festa, e normalmente cada um traz mais ou menos a quantidade que vai beber. Porém, como anfitrião e estrategista, você deve saber que alguns vão esquecer, por isso é interessante cobrir uma parte do consumo alcoólico da festa.

Vale a pena contabilizar uma lata de cerveja extra para cada convidado. (Se vocês bebem outras coisas, calcular de acordo.) Levando em consideração que devem passar no máximo umas 20 pessoas pela sua casa, já que o lugar provavelmente não é tão grande, e que a maioria deve acabar levando a própria bebida, duas caixas de latinha com 12 unidades vão encaixar bem como reserva.

É claro, isso depende do nível de autodestruição dos seus amigos.

Nossa geração também não tem mais costume de oferecer comida em festa, mas ter alguns mordiscáveis espalhados em potinhos para montar um tira gosto ajuda muito no início, quando o pessoal ainda está meio parado, fora do ritmo da festa. Uns cinco pacotes devem funcionar bem para o começo da festa, depois disso, acho que ninguém vai mais pensar de comer. Se for o caso, peça uma pizza rachada entre todos os famintos. Ou corra até o mercado -- que, se você seguiu minha primeira dica desse texto, será bem próximo à sua casa -- e traga um daqueles pacotes inacreditavelmente gigantes de Ruffles ou Doritos.

E não se esqueça da música. Monte uma playlist, nem que seja no notebook ligado às caixas de som de computador, mas deixe sempre uma música rolando ao fundo. Dependendo da variedade de gostos dos convidados, organize uma boa combinação. Só não esqueça do óbvio: o estímulo sonoro direciona bastante o clima da festa. Musicas animadas, independente do estilo (ou do seu gosto pessoal), ajudam a manter a festa animada.

YouTube | Indicação para festa: Lost Fingers – Lost in the 80’s

Nesses momentos vem bem a calhar, aliás, um daqueles serviços de música por assinatura que o Bracht explicou nesse texto, como o Rdio, o Sonora, ou mesmo o Grooveshark. Com os acervos quase infinitos a que você tem acesso nesses serviços, fica fácil organizar uma playlist coletiva em que cada pessoa pede uma música qualquer na sua vez (e todos podem elogiar ou tirar barato da escolha dela).

 

Facilitando a vida do brother que mora sozinho

Arrumar tudo isso vai dar trabalho:

 

Passo por isso com muita frequência, até por ter muitos amigos que ainda moram com os pais e não compreendem como a dinâmica muda um pouco depois que você é dono do próprio teto. Você que está lendo isso e ainda não entende muito, fique ligado: festas na casa do seu bróder significam que enquanto você estiver morrendo de ressaca no dia seguinte, ele vai estar limpando a casa. Sozinho. Enquanto morre de ressaca.

Dependendo do volume de sujeira e bagunça gerado no evento, pode significar uma tarefa realmente trabalhosa. Na maioria dos casos, se você oferecer ajuda para arrumar, é possível que ele negue por educação. Sugiro que assuma alguma tarefa como organizar o lixo e levar pra fora ou lavar a louça. Uma simples ajuda dessas já adianta muito para ele.

Outra situação recorrente é furar a visita. Furar um compromisso já é algo ruim em qualquer contexto que se preze. Quando você marca de visitar alguém que mora sozinho, com a namorada ou até mesmo com outros amigos, pode ser mais grave ainda.

Quando alguém diz que vai me visitar, existe toda uma força tarefa que toma vida. Uma limpeza estratégica é incorporada, os suprimentos como os da festa, cerveja, Doritos e calabresa para fritar são adquiridos emergencialmente para alegrar a ocasião.

Quando você arruma tudo, organiza o boteco e a pessoa simplesmente não aparece, é uma sensação bem frustrante. Normalmente acabo comendo tudo sozinho e me divertindo da mesma forma, mas a sensação que fica é de falta de respeito, ou pelo menos de consideração.

 

Aprendizado diário

Quando decidimos sair da grande zona de conforto que o ninho materno representa, assumimos uma grande responsabilidade com nós mesmos e com nosso desenvolvimento como homem. A criação de um espaço próprio, que represente um ambiente confortável, que vai ser nossa fortaleza nos melhores e piores momentos, representa uma exploração diária de oportunidades.

Levando em consideração os ciclos mensais, um ano representa apenas 12 tentativas diferentes de organizar suas despesas e seu rendimento. Se pararmos para pensar, conhecemos pessoas bem mais velhas que ainda estão aprendendo a organizar e montar seu próprio espaço.

Cada necessidade nova traz embutido um novo aprendizado, e morar sozinho traz um monte de necessidades novas.

 

Mecenas: Capital Brás, lançamento da Esser Incoporadora

Você acabou de ter uma ampla visão de como se preparar e do que ter em mente quando for morar sozinho. Agora que tal se mexer pra construir seu apartamento dos sonhos?

Um bom começo é pelo site da Esser Incorporadora, que está com um lançamento para quem pretende comprar o primeiro apartamento.

O edifício Capital Brás tem:

 


  • ampla área de lazer,

  • academia,

  • piscina,

  • churrasqueira,

  • estação de ginástica ao ar livre,

  • pista de Cooper,

  • quadra gramada,

  • sauna seca e lavanderia coletiva,

  • sala de massagem e de descanso.






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Apartamentos de 1, 2 e 3 dormitórios, com 40, 52 e 68 m², respectivamente.

Conheça mais clicando aqui.


publicado em 17 de Agosto de 2012, 04:00
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Alberto Brandão

É analista de sistemas, estudante de física e escritor colunista do Papo de Homem. Escreve sobre tudo o que acha interessante no Mnenyie, e também produz uma newsletter semanal, a Caos (Con)textual, com textos exclusivos e curadoria de conteúdo. Ficaria honrado em ser seu amigo no Facebook e conversar com você por email.


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