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O que podemos aprender com o gerente de banco que sentou no chão para atender seu cliente deficiente?

É sobre respeito e criar vínculos como iguais.

A publicação acima viralizou. Até o momento em que escrevíamos este texto, no Facebook ela já passava das vinte e seis mil curtidas e três mil comentários. Fora da rede, já havia sido publicado em inúmeros veículos jornalísticos. 

Os motivos a imagem conta por si só. É um gesto repleto de respeito, que espanta nossos olhos em um primeiro momento. Afinal, por tantas vezes vemos os gerentes de bancos só como nossos carrascos, figuras que só se interessam em tomar o que é nosso em nome de uma entidade maior. O ser humano que está ali se faz por e é esquecido. Quando essa pessoa se mostra, nos pega de surpresa.

"Vi o senhor portador de deficiência, a princípio sem ser notado, aguardando a vez. De repente surgiu o gerente e o atendeu dessa maneira, sentando no chão, olhando nos olhos. Achei interessante a prontidão dele, a boa vontade. Que esse gesto sirva de exemplo", conta Isabel, que fez a publicação acima, ao G1.

Sobretudo, não é só uma ação humana, mas também um gesto que muito faz sentido para um gestor que tem como trabalho lidar com pessoas. É uma técnica conhecida, e uma das melhores formas de exercer uma escuta ativa.

Ensinada nas aulas de comunicação, é uma lógica simples que deveríamos levar para vida: para travar diálogo, precisamos estar como iguais. Olhos nos olhos, no mesmo patamar. Só assim podemos colocar em prática uma escuta lúcida, que seja natural - pense em como é desconfortável conversar e prestar atenção em alguém que está em pé quando você está sentado, por exemplo. No ano passado a técnica também foi bem divulgada, quando o príncipe William apareceu por diversas vezes agachado em conversas com seu filho

Matéria do El País, linkada acima.

No SP Invisível, projeto que conversa com pessoas em situação de rua e já entrevistamos, o conselho é semelhante: se vai entrevistar uma pessoa que está sentada, se sente também. Se ela se levantar, levante. Esteja no mesmo nível.

A prática tem fundamento, quando olhamos para a semiótica. A disposição dos objetos determina o grau de poder em uma cena. Não à toa os tronos ficavam em lugares mais altos, quando olhamos para a arquitetura antiga. No cinema, quando um diretor quer mostrar determinado personagem como poderoso, é comum que o enquadramento de câmera esteja mais abaixo do ator, tornando ele mais imponente. 

Câmera mais abaixo, velas formando uma coroa e uma construção semiótica que contribuiu para a criação de um dos personagens mais icônicos do cinema. 

O bonito aqui é ver essa estratégia ser usada no atendimento a pessoas, ainda mais em um caso especial. Um belo exemplo de ima masculinidade humilde, que podemos transpor para nossas vidas.

Porque escutar é estar presente. De igual pra igual com o outro.

Mecenas: Natura Homem

Natura Homem acredita que existem tantas maneiras de exercer as masculinidades quanto o número de homens que existem no mundo. Sem modelos a serem seguidos, sem colocar ainda mais pressão sobre os nossos ombros.

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publicado em 19 de Julho de 2017, 19:52
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Bruno Pinho

Estagiário do PapodeHomem e estudante de jornalismo.


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