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O que podemos (e o que não podemos) aprender com o futebol europeu?

Falando sério: O que realmente precisa mudar no futebol brasileiro e o que é só síndrome de vira-lata?

Quatro anos atrás, quando o PapodeHomem ainda nem existia pra mim, publicamos um artigo falando sobre o que poderíamos aprender com o futebol alemão. Pois bem. De lá pra cá muito tempo se passou, o mundo mudou, mas a organização dos alemães continuou a mesma e os resultados mostraram que eles estavam mais certos do que nunca.

Naquele mesmo 2013, pela primeira vez na história da Champions League, a final do principal campeonato de clubes do mundo foi dominada pelos alemães. Bayern e Borussia decidiram o título com vitória dos bávaros.

No ano seguinte, a Alemanha veio ao Brasil, fez uma campanha irretocável, goleou os anfitriões aplicando o famoso 7 a 1 e coroou o trabalho iniciado há décadas conquistando o tetracampeonato mundial em pleno Maracanã.

Tudo isso sem contar com nenhum grande destaque individual. Exceção feita ao goleiro Neuer, finalista do prêmio Bola de Ouro em 2014 que terminou, entretanto, na terceira colocação com 15% dos votos. Prova de que o futebol alemão estava (e continua) sustentado numa organização descentralizada.

Neuer ficou atrás 'só' de Messi e Cristiano Ronaldo, pra variar.

Mas, sabemos, a Alemanha não fala por toda a Europa. Inglaterra, Espanha, França, Itália, todos países com muita tradição no futebol que apesar da relativa proximidade geográfica preservam características distintas de jogo entre si.

Eles, porém, compartilham uma visão mais profissional e comprometida com o futebol. Algo que nós tantas vezes lamentamos por não ver no Brasil. Mas será que tudo que os europeus fazem realmente se aplica por aqui? Acho que não. Mas podemos aprender muito tanto com os seus acertos quanto com os erros.

União dos clubes

Há não muito tempo tive a oportunidade de administrar uma liga de entidades esportivas. É óbvio que tudo era feito numa escala muito menor do que o futebol brasileiro, mas mesmo naquela esfera o método de ter um grupo que represente o interesse coletivo das instituições filiadas foi o que se mostrou mais eficiente.

Numa escala macro, o exemplo mais próximo do contexto do futebol brasileiro que sou capaz de apontar é o modelo do carnaval em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Lá existem ligas que são responsáveis por organizar os aspectos burocráticos, estruturais e técnicos dos desfiles deixando as escolas de samba livres para cuidar dos seus próprios espetáculos.

Você consegue imaginar um cenário no qual as escolas de tamanha rivalidade tivessem que deliberar e cuidar de todos os detalhes do Carnaval sozinhas? Eu não.

Lembra dos caras invadindo a apuração e rasgando as notas? Imagina entrar num consenso.

No futebol brasileiro, a entidade responsável por isso hoje é, teoricamente, a CBF. Acontece que ela não se mostra muito interessada em defender o interesse dos clubes. Enquanto eles, em sua grande maioria, estão atolados em dívidas (há uma certa dose de incompetência aí também), a CBF registra superávits ano após ano.

Na Europa, há muito, os clubes assumiram a organização de seus próprios campeonatos e, com isso, mudaram um paradigma que me parece uma questão chave para fazer o futebol brasileiro evoluir. Eles passaram a negociar os direitos de transmissão e os patrocinadores da competição em conjunto (através da liga) e criaram um cenário que lhes permitia competir pela atenção do público em todos os lugares do mundo.

Aplicando isso ao Brasil seria possível mudar os campeonatos para que eles parassem de atender o interesse das federações e passassem a atender o interesse dos clubes – os verdadeiros donos do espetáculo. É um absurdo que, ainda hoje, em campeonatos como o carioca, a federação lucre mais do que os próprios times.

Repare que, se a CBF funcionasse como um bom intermediário, boa parte dos problemas poderiam ser resolvidos. Recentemente, por força de lei alterada pelo Profut, até houve uma tentativa nesse sentido. A intenção era dar mais poder aos clubes nas decisões da entidade e assim fazer com que os rumos fossem alterados. Mas a CBF não parece preocupada em respeitar a lei.

Outra alternativa seria os clubes se unirem para fazer valer suas vontades. Mas isso tem se mostrado ainda mais difícil do que mudar a CBF. Até hoje quase todas as tentativas de peitar as federações e de criar um organismo independente para representá-los em bloco falharam pois os clubes sempre acabam colocando os interesses pessoais acima dos coletivos, pagando um preço alto no longo prazo por um benefício imediato.

Nesse sentido, faz-se válida à máxima: a união faz a força. E só ela.

Modelo de negócio

Mudar o paradigma da forma como os campeonatos são organizados foi fundamental para que os clubes europeus mudassem também seus modelos de negócio.

Basicamente tudo começou com a maneira como as cotas dos direitos de transmissão são negociadas e divididas. Sim, no futebol, direitos de transmissão fazem uma baita diferença. Para usar o exemplo da Premier League, a liga mais bem sucedida da Europa nesse sentido, desde a sua refundação em 1992, os ganhos com negociação coletiva de direitos de TV aumentaram exorbitantemente e já romperam a marca de 5 bilhão de libras esterlinas por ano.

O valor para transmissões internas é dividido em três partes, sendo metade igualmente para os 20 clubes, um quarto distribuído de acordo com a posição final do clube na tabela e o restante, de acordo com a audiência medida e o número de jogos transmitidos, tendo as emissoras locais que necessariamente transmitirem pelo menos 10 jogos de cada clube por temporada.

Já os direitos negociados com outras 80 redes de televisão em mais de duzentos países geram uma renda extra, esta, dividida igualmente entre os clubes, resultando nos valores abaixo:

Imagina se fosse o seu time. Imagina ser transmitido pelo menos 10 vezes por ano pra todo o país.

Apesar desse modelo não estar livre de críticas (como o abismo que ele cria entre os clubes da primeira e da segunda divisão), ele é melhor do que o utilizado, por exemplo, na Espanha. Afinal, na Inglaterra, 20 clubes são beneficiados ao invés de 2.

Já, aqui no Brasil, com exceção do sistema de pay per view, não existe nenhuma trava na maneira como os contratos com a televisão são estabelecidos. Cada clube acaba tendo que negociar e decidir sozinho e a emissora interessada paga quanto quiser e se quiser para cada um fazendo com que clubes com mais torcida (e audiência) como Flamengo e Corinthians, saiam muito na frente de seus adversários. Felizmente, alguns passos estão sendo dados em outras direções.

Outro fator importante quanto a viabilidade do negócio futebol no Brasil é a renda com bilheteria. E nisso o Brasil é terrível. A taxa de ocupação dos estádios no Campeonato Brasileiro do ano passado não passou de 38%, o que é irrisório se comparado com os estádios na Europa. Mais isso todo mundo já sabe, a pergunta é: por quê?

A resposta curta é o preço do ingresso.

Dois estudos realizados recentemente, com metodologias diferentes entre si, comprovaram: se levada em consideração o poder aquisitivo das pessoas nos mais diversos lugares do mundo, o preço cobrado no Brasil é excessivo. A conclusão de um deles indicou que a renda per capita do brasileiro só é capaz de comprar 145 ingressos (dos mais baratos) por mês enquanto na Inglaterra (famosa por ter ingressos caros) daria pra comprar 774 e na Alemanha (famosa por lotar seus estádios sempre) até 1.716.

Ficou confuso? Então olha só esse outro estudo que indica que um brasileiro que ganha um salário mínimo precisa trabalhar 10h18 para comprar um ingresso enquanto alemães só precisam de 1h48.

Mesmo os clubes brasileiros, como o Palmeiras, que detém excelente média de público ainda cobram preços muito altos por suas partidas. Ele eleva o valor dos ingressos para aproveitar o efeito novidade de seu novo estádio e a ótima fase do time, mas outros clubes que enfrentaram cenários parecidos recentemente, como o Corinthians, já não conseguem mais lotar suas arenas e tiveram que reduzir o valor cobrado para tentar reconquistar o público perdido.

Infraestrutura

A resposta longa para as baixas taxas de ocupação dos estádios brasileiros passa por problemas mais complexos, entre eles a infraestrutura.

Depois de receber uma Copa do Mundo, o Brasil agora conta com arenas modernas que colocaram os estádios do país no mesmo patamar dos melhores do mundo. É o chamado padrão FIFA. Acontece que a incrível desorganização e as inúmeras fraudes cometidas impediram que tudo que vem ao redor chegasse no mesmo nível. Transporte e segurança, sobretudo.

Os clubes europeus entenderam que o jogo de futebol é uma experiência. A decisão de ir ao estádio ou não e a vontade de querer voltar lá depende do desempenho do time, mas também de fatores como o preço dos ingressos, da comida e do estacionamento, o conforto das arquibancadas, as filas nas bilheterias, a sensação de segurança e até o tempo de deslocamento e a facilidade de acesso ao estádio. Coisas que muitas vezes fogem do alcance dos clubes, mas que os europeus conseguiram resolver.

Esse ponto é delicado porque passa por um amadurecimento maior enquanto sociedade, mas alguns exemplos já demonstraram que clubes de futebol podem usar sua incrível relevância social (às vezes até exagerada) para promover mudanças benéficas. Veja só o caso recente do Fluminense que, ao construir seu novo Centro de Treinamento numa região perigosa do Rio de Janeiro, acabou exigindo que a polícia reforçasse a segurança na área.  

Mas falta vontade política de fazer essas mudanças acontecerem ou mesmo para aproveitar adequadamente as oportunidades que aparecem. Num cenário pós-Copa, o Brasil agora se vê com arenas em cidades como Manaus, Cuiabá e Brasília, total ou parcialmente ociosas gerando prejuízos tão grandes quanto suas capacidades. Enquanto isso, muitos clubes na série A do Campeonato Brasileiro ainda contam com praças esportivas ultrapassadas.

Revelação de talentos

Falando desse jeito parece que tudo na Europa é melhor do que no Brasil e nós já concordamos que não é bem assim. Em todas as áreas comentadas, pelo menos um ou dois exemplos positivos foram dados e quando se trata de revelação de talentos são os europeus que deveriam aprender conosco. Não é a toa que jogadores brasileiros que se destacam na Europa rendem uma grande e bela lista.

A forte presença do futebol no imaginário e na cultura brasileira estimula a geração de novos talentos. Aqui, como em vários lugares do mundo, muitas pessoas enxergam no esporte uma grande oportunidade de mudar de vida e nesse caso o futebol é imbatível.

Com tanta gente brincando de bola fica fácil encontrar quem sirva pra virar profissional e, pode acontecer o que for, o Brasil continua revelando craques. O problema é: pra onde eles estão indo?

Tanta fartura fez brilhar os olhos europeus e, com o passar do tempo, eles foram se dando conta de que se colhessem os bons frutos direto da fonte, não precisariam pagar tão caro por eles depois. É assim que cada vez mais promessas estão deixando o país antes mesmo de se destacarem e criarem identificação com algum clube aqui no Brasil.

Muitas dessas promessas não vingam. E tudo bem. A margem de erro dos europeus é grande. Já aquelas que vingam acabam muitas vezes sendo descobertas pelo grande público apenas quando, com sorte, chegam à seleção brasileira. Exemplos não faltam.

Marquinhos: 22 anos, 14 jogos pelo Corinthians e 154 pelo PSG.

Philippe Coutinho: 24 anos, 43 jogos pelo Vasco e 175 pelo Liverpool.

Roberto Firmino: 25 anos, 38 jogos pelo Figueirense, 153 pelo Hoffenheim e 86 pelo Liverpool.

William: 28 anos, 41 jogos pelo Corinthians e 169 pelo Chelsea.

David Luiz: 29 anos, 26 jogos pelo Vitória, 105 pelo Chelsea, 82 pelo Benfica e 56 pelo PSG.

Fala a verdade. Qual dos três é mais conhecido no Brasil?

Para suprir essa ausência precoce, o Brasil começa a fazer valer o seu potencial financeiro maior do que o de outros países sul-americanos e vem se tornando destino comum dos jogadores que se destacam nos nossos vizinhos.

Do ponto de vista dos jogadores, a princípio eles procuravam o Brasil apenas por melhores remunerações. Eles sabiam que os clubes brasileiros podiam pagar mais. Hoje em dia, uma segunda onda começa a surgir: são jogadores como o zagueiro Mina, que saiu da Colômbia e está fazendo escala no Palmeiras antes de se transferir para a Europa – ele já está apalavrado com o Barcelona.

Do ponto de vista dos clubes, a condição também é vista com bons olhos pois além de poderem contar com jogadores de potencial europeu durante algum tempo, acabam lucrando um pouco com essas transações. Resultado? É difícil apontar um grande clube brasileiro hoje que não tenha um jogador estrangeiro ocupando posição relevante.

Como efeito colateral, os clubes se tornam cada vez mais dependentes de transferências de jogadores para fechar as contas, aumenta-se a média de idade do campeonato e limita-se as oportunidades para novos talentos revelados aqui. Num caso recente, a nova promessa do Palmeiras, o atacante Vitinho, correu risco de nem sequer ser inscrito no Campeonato Paulista diante do grande número de contratações da equipe. Apesar da chance de estar na lista, ele tem tido poucas chances de participar das partidas.

A evasão dos nossos talentos muito cedo e a falta de oportunidades em equipes profissionais por aqui pode causar uma consequência bastante negativa a longo prazo e com isso podemos aprender com o exemplo negativo de Itália e Inglaterra. Com uma política voltada para contratações e não para revelações, ambas as seleções acabaram sofrendo. Um estudo mostrou que o percentual de 'pratas da casa' nessas ligas era de apenas 8,6% e 11,7% respectivamente.

Calendário

Outra coisa que não ajuda muito o futebol brasileiro é seu calendário bizarro. Mas ao contrário da maioria dos jornalistas esportivos que conheço, o calendário europeu me parece um exemplo a ser seguido.

E não é só porque falar que seu time foi "campeão da temporada 2016-2017" é muito estranho. Dá pra entender porque eles fazem isso por lá, mas fazer isso no Brasil, como alguns defendem, seriam uma grande aberração. É preciso ter em mente que a principal justificativa europeia para essa adaptação é climática, o que obviamente não se aplica aqui.

Um outro ponto comumente levantado é o suposto benefício que sincronizar o nosso calendário com o deles traria tanto para os clubes (que não perderiam mais tantos jogadores no meio da temporada) quanto para as competições (que não seria interrompidas na metade por conta de eventos como a Copa do Mundo, realizada ao final da temporada europeia).

Mas calma lá. Propor mudança no calendário por conta de transferência de jogadores é quase como asfaltar seu jardim pelo medo de atrair bichos indesejados. O correto seria fortalecer os clubes brasileiros para que eles tenham que vender seus jogadores cada vez menos. E mesmo que seja necessário fazer isso por vontade do jogador, por que não fazê-lo quando nós queremos e não quando eles querem? É tudo uma questão de precisar ou não do dinheiro.

Um exemplo claro disso aconteceu ano passado. Santos e Palmeiras tinham jovens jogadores talentosos em seus elencos. Ambos tinham interesse em vendê-los. Porém, a maior capacidade financeira do Palmeiras, além da oportunidade de ser campeão no Brasil antes de se mudar pra Europa, foram suficientes para que o time alviverde negociasse Gabriel Jesus com o Manchester City, mas só entregasse o jogador aos ingleses ao final da temporada. Enquanto isso, o Santos, sem o mesmo poder de barganha, foi obrigado a ceder Gabriel, o Gabigol, à Inter de Milão, tão logo os italianos queriam.

Já sobre o segundo ponto, vale dizer que a Copa do Mundo de 2018 será na Rússia e antes dela nenhuma mudança de calendário terá tempo hábil para ser feita. Já a próxima Copa será no Qatar e por conta do calor será disputada no começo do ano e não no meio. Apresenta-se, portanto, uma boa chance para fazer os testes necessários de um calendário novo que resolva os problemas certos e não os imaginários.

Além disso, é comum vermos jogadores perderem a oportunidade de disputar a Copa por seus países por conta de lesões em fim de temporada: Ribery, Falcão Garcia, Reus, em 2014; Ballack, Owen e Beckham, em 2010; são alguns exemplos. Dessa perspectiva, então, atuar no Brasil e estar ainda no meio da temporada é um bônus e não um ônus.

Outras críticas ao nosso calendário, porém, se justificam. E aí a Europa pode realmente nos ajudar.

Todo mundo sabe que a quantidade de jogos que temos aqui é excessiva. Uma análise feita pelo Bom Senso Futebol Clube comparou os jogos que os times brasileiros e os times europeus fazem durante uma temporada e chegou a um resultado preocupante. Times como o São Paulo realizaram até 85 jogos em 2013, enquanto o Barcelona, time europeu que mais entrou em campo naquela temporada, disputou 60.

Lembre-se que essa análise é de 2013.

De lá pra cá, o formato de algumas competições mudou um pouco tanto no Brasil quanto na Europa e o desequilíbrio diminuiu um pouco, mas continuou. O número do São Paulo, por exemplo, representa uma média de 1 jogo a cada 4 dias. É desumano. Isso sem nem antes considerar que as distâncias e o tempo de deslocamento no Brasil são muito maiores do que nos países europeus.

A consequência disso é que aqui os jogadores se lesionam muito mais do que lá e a qualidade do espetáculo diminui já que os times quase nunca conseguem repetir a escalação e entrosar os jogadores. Não seria mais vantajoso ter menos jogos e garantir que eles sejam melhores?

Recentemente, com a mudança significativa no formato da Libertadores, eu mesmo me propus a fazer uma simulação de um calendário ideal, levando em consideração, sobretudo, minhas considerações sobre os campeonatos disputados no Brasil.

Campeonatos

Antes de discuti-los, precisamos ter algumas coisas em mente.

Em primeiro lugar é necessário respeitar o direito a 30 dias de férias e prover um período adequado de pré-temporada para os times. Isso nem sempre foi respeitado no Brasil. E falar isso na frente de um europeu seria vergonhoso.

Em segundo lugar, devemos ter em mente que clubes, treinadores, jogadores, patrocinadores e até mesmo as emissoras de Tv precisam de uma certa previsibilidade e quem fornece isso é o campeonato de pontos corridos. Defender uma mudança de fórmula na principal competição do país só porque seu time tem fama de 'copeiro' é uma tremenda covardia, pra não falar burrice. Você não vê nem mesmo os times pequenos na Europa – que poderiam se beneficiar de um formato mais arriscado – fazendo isso.

Por último, a questão mais delicada: os estaduais. Todo mundo sabe que esses campeonatos foram importantes na construção história do futebol brasileiro. Eles fizeram dos nossos clubes grandes o que eles são hoje. Mas a verdade é que os clubes acabaram ficando grandes demais para esta competição. Com o crescimento, eles passaram a se interessar por competições de nível nacional e continental.

Acontece que ainda existem clubes pequenos no Brasil e para eles esse campeonato é importante. Nós não podemos simplesmente ignorá-los. É até provável que você conheça alguém que é fanático pelo clube de sua própria cidade. Este indivíduo costuma ter um segundo ou primeiro time grande, mas ele não abre mão de tomar partido num Botafogo e Comercial de Ribeirão Preto. Ou num Atlético e São Bento de Sorocaba. E isso é o máximo. É o que pode nos reconectar com o futebol brasileiro "de raiz", além de sustentar a base da revelação de jogadores que depois irão para times maiores no Brasil e na Europa.

Portanto, não é justo defender a solução simplista (e utópica) de acabar com os estaduais. Pelo contrário, ele precisa ser estendido para dar a tal previsibilidade que citei para esses times pequenos também. Assim eles conseguiriam se manter o ano inteiro, aumentando o mercado e a indústria do futebol e, consequentemente, melhorando o nível como um todo à longo prazo.

Diante disso, a melhor hipótese que vejo hoje é dar aos clubes maiores a prerrogativa de entrar em fases finais, garantindo também uma divisão mais igualitária de renda por parte das federações para que os pequenos consigam sobreviver.

Tudo isso é feito com mais trabalho e menos fantasia por parte de quem organiza o campeonato. É mais fácil e lucrativo, viver às custas de mais jogos dos clubes grandes do que promover uma reforma estrutural. Mas isso não garante sustentabilidade a longo prazo.

Gramados e vestiários em boas condições, iluminação adequada nos estádios, preços mais acessíveis nos ingressos, salas de imprensa, cabines de rádio e tv confortáveis e campanhas de publicidade que deem visibilidade para os jogos. Não se trata de ter uma musiquinha legal. Isso é só a casca. A Champions se tornou referência mundial de competição porque levou a sério a construção da base que faz com que os verdadeiros protagonistas brilhem.

Agora, sou eu que posso ser chamado de utópico. Se não temos isso na Libertadores, no Brasileiro e na Copa do Brasil, como esperar que isso aconteça nos nossos acanhados campeonatos estaduais? E você terá razão de pensar assim. Mas enquanto isso não mudar, não me culpem por estar ansioso para ver Juventus e Real Madrid.

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publicado em 08 de Maio de 2017, 00:10
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Breno França

Editor do PapodeHomem, é formado em jornalismo pela ECA-USP onde administrou a Jornalismo Júnior, organizou campeonatos da ECAtlética e presidiu o JUCA. Siga ele no Facebook e comente Brenão.


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