O ranking de uma vida: bicas, voadoras e um coração alado | Listas descaralhantes #18

No começo de tudo havia o espanto. Depois veio a curiosidade e, por fim, chegou a internet e tudo que era fantástico se tornou banal.

Talvez, por esta razão, as listas me agradem tanto. Se hoje minha memória me trai, tamanha a oferta de feitos incríveis, as listas sempre colocam as coisas no seu devido lugar de importância, acontecimentos, músicas, imagens. Tudo que há de surpreendente neste mundo, eu listo.

Por quê?

Para, de algum jeito, tentar me fazer ver em que grande época para se viver nós estamos, coisa que insisto em esquecer vez por outra.

Começando no melhor estilo de textos “vamos falar mal de hoje em dia, mas nem tanto”, apresento mais uma série de grandes listas que demoraram uma vida para serem construídas e que você não lembrará daqui 30 minutos!

Ainda assim, espero que sejam 30 minutos incríveis e divertidos.

5 melhores filmes de amores tristes

1. (O Lugar onde Tudo Termina) O amor à família

PLACE BEYOND THE PINES

Alguns dirão que é lento, enquanto outros dirão se tratar de mais de um filme reunidos em uma só fita. Pois bem.

Para mim, é sobre ter uma família e o que isso faz com você.

Foi a primeira vez que vi um filme e entendi como um filho é reflexo de um pai, mesmo que ele nem exista. Alguns sempre farão más escolhas, não importa a quantidade de boas alternativas que tenham.

2. (Vincent e Theo) O amor à vida

2

A história do maior pintor que já existiu, Van Gogh.

Ele pode até não ter sido o melhor, mas com certeza foi o maior. Sempre que vejo esse filme, me vem à cabeça que talvez eu nunca ame algo com tamanha intensidade.

É absolutamente invejável sentir uma paixão tão bruta e física quanto a que Van Gogh sentia pela vida.

Acredito que fosse realmente impossível que ele vivesse mais do que viveu, se não tivessem tirado sua vida. Estou muito certo que um raio o faria, a natureza não permitiria uma força equivalente a ela existindo por tanto tempo.

3. (The Perks of Being a Wallflower) O amor inocente

THE PERKS OF BEING A WALLFLOWER

O primeiro amor não é pela garota da carteira ao lado. O primeiro amor sempre será pela sua turma; e ele só existe quando se é inocente o suficiente para acreditar que sempre terão um ao outro.

O filme mais bonito sobre amizade que eu já vi.

4. (50/50) O amor camarada

4

Quando pensa em filmes sobre câncer, você já sua frio lembrando do solinho do Kenny G?

Não se aflija, meu jovem. Vá com fé neste que é o melhor filme jamais feito sobre o tema.

Por que eu também não tenho a mínima ideia de como devemos enfrentar os grandes problemas da vida, só o que sei é que ter um camarada de verdade que possamos xingar torna as coisas bem melhores.

5. (Lèon ou O profissional) O  amor paterno

5

Sim, eu sou um tanto recorrente  no que escrevo, certo? E como não ser, quando estamos falando deste que é um dos maiores filmes de todos os tempos (da minha cabeça)?

A história do maior amor que um pai já sentiu por sua filha. Como assim?

Você é um assassino frio e bem resolvido de meia idade, que se entrega de corpo e alma para salvar uma pequena garota que não tem nenhuma ligação com você. Sabe quanto amor é preciso para que um assassino realize esta façanha? Só um amor paterno seria capaz de tal feito.

Pense. Se fosse uma paixão, com certeza seria mais egoísta e arriscaria uma fuga juntos. É só pensar nos sentimentos da pequena Mathilda (sim, é um filme do tipo que não se faz mais hoje em dia).

Menção Honrosa:

(Malena) O amor visual

6

Você pensou que eu a deixaria de fora? Não senhor, meu amigo. Como bem sabe, nossa querida Monica nunca nos deixará a sós em uma lista.

Aliás, foi neste filme que nos apaixonamos.

Esta é uma película muito triste em que, assim como na história de Van Gogh, temos a natureza como maior rival. É como se Malena fosse uma ofensa a tudo que é vivo, como se sua beleza gritasse tão alto e tão forte, que ofendesse toda a humanidade.

Nos seus olhos, é possível enxergar o fardo que carrega, tal qual uma medusa.

Aliás, aos curiosos, aqui vai a breve história da Medusa (que por ser a minha, se trata, é claro, da verdadeira), uma das histórias mais tristes que ouvi.

Medusa era a mais linda ninfa que já existiu. Zeus não só a cobiçou, como também a violentou.

Minerva, com ciúmes de tamanha beleza, amaldiçoou Medusa, transformando-a em um ser horrendo, dando-lhe presas de javali para que nunca mais pudesse beijar outra boca, fazendo com que seus cabelos negros se tornassem cobras para que jamais pudesse ser tocada e, por fim, enfeitiçou seus olhos, para que petrificassem tudo o que vissem, assim, não lhe seria permitido nem ao menos o amor platônico.

A Medusa foi um ser que nunca alcançou a redenção, nem mesmo em nossas mentes, onde ela sempre foi um grande monstro. Com certeza é o mais triste fim que a mitologia clássica nos impôs.

Assista Medus... ops, Malena. Entenda o que é a beleza entre selvagens.

Obs: alguém deveria ter contado esta história pro boladão mitológico do momento, o Kratos.

5 desajustados nos gibis

São cinco dicas ligeiras para conhecer caras bacanas  sem super poderes, mas com grande histórias!

Não estrague histórias pesquisando resenhas. Sinta o que te atrai mais e mande bala! Qualquer coisa, depois é só mandar um comentário me xingando. Pelo menos será mais divertido.

1. A negação: Três Sombras

7

Poderia ser um épico da Disney ou então mais um excelente filme e fracasso de bilheteria do grande Terry Gilliam.

Mas não, é “só” um gibi mesmo. Um ótimo conto sobre a vida e nossa luta com (e por) ela.

2. O karma: Estigmas

8

Aqui está uma obra injustiçada.

Chegou ao Brasil sorrateira e nem ao menos ganhou uma capa dura de respeito. A curiosa história de um homem que sempre faz as escolhas certas e sempre sofre as consequências erradas.

Não conhece Mattotti?

Pois bem, se trata do melhor desenhista ondulado da história (independente de qual seja o significado deste adjetivo, sempre é bom conhecer os melhores, não é mesmo?)

3. O melancólico: Aterios Polyp

9

Se você já tem tudo na vida, é bem provável que você se torne um babaca. Agora, quando você descobre que existem coisas faltando (ou se perdendo), eis a sua chance de se tornar um cara legal novamente!

Quanto mais partes de nós estão faltando, mais temos o que encontrar.

David Mazzucchelli, o homem por trás do lápis de Batman – Ano Um, mostra que esta lição serve também para ele e faz aqui uma HQ que esmurra tudo o que você conhecia de diagramação.

4. O solitário: Astronauta - Magnetar

10

Se lembra do simpático Astronauta da Turma da Mônica?

Pois bem, você cresceu e ele também! Danilo Beyruth (Bando de Dois) coloca o meninão em órbita novamente e nos lembra que ser auto suficiente é importante, mas que se isolar é uma estupidez de proporção inversa.

Ponto positivo para as cores de Cris Peter e seu mar cósmico, o espaço nunca me pareceu tão perto e inteligível.

5. O quase-alguém: The Making Of

11

Eis minha surpresa em quadrinhos deste ano!

Brecht Evans simplesmente faz miséria nesta que é a história com o melhor uso dos desenhos para contar alguma coisa que já vi na vida. Conheceremos Peterson, o artista.

Aliás, se você também tem alguma pretensão artística no futuro, leia este gibi. Depois leia de novo, de novo e novamente outra vez. Posso dizer que foi o segundo melhor livro que já li sobre arte e com certeza o mais divertido.

5 músicas para ouvir num ônibus distante

Aqui estamos nós, falando diretamente da fossa da paixão, do antro do heroísmo. É aqui, no canto escuro de um ônibus interestadual, em mais uma noite fria, porque pode até ser verão, mas o ar condicionado noturno sempre dá o clima.

Há solidão sobre rodas.

Durante 10 anos, viajei pelo interior e, entre 400km daqui e dali, minha mente aproveitava as noites para o que fazemos de melhor com o tempo ocioso: fantastificar nossas paixões.

Aqui vai parte da trilha sonora dessas dores e amores, mas, por favor, não confunda isso com conselhos musicais, afinal, não seriam músicas de amor, se não fossem bregas. Desafio os leitores a ouvirem as músicas e lembrarem se tiveram uma situação parecida (quem sabe assim eu não me sinta tão ridículo).

1. "Long as i can see the light"

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Você começou a faculdade em outra cidade e sua garota ficou?

Tudo ficará bem, cara. Era preciso ir e, mesmo você sabendo que nada nunca mais seria o mesmo, sabe também que suas mãos sempre ficarão suadas ao encontrá-la.

Isso é amor.

2. "Tiny dancer"

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A música oficial de todo viajante que se deu mal.

As férias seriam ótimas, se você não tivesse entortado aquele porre acompanhado da decisão mais idiota que já tomou na vida. Tudo bem, amigo. Dessa vez ela não volta. Talvez tenha sido melhor pra você (com certeza para ela foi).

Isso basta.

3. "Trouble weighs a ton"

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Ah... a minha primeira DP! Alô você, maldoso, tô falando da faculdade!

Indo pra casa dar as “boas novas” pros meus pais, 18 anos recém completos e essa era a preocupação que esmagava meus ombros. Por que eu não ralei um pouquinho mais? Aquilo não saia da minha cabeça.

Como eu gostava quando minha maior preocupação era essa. Pena não saber disso na época.

4. "Entre a serpente e a estrela"

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Já tivemos todos os tipos de dor de amor. A traição, a fúria, a fuga...

Nenhum nunca me pareceu tão ruim quanto o fim.

Não o final do namoro, mas o término do sentimento. Como todo bom romântico do interior, sempre preferi o não gostar do que o não sentir.

Nunca encontrei algo mais triste que o vazio de um casal, quando ambos não querem nem mais falar mal um do outro, quando as coisas ficam tão turvas entre os dois que não é possível nem ao menos enxergar aquilo que se odiava.

5. "Deixa"

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Ok, lá se vai todo o estilo “galã solitário” que eu estava tentando criar aqui.

É meu amigo, eu vim de Marília e, por mais que muita gente de lá não goste do ritmo, a dor que batia nas viagens atrás da minha primeira namorada, era bem sertaneja.

No chacoalhar de uma jardineira velha, lá ia eu, fugindo do inglês pra namorar na praça. Entre um rodeio e outro, eu tomei um pé na bunda.

Rapaz... doeu viu. Mas foram tardes divertidas!

Menção Honrosa:

"Sail"

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Essa eu conheci há pouco tempo, em uma das minhas últimas madrugadas num ônibus. Talvez por isso eu lembre tanto.

Toda vez que a ouço, me sinto adolescente de novo, no melhor estilo Eminem boladão dando a volta por cima em 8 Mile. Infalível. Que energia tem essa música!

Obs: ouça alto, amigão.

Menção Desonrosa:

"Fala Garoto!"

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Musiquinha desgramenta!

Toda vez que eu estava quase conseguindo algo, aparecia um corno no meio do churrasco cantando “Garotos” e monopolizando toda a atenção das mulheres do lugar. Ele poderia ser feio, manco, verde, o que fosse. Bastava começar e pronto, se tornava o flautista de Hamelin. O pior?

No fim, até eu estava cantando também. Maldito Leoni!!!

E por hoje é só meus amigos! Como sempre, espero que tenha sido útil, ou pelo menos, divertido!


publicado em 28 de Agosto de 2013, 06:00
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Bruno Passos

Pintor e dono da Conto Figueira. Ama livros, filmes, sol e bacon. Planeja virar um grande artista assim que tiver um quintal. Dá para fuçar no Instagram dele para mais informações.


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