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O Rock in Rio precisa do metal pesado

Por que estourar as caixas com som distorcido é legal demais

Existem poucas coisas capazes de me fazer arrepiar tanto quanto uma bateria intensa e um riff de guitarra estridente.

Para quem não curte metal, talvez essa relação não fique muito clara, mas vou tentar traduzir este sentimento para vocês.

O PapodeHomem foi convidado pela Pepsi para ir ao Rock in Rio e eu fui o escolhido para fazer a cobertura. Peguei o dia mais pesado possível, com Slipknot encabeçando o line up. Gosto muito de Metallica, System of a Down e outras bandas que fizeram belíssimas apresentações no Rock in Rio, mas eu queria mesmo era a violência instrumental, a vibração provocada por baterias e tambores misturados com uma guitarra distorcida e um vocal poderoso.

O show começou tranquilo, introdução bonitinha e fogo no palco.

Eu me considero um pouco velho e cansado de tumulto, tenho tendência de me deslocar e ficar ao fundo da multidão, curtindo a música e assistindo um pouco afastado. Não começou diferente dessa vez. Estava eu, minha parceira e meus amigos lá, olhando o palco e batendo palma, aquela coisa de quem está ali, de leve, entrando no clima.

Achei que demoraria mais para que eu realmente estivesse entregue ao show, ledo engano.

Não precisou de muito para ver no alto do palco, um palhaço descontrolado, girando e pulando enquanto espancava as peças da bateria. Olhei para o Bruno e não teve jeito, corremos para o meio do tumulto. Não apenas para mais perto multidão, mas para dentro do moedor, pro olho do furacão.

Só me lembro de sair correndo tirando as pessoas da minha frente, encontrar o temido triturador de gente, dar um joia pro Bruno e entregar meu corpo pra sorte. Dezenas de pessoas se batendo, trombando ao som de The Heretic Anthem.

Foto por Lucas Dumphreys

O corpo dormente nem era capaz de sentir o impacto das trombadas.

O show de metal nem sempre é racional, preto no branco. É um mix de emoções que te carrega, que te direciona através da energia. Tudo parece válido e certo naquele momento, ao longo daquela hora e meia que dura o show, até aquelas performances que olhando de casa acharíamos ridículas.

Cansado, suado e ainda elétrico me distanciei do tumulto novamente para pegar fôlego. Ainda acompanhando o movimento, vejo o vocalista Corey Tylor pedindo para as pessoas abaixarem. Aos poucos as pessoas vão sumindo no horizonte, as milhares de pessoas que estavam na sua frente estão ali agachadas, em silêncio.

De repente o comando.

Now jump the fuck up!

Não acredita em mim, dê uma olhada em 1:14:30 no vídeo, se você não arrepiar, não sei o que mais pode causar esse efeito.

Link Youtube

O metal não é um estilo fácil de se identificar, principalmente para o publico geral que não tem contato frequente direto e, quando tem, vem coberto de alguns preconceitos, deixando escapar o que existe de mais importante no gênero, a energia e força que a combinação de instrumentos proporciona.

Slipknot não é nem de longe uma banda das mais pesadas que podemos encontrar por aí, mas juntar o público diversificado do festival com essa carga única que absorvemos no rock mais pesado, cria a oportunidade perfeita para ver pessoas que certamente criticariam o estilo pulando e batendo cabeça, descontrolados, sem entender muito bem o motivo de fazerem aquilo.

Muita gente acaba se incomodando da mistura entre a música pop e os estilos mais pesados de rock, mas não vejo dessa forma. A bagunça de perfis que observamos no Rock in Rio cumpre o importante papel de trazer pessoas que gostam de estilos mais variados e apresentar a proposta inicial do festival, o bom e velho rock.

Pouco importa se é a menina que comprou um dia que não queria, porque os ingressos da Katy Perry tinham esgotado, ou se a maioria do público não sabe quem é Tuomas Holopainen. No fim, cada pessoa que escutou uma música e pensou que deveria escutar um pouco mais disso ao chegar em casa, fez valer o objetivo do festival.


publicado em 02 de Outubro de 2015, 15:15
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Alberto Brandão

É analista de sistemas, estudante de física e escritor colunista do Papo de Homem. Escreve sobre tudo o que acha interessante no Mnenyie, e também produz uma newsletter semanal, a Caos (Con)textual, com textos exclusivos e curadoria de conteúdo. Ficaria honrado em ser seu amigo no Facebook e conversar com você por email.


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