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O xaveco olho no olho acabou

Seus dias de pedreiragem estão contados.

Pode dizer adeus àquelas farras carnavalescas, nas quais se dá bem aquele que faz a melhor piada.

Sim, aquele hábito de encontrar uma pessoa e descobrir no ato quais os gostos da moça ou do rapaz, entender a linguagem corporal, esbarrar braços, deixar as mãos repousarem em cima da coxa, sorrir timidamente até encontrar o punchline perfeito para uma sacadinha despretensiosa. Tudo isso pode estar ameaçado.

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Não há muito o que podemos fazer para evitar o fato de que as pessoas estão partindo cada vez mais para o flerte online.

Antes, era como se houvesse um paradigma de que os diálogos provenientes da internet eram menores, menos íntimos, portanto, se alguém porventura estabelecesse um relacionamento de longo prazo por esses meios, isso era visto como algo quase milagroso. Hoje isso já é muito mais frequente. A gente pode até olhar para essa informação de uma forma desconfiada, mas um terço dos casamentos nos EUA começam online.

Na internet a gente perde o corpo e acaba se tornando um amontoado de textos, músicas, livros, playlists e comentários. Parece que está tudo muito mais claro do que jamais esteve, afinal, basta fazer uma boa busca e você tem tudo o que pode parecer necessário para fazer uma boa aproximação.

Isso seria verdadeiro, se a gente falasse a verdade sobre nós mesmos. Acontece que, bem intencionados ou não, a imagem que nos esforçamos em transmitir é sempre uma versão melhorada daquilo que nós gostaríamos de ser.

O ponto é que as pessoas têm medo. E, dentre os inúmeros medos que carregamos, talvez nenhum seja tão particular, tão inconfessável, quanto o medo de passar por ridículo. E, mais do que apenas passar por ridículo, o medo de ser exposto em frente a alguém do sexo oposto, naquele momento em que seria mais precioso ser visto como alguém especial.

Taí. Se vira, mermão
Taí. Se vira, mermão

Se isso tem uma dose de verdade, nada mais natural do que nós começarmos a desenvolver métodos e ferramentas – ou mesmo aproveitar as que já existem – para que isso deixe de ser um problema.

Não é à toa que pipocam pela internet e livrarias, inúmeros manuais de sedução. E, agora, a gente pode contar com os aplicativos que facilitam a arte do xaveco ou nos levam diretamente para o momento crucial de descobrir onde que vai ser, afinal.

Olhando de uma maneira prática, nenhum manual vai conseguir fazer você descobrir um meio de surpreender sempre. Nenhum manual vai fazer isso, por que para surpreender no momento da sedução, você não pode estar aprisionado ao desejo de acertar. Você precisa reconhecer o próprio ridículo, assumi-lo e ostentá-lo. Você precisa ser capaz de rir de si mesmo, de verdade. Sem falsidade, sem fazer disso o jogo de quem diz não estar jogando.

A ameaça que aplicativos e manuais representam para a sedução old school é de acreditarmos que o fato de termos muita informação nos torna mais hábeis em nos conectarmos. Que basta termos interesses em comum que tudo vai dar certo.

Não importa muito a ferramenta. A qualidade do flerte nunca vai ser determinada por quanto você tem de informação sobre alguém. Mas sim, sobre o quanto você é capaz de cavar além da superfície, perceber alguma coisa não dita e fugir da curva da lógica.

Todo bom xaveco é disléxico.

Na verdade, se a boa e velha cantada marota vai acabar para todo o sempre, eu não sei. O fato é que o maior xaveco, a melhor cantada, ainda é a boa e velha honestidade bem humorada na cara.


publicado em 24 de Julho de 2013, 21:01
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Luciano Andolini

Cantor, guitarrista, compositor e editor do PapodeHomem nas horas vagas. Você pode ouvir no Spotify. Também escreve no Medium e em seu blog pessoal. Quer ser seu amigo no Facebook e Instagram.


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