Olimpíadas 2008: entre Chop Sueys e Chinesas.

O que um homem pode fazer numa Olimpíada?

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A data: 19/08/08

O local:Tianjin, cidade nordeste da China. Cerca de 6.3 milhões de habitantes.

O objetivo: Comer chinesas na época de Olimpíadas.

Roteiro em mãos, Nicolas, 29 anos, advogado (bem-sucedido), resolveu tirar férias da cidade da garoa, São Paulo. Queria ver as Olimpíadas e mostrar os seus “dotes” às chinesas.

Deixou seu cachorro vira-lata, Billy, aos cuidados de sua mãe.

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Não vai pro fundo, Billy!
*

Fez reserva em um dos hotéis mais baratos da capital da China, Zhongan Hotel Beijing, a partir do que leu na internet: “os estabelecimentos mais baratos costumam servir, principalmente, aos chineses”.

Concluiu: - Vai lotar... de chinesinhas!!!!

Nicolas chegou a Pequim no dia da abertura dos jogos, 08 de agosto, e sua “taradice” foi aumentando com tantos olhos puxados, bocas pequenas (iguais botões de rosa) e cabelos pretos... longos, curtos, presos em forma de coque ou soltos lembrando crinas... a fertilidade imaginária do paulista não o deixava sossegado, aquelas peles tão claras faziam sua vista arder, e o “assédio” dos cabelos... também!

No dia primeiro de agosto, a China inaugurou o “China Railway High Speed” (um trem bala que faz o percurso entre Pequim e Tianjin em 30 minutos). No dia 19 de agosto, Nicolas realizou a sua tara por chinesas graças a este trem.

Desde que havia chegado em Beijing, o paulistano estava torcendo, torcendo afoitamente. Não pelo Brasil (que, infelizmente, nessas Olimpíadas não veio com todo o seu tesão pelos esportes) mas, por achar a sua musa oriental. Sendo assim, ele tentou de tudo: fingiu ser fumante compulsivo e hóspede passivo no hall de entrada do hotel. Onde ficava só no aguardo de um rostinho estilo Mangá.

Trem bala rumo a Tianjin, lá estava ele, no memorável 19 de agosto, para ver o jogo de futebol feminino entre Alemanha e Coréia do Norte (garra pelo Brasil ele já tinha mandado às favas, pois naquele dia o seu país iria enfrentar a Nigéria em Pequim). Num banco próximo, cabelos longos e negros apareciam em volta de um livro, que cobria os olhos puxados. Lucy Lee, a dona de tais atributos...

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Nicolas se prepara pra praticar seu esporte favorito. Tiro ao alvo.
*

Natural da cidade destino onde o trem os estava carregando. “Que futebol feminino o quê, eu quero mais é essas mãos pequenas tocando o meu pau”, atreveu-se Nicolas. E o seu atrevimento o levou a casa de Lucy Lee, junto, ao presente mais tórrido, Kea Lee, sua irmã mais nova (“Imôto”, em mandarim).

Casa pequena e aconchegante, como transpirava ser o corpo das duas. Ménage??? Sim. Muito prazer! Sou de São Paulo, Nicolas. Depois de prepararem um macarrão chop suey, elas toparam tudo. Ele quis o além do “tudo”. Corpos pequenos, jamais tocados pelo sol. Cabelos de Gardênia, Magnólia, Crisântemo, Lótus. Suor, calor e arrepios. Banho de ofurô e relaxamento.

Nicolas estava tão relaxado que até lembrou de Billy, seu vira-lata. Lembrou, também, de quase não ter visto cachorros pelas ruas daquele país. E, involuntariamente, lembrou que chineses comem cachorros. Mais que num impulso, jogou-se do banho de ofurô para o telefone (ligando pela primeira vez a cobrar para sua mãe, já que a sua decisão influenciava, agora, no seu “pé-de-meia” da advocacia):

“Mãe, cuida do Billy para o resto dos dias da vida dele. Eu estou mudando de planos e ficarei na China.”

“Como?” – perguntou sua mãe.

A resposta de Nicolas para esta indagação foi tão excitante para ele que chegou a se babar:

“Até pensei em trazer Billy pra China, mas aqui comem cachorros...mas, diga a ele que farei o que Billy mais gosta, “comer cachorras”, e cuidarei de um jardim (nos fundos da residência chinesa) como a senhora adora fazer”.


publicado em 02 de Setembro de 2008, 21:34
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Clarisse Colombo

Jornalista. Geralmente escreve por insights noturnos e jura que seus contos são totalmente fictícios.


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