Os jovens brasileiros estão parando de usar camisinha. E isso é preocupante especialmente para os homens

Eles sofrem mais com Aids, Sífilis, Hepatites e outras DSTs durante toda a vida

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Estamos acostumados a falar de assuntos muito diversos aqui no PdH. Quem der uma olhada na nossa capa vai encontrar artigos falando sobre estilo, esporte, alimentação, produtividade, viagem, cultura, entre outros. Mas um tema muitas vezes subestimado e tão mais básico quanto vital diz respeito à saúde do homem.

Quando acompanhamos a repercussão que textos como o "Daquela vez que fui burro e não fui ao médico" e quando observamos a quantidade de questões de saúde que são contempladas entres "As 25 maiores crises do homem" sempre nos surpreendemos. Percebemos que é preciso dar um passo atrás e voltar a falar de coisas que nós, homens, andamos negligenciando.

Para nossa tristeza, porém, não se trata de uma ingenuidade só nossa. Recentemente, o IBGE publicou uma série de pesquisas que abordavam os cuidados que os homens têm com a sua própria saúde e os resultados deixaram até os especialistas do Ministério da Saúde preocupados.

Onde estamos

Especificamente no que diz respeito a questões sexuais, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar realizada a cada três anos com alunos do 9º do Ensino Fundamental indicou que os jovens estão usando cada vez menos preservativos. O índice daqueles que responderam não usar camisinha nas suas relações sexuais que era de 24,7% em 2012, aumentou para 33,8% em 2015, um crescimento de 9% que se refletiu em todas as subdivisões analisadas.

Principal método de prevenir a gravidez indesejada, a queda no uso de camisinha poderia ser especialmente prejudicial para as meninas, porém, a atividade sexual mais frequente entre eles (36,0%) do que entre elas (19,5%) desde essa idade tem tornado a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) um problema especialmente masculino.

No caso da Aids, por exemplo, o Boletim Epidemiológico de HIV e Aids publicado em 2016 indicou que o número de jovens do sexo masculino infectados cresce em todas as faixas etárias, ao contrário do que acontece entre as mulheres de forma que a proporção de 1 mulher para cada 1,2 homens em 2006 já saltou para 1 mulher infectada para cada 3 homens portadores de HIV em 2015.

Exame de sangue ajuda a detectar se o paciente tem Aids.

 

Da mesma forma, a sífilis também tem aumentado entre os homens. Dados do Ministério da Saúde revelam que houve um crescimento de 32,7% nos cados entre 2014 e 2015, sendo que 60,1% dos infectados são do sexo masculino. Já em relação a hepatite do tipo A, a própria Organização Mundial da Saúde emitiu um alerta ao perceber um aumento de 202% de homens infectados na cidade de São Paulo entre junho de 2016 e maio de 2017.

Tudo isso levou o Ministério da Saúde (e nós) a pensar nas possíveis causas desses números.

Onde vamos parar

A primeira hipótese é de que falta divulgação sobre os riscos de estar 'exposto' na hora das relações sexuais. Antes, uma campanha de divulgação na televisão aberta bastava para que jovens, adultos e idosos fossem impactados pela informação. Agora, porém, essa atenção está pulverizada em várias mídias e é preciso ser mais criativo na hora de impactar esses públicos distintos.

A segunda hipótese é de que existe uma crença crescente de que a Aids e outras DSTs são curáveis/tratáveis e já não apresentam mais tantos riscos quanto antes. O argumento é suportado na divulgação cada vez maior de tratamentos efetivos para combater essas doenças e no fato de que a taxa de de óbitos caiu de 9,7 em cada 100 mil habitantes em 1995 para 5,6 em 2015. Assim, essas pessoas não tem mais exemplos próximos nem famosos de pessoas. Essas pessoas, porém, esquecem do custo do tratamento tanto financeiro quanto social.

Ministério da Saúde quer mudar identidade visual da camisinha.

Por último, os pesquisadores também acreditam que precisam disponibilizar um acesso mais fácil aos preservativos e desmistificar que o seu uso é incômodo ou restritivo. Para isso, o Ministério da Saúde até já abriu um concurso para mudar a identidade visual da famosa "camisinha de posto" amarela e roxa a fim de torná-la 'mais atrativa' para os jovens, a faixa etária que mais preocupa.

De qualquer forma, vale a gente fazer a nossa parte e voltar a falar sobre a importância de se prevenir de todos os riscos que o sexo inseguro pode proporcionar. 


publicado em 20 de Julho de 2017, 12:00
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Redação PdH

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