Outro eu andando por aí

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Pior que ter um homônimo é ter um sósia. Eu sei porque tenho um.

Todo mundo já tinha me falado isso, mas eu não levava a sério, até que um dia estava dentro de um ônibus e me vi do lado de fora. Tomei um puta susto porque nem se fosse gêmeo o desgraçado seria tão igual. Até o óculos de morcegão que eu usava na época o cara tinha.

Esse cara já gerou alguns constrangimentos, pois mais de uma vez fui xingado na rua por pessoas que não conheço. Como sou péssimo para nomes, geralmente acho que conheço mesmo e não estou lembrando quem é.

Teve um dia que eu estava numa praça e conversei mais de meia hora com uma pessoa que achava que eu era o cara. Ele tinha estudado com meu sósia na infância, então era aquele tipo de papo que serve pra todo mundo. Eu comecei a achar o papo meio estranho, pois o sujeito perguntava sobre pessoas que eu nem fazia ideia de quem eram. Custou a cair a ficha de que ele não me conhecia realmente.

Só me liguei quando ele começou a teimar que eu tinha estudado com ele numa escola de São Gonçalo, lugar onde só fui duas vezes na vida. Dei uma desculpa furreca e saí fora. Fiquei com vergonha de assumir que era outra pessoa.

Se você sofrer de narcisismo e encontrar seu sósia, não beba. Caso contrário...

Quando eu estava no pré-vestibular, uns colegas de amigos meus do cursinho disseram que "eu" tinha ido numa festa, pagado o maior micão, ficado bêbado e quebrado o som do DK. Festa na qual obviamente nunca botei os pés.

Mas a pior de todas foi o dia que minha mãe foi comigo no shopping. Eu detesto fazer compras e larguei dela pra ir na livraria. Marcamos de encontrar na praça central do shopping. Eu estava de calça e jaqueta jeans naquele dia. Só que me distraí e atrasei.

O lance é que ela não atrasou, chegou no lugar e "me viu" ao longe, em frente a uma vitrine. Minha mãe gosta de fazer umas brincadeiras babacas dignas de cunhado de 15 anos. Essas de dar susto, tampar o olho da pessoa, dar empurrão, passar rasteira... Ela veio com um rolo de papel de presente e enfiou no cu do cara.

Quando ele virou assustado, ela notou que não era eu. Começou a falar coisas sem sentido, pagou de maluca e foi saindo.

Foi a primeira vez que minha mãe viu meu sósia. Por coincidência, ele também estava de calça e jaqueta jeans, no mesmo shopping. Tivesse apenas o nome igual, nada disso teria acontecido.


publicado em 03 de Janeiro de 2011, 22:14
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Philipe Kling David

Psicólogo por formação, já trabalhou com 3D e efeitos especiais, bonecos, jogos de videogames e miniaturas de chumbo. Foi professor de escultura, diretor de curta-metragem e até ufólogo. É um grande contador de histórias. Desde 2006, escreve no blog Mundo Gump, que já virou livro. No Twitter, @philipe3d


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