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Paraíso Colômbia: 10 dias de planejamento, 14 dias de diversão.

Estive por 14 dias na Colômbia e estou apaixonado pelo lugar. De início, tive um pouco de ceticismo quando um amigo de infância me fez a seguinte proposta: quem sabe passamos o feriado do dia 12 de outubro em algum país da América do Sul?

Depois de cogitar Macchu Picchu, no Peru (desistimos porque a trilha Inca estava lotada até novembro), e buscar mais informações sobre um bocado de lugares América do Sul afora (como Isla Margarita e Los Roques, ambos na deslumbrante Venezuela), o destino que saltou aos olhos foi Cartagena de Índias, Colômbia. Acredito em sinais e algo me chamava para aquela cidade colombiana. Quando comecei a buscar mais informações em dezenas de sites de turismo, tive certeza de que lá era meu destino inicial.

Foram apenas 10 dias de preparação, incluindo emissão de passaporte, vacina contra febre amarela, compra de roupas para calor e organização das finanças, com intermináveis idas ao banco e ligações para o cartão de crédito.

 

San Andres.

Preparar-se para uma viagem é um processo que parece ser complicado mas é bastante simples, desde que se tenha uma mínima organização. Eu sempre faço um check-list com tudo o que preciso fazer. É batata. Quem não faz geralmente esquece alguma coisa. Com tudo organizado sai do QG PapodeHomem às 5 da manhã rumo o aeroporto internacional de Guarulhos.

 

Cartagena de Índias e os cidadãos do mundo

Fundada em 1533 e hoje a quinta maior zona urbana da Colômbia, a cidade colonial de Cartagena de Índias chama atenção por sua beleza. Graças a uma onda de saques intermináveis de piratas, a cidade construiu um forte ao seu redor, tornando-se uma cidade murada. Hoje ainda restam 8 km de muralhas originais, emprestando um visual medieval, muito diferente das áreas habitadas que conhecemos.

O local escolhido para passar as 6 noites foi um hostel chamado Media Luna, localizado no distrito de Getsamani, a cerca de 400 metros da cidade murada. Depois de encontrar ótimas recomendações em fóruns, para lá rumamos.

 

O lance é se aproximar preparado para xavecar em 4 idiomas.

E que escolha! Eu não tinha ideia do que acontecia em um local que abriga 100 jovens de mais de 10 diferentes nacionalidades. Logo no dia que cheguei (quarta-feira), o hostel oferece uma festa na piscina com drinks 2x1 e farra até às 5 da manhã. O bônus do programa é pegar o nascer do sol no terraço, com vista para a enorme Boca Grande e o forte São Felipe.

Com uma arquitetura remetendo aos castelos medievais, com seus candelabros e tijolos à vista, esse hostel é uma excelente dica para jovens em busca de diversão. Confesso que grande parte dos viajantes ficam dias e dias praticamente lagarteando na piscina, ignorando os atrativos da cidade.

 

Hostel Media Luna. Curto muito o visual.

Conheci pessoas de diversos países e percebi que nós, brasileiros, viajamos muito pouco. Temos uma cultura repressora com relação à liberdade para ir e vir. Nossa cultura prega nascermos, crescermos, procriarmos, envelhecermos e morrermos no mesmo lugar (ou não muito longe).

Fiquei muito impressionado com a quantidade de gurias europeias viajando solo pela América Latina por meses e meses, sem destino certo. Não sei se vale a comparação, mas não lembro a última vez que uma amiga minha saiu viajando sozinha pelo Brasil, quem dirá pela América Latina.

 

Playa Blanca e o albergue de 12 reais

No último dia em Cartagena, decidimos sair da cidade. Queríamos ver as praias de areia branca e águas azuis que tanto tinha visto na Internet. Estávamos em um grupo de 5 pessoas, 3 brasileiros e 2 colombianas. Eu mal sabia onde estava me metendo.

Chegando na Playa Blanca, a uns 40 minutos de lancha de Cartagena, uma praia de filme nos esperava com seus bangalôs rústicos.

 

Hostel na Playa Blaca.

Não por alguns, mas por muitos minutos ou horas (difícil precisar o tempo sem celular, computador, relógio e, principalmente, energia elétrica), pensei que eu era um personagem do filme A Praia. Alugamos um bangalô na beira do mar (algo como 5 metros da água), sem chuveiro, portas ou qualquer comodidade que estamos acostumados.

Por cerca de 12 reais, fui forçado a dormir olhando um céu estrelado como poucos, logo acima do mar, calmo, azul infinito. À noite, uma fogueira para ajudar a lua crescente a iluminar a completa escuridão do lugar e a nos dar uma leve força para encontrar a garrafa de rum mais próxima. Rum colombiano, claro, con mucho gusto.

 

Anoitecer na Playa Blanca.

 

Felicidade na Playa Blanca.

 

San Andrés e o mar de 7 cores

O último destino da viagem, onde fiquei 8 noites, foi uma ilha a 700 km da Colômbia e 150 km da Nicarágua. Um arquipélago que parece um mundo à parte. Acompanhado de outro amigo brasileiro, cuja alcunha é Jesus, rumamos para essa ilha paradisíaca, onde os nativos falam o dialeto criollo, uma mistura de inglês, francês e espanhol.

 

San Andres, Johnny Key, a ilha com 7 tons de azul.

Junto com os criollos, os turistas são recebidos pelo reggae onde quer que vão. Desde nos restaurantes até nos resorts, Bob Marley, Alpha Blondy, The Gladiators e vários outros grupos de reggae dominam sempre. Parece cena de filme. Rastafáris taxistas, rastafáris garçons, a cultura jamaicana invadiu a ilha colombiana de uma forma incrível. Parece que, ao sair da Colômbia continental, perde-se o ardor da salsa e do merengue e os habitantes deixam-se levar pela brisa suave e melódica do reggae. Afinal, com um mar azul desses, quem não fica fã de reggae?

Definitivamente o mar de San Andrés é de uma beleza indescritível. Dizem as histórias que pode-se descrevê-lo como “o mar dos 7 tons de azul”. Juro que tentei, mas minha visão não deve ser tão precisa, pois vi três, talvez quatro tons, o que já estava de bom tamanho.

 

Praia de San Andres.

 

Praia de San Andres.

O mar só me causou um problema. Se já estava com vontade de mergulhar quando decidi ir para San Andrés, quando cheguei no arquipélago e vi que o mar tinha o mesmo tom de azul das fotos, não tirei da cabeça a ideia de fazer um curso de mergulho até me matricular em um. Logo pensei: se o mar já é assim visto por cima, imagina como deve ser por debaixo água.

Pelo que tinha pesquisado sobre mergulhos em San Andrés, os mergulhadores conseguem ter uma visibilidade de até 30 metros, e podem ver uma incrível variedade de fauna e flora, incluindo tubarão martelo, peixe-leão e corais de todas as cores possíveis. Tenho muitas histórias dos mergulhos no oceano de águas azuis, mas quero dedicar um artigo somente para contar um pouco sobre a experiência de entrar na outra dimensão do Caribe.

 

Praia de San Andres (tá contando as cores dá água?)

 

Destinos incríveis

Acredito que aqui é um lugar que vamos ter a oportunidade de trocar muitas dicas de viagens. Destinos incríveis, lugares fantásticos, existem centenas. Um dos grandes desafios do viajantes é escolher o destino certo.

Assim como contei um pouco dessas minhas últimas férias, proponho uma troca. Pense no último grande lugar que você conheceu, no Brasil ou fora, e nos conte como foi a sua experiência.

Afinal o que se leva dessa vida é a vida que se leva.

 

La piscinita, em San Andres. Um pulo de 10 metros.

 

Quer fazer uma viagem parecida?

Para quem deseja experimentar esse roteiro, compartilho as principais informações.

Quem leva: Avianca, Copa, Lan e Taca (minha escolha).

Cartagena: Hostel Media Luna | Calle de la Media Luna No 10-46, Getsemaní. (57) 3-313.5363.146.

San Andres: O melhor destino em San Andrés é a rede de hotéis all inclusive Decameron, com 5 hotéis na ilha. O melhor de tudo é ficar em um e poder aproveitar todas as atividades dos demais: ao andar pela ilha você pode entrar em qualquer hotel da rede, pegar um drink e continuar o passeio. Minha escolha foi Decameron San Luis, na Baía Sul, mais afastado do centro, mas com a melhor paisagem, na frente de uma praia de azul com areia branca.

Custo: R$ 2.200,00 de passagem aérea (São Paulo / Cartagena / San Andrés) + R$ 1.900,00 de alimentação, hospedagem e extras. Se eu tivesse comprado por pacote, certamente ficaria mais barato.

 

Fenômeno não identificado acima do mar da Playa Blanca.

publicado em 19 de Novembro de 2010, 10:41
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Felipe Ramos

Um realizador nato, de coração sem tamanho. Transformar pedra em banquetes é a especialidade desse MacGyver gaúcho. Notório por seu apetite festeiro, nunca recuse quando for convidado a uma de suas frequentes celebrações e aventuras. O imprevisível é seu prato favorito. No Twitter, @felipemktg.


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